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(Texto:
Isabel Taranto | Fotos: Divulgação)
Preparar-se
para a concepção já é considerado um novo
conceito de gravidez, que ganhou até nome: gravidez de 12 meses,
ou, em inglês, one-year pregnancy (gravidez de um ano). O primeiro
médico a abordar o tema no Brasil com a seriedade que o assunto
merece foi o dr. Sérgio Peixoto, professor titular da disciplina
de Ginecologia Obstetrícia da Faculdade de Medicina do ABC, em
Santo André, e professor docente do Departamento de Obstetrícia
e Ginecologia da Universidade de São Paulo (USP).
Essa
preparação, que se deve dar de dois a três meses antes
da concepção ou do início das tentativas para a mulher
engravidar, implica muitas medidas. Uma delas é o exame clínico
seguido de uma investigação completa para verificar possíveis
inflamações ou infecções, a ocorrência
de doenças sexualmente transmissíveis, desde as mais conhecidas,
como sífilis, aids, hepatites B e C, até uma pouco falada,
como a infecção por clamídia. Essa bactéria
freqüentemente provoca uma infecção assintomática
no homem e, na mulher, pode levar à esterilidade do casal, aborto
e até parto prematuro, adverte Maria Eugênia Caetano,
médica colaboradora do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia
da USP.
A
consulta médica detalhada e os exames laboratoriais ainda podem
revelar se a futura mamãe é diabética, hipertensa,
se, numa gravidez anterior, teve um surto hipertensivo (conhecido como
eclâmpsia ou pré-eclâmpsia, alteração
da pressão arterial típica da gravidez que pode causar convulsões
e até levar à morte (se não tratada), se está
imunizada contra rubéola e toxoplasmose, etc.
Nutrição
e suplementos vitamínicos
Como
o corpo da grávida é mais exigido durante os nove meses
de gestação, é preciso dar uma mãozinha ao
organismo com suplementos vitamínicos e minerais, que devem começar
a ser consumidos três meses antes da concepção. Na
opinião do dr. Peixoto, a substância mais importante a ser
reforçada nessa fase é o ácido fólico, que
é a vitamina B9. Ele é capaz de prevenir em até 70%
malformações do sistema nervoso central responsáveis
por males como macrocefalia (crescimento exagerado do cérebro)
e anencefalia (ausência de cérebro). Além disso, evita
a malformação cardíaca e de membros inferiores e
superiores.
Mas, além
do ácido fólico, existem várias vitaminas e sais
minerais fundamentais para a garantia de uma gestação saudável.
As vitaminas B6, B12 e o zinco, por exemplo, também previnem mal-formações
no feto; e a vitamina B6, associada ao gengibre, diminui os enjôos
típicos dos primeiros meses de gravidez.
Variedade é
a palavra-chave que deve nortear a alimentação da mulher
que está se programando para engravidar. No cardápio,
não podem faltar carboidratos integrais, vegetais verde escuros
[couve, espinafre, brócolis], leite e derivados e alimentos protéicos
de origem animal [víceras, coração, rim, fígado,
moela de galinha], todos eles fontes de ácido fólico,
diz a nutricionista Priscila Maximino, da Nutrociência Assessoria
em Nutrologia, de São Paulo.
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