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(Texto:
Isabel Taranto | Ilustração: Divulgação)
Sofrer com
problemas cardíacos não é mais exclusividade dos
homens, famosos por fumar demais, trabalhar em excesso, se empanturrar
de gorduras e frituras e não praticar atividade física.
Segundo pesquisas do CDC (Center for Desease Control and Prevention
Centro de Controle de Doenças), órgão ligado ao FDA
americano, o infarto do miocárdio e o derrame cerebral ocupam juntos
o primeiro lugar no ranking das causas de morte mais freqüente entre
as mulheres. O infarto é responsável por 35% dos óbitos
femininos, afirma o cardiologista Nabil Ghorayeb, fundador e ex-presidente
do Grupo de Estudos do Esporte da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Chegamos
a essa estatística porque as mulheres entraram no mercado de trabalho
competitivo e estressante e, assim como os homens, passaram a enfrentar
problemas como ansiedade, depressão, pânico. Tudo isso as
levou a muito cigarro, falta de exercício, alimentação
inadequada, estresse e um corre-corre danado. Resultado: mais infartos
do miocárdio e derrames, constata o médico Carlos
Alberto Pastore, cardiologista do Instituto do Coração (Incor),
em São Paulo.
Cigarro
e anticoncepcional: dupla fatal
O fumo é
o principal fator de risco para problemas cardiovasculares, sobretudo
se estiver associado à pílula anticoncepcional. Esse
coquetel é prejudicial ao coração porque deixa o
sangue mais grosso e eleva o colesterol ruim (LDL), facilitando o entupimento
dos vasos, alerta o dr. Ghorayeb. O tabagismo é um
fator de risco muito importante para todas as doenças cardiovasculares,
principalmente para o infarto do miocárdio e a angina do peito,
adverte o dr. Marconi. Ele diz que o fumo antecipa a menopausa em cerca
de dez anos e qualquer quantidade de cigarros é prejudicial, inclusive
a fumaça que o fumante passivo aspira involuntariamente. Em
contrapartida, se a pessoa pára de fumar, em cinco anos seu risco
é equivalente ao de uma mulher não fumante, diz o
especialista.
Há cerca
de dez anos, a proporção era de oito homens com problemas
cardiovasculares para duas mulheres na mesma situação. Hoje,
temos seis homens cardíacos para cada quatro mulheres. |
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O organismo da mulher conta com uma proteção natural contra
problemas cardiovasculares dada pelos hormônios femininos progesterona
e estrógeno, que são produzidos pelos ovários. Eles
são vasodilatadores, protegem as artérias e evitam a pressão
alta, informa o dr. Carlos Pastore, do Incor. Isso acontece
porque eles favorecem a ação do endotélio (camada de
células que reveste o interior das artérias), impedindo a
formação de coágulos, os principais responsáveis
pelo entupimento dos vasos, explica o cardiologista José Marconi
Almeida de Sousa, da Unifesp. Segundo ele, graças a essa proteção
(que existe desde o nascimento e dura até os 65 anos quando
cessa a produção desses hormônios em função
da menopausa), as mulheres têm dez anos de vantagem em relação
aos homens. Ou seja, uma mulher de 50 anos apresenta o mesmo risco de ter
doenças cardiovasculares de um homem de 40 anos. |