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Caderno
Saúde
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Câncer
de Mama
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Conheça
os métodos de prevenção e tratamento mais modernos
para combater uma das doenças que mais matam as mulheres no Brasil
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Especialistas acreditam que a doença poderá ser administrável,
como diabetes e hipertensão
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(Texto:
Isabel Taranto | Fotos e Ilustrações: Divulgação)
O câncer
de mama, entre todos os tipos de câncer, é o que mais causa
mortes entre as mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer.
No mundo, é a segunda causa de morte mais freqüente, perdendo
apenas para o infarto e o derrame cerebral que, segundo o CDC (Center
for Desease Control and Prevention - Centro de Controle de Doenças),
órgão ligado ao FDA americano, ocupam juntos o primeiro
lugar como causadores de mortes femininas. A cada ano morrem de câncer
de mama no Brasil cerca de 10 mil mulheres, e a faixa etária está
acima dos 35 anos. Por isso, a doença tem recebido especial atenção
da ciência e da medicina. Recentes descobertas médicas e
o desenvolvimento de diversas tecnologias biomédicas provam, a
cada dia, que a guerra contra o câncer caminha para um final de
paz. Isso porque hoje, à medida que os pesquisadores sondam as
origens genéticas da doença, adquirem uma compreensão
sem precedentes de como ela se desenvolve e como é possível
eliminar o sofrimento de suas vítimas e diminuir o número
de mortes. Tanto que especialistas da área acreditam que, num futuro
bastante breve, o câncer será encarado como uma doença
crônica administrável, como diabetes e hipertensão.
O
que é?
Segundo o
oncologista Ricardo Antunes, diretor do Instituto Paulista de Cancerologia
(IPC) e responsável pelo departamento de prevenção
da Sociedade Brasileira de Cancerologia, o câncer de mama é
basicamente uma doença sócio-ambiental relacionada com hábitos
ocidentalizados da mulher moderna, muitos dos quais quase impossíveis
de serem mudados, como hábitos reprodutivos e estilo de vida, onde
somente 5 a 7% correspondem a fatores hereditários. Os principais
fatores de risco para o desenvolvimento deste mal são tabagismo,
alcoolismo, estresse, dieta gordurosa inadequada, sedentarismo, maior
número de ovulação pelo menor número de filhos
e menor freqüência na amamentação em menor escala
à relação familiar e hereditariedade, diz o
especialista. Apesar de alguns estudos, como uma pesquisa realizada pela
Universidade de Liverpool, na Inglaterra, afirmarem que a assimetria dos
seios é um fator de risco importante, o dr. Antunes discorda. Mamas
assimétricas de forma constitucional é um fator genético
que não pressupõe o câncer de mama, afirma o
cancerologista. Ele também diz que o aumento do seio com prótese
de silicone não favorece o surgimento do câncer de mama.
A prótese apenas dificulta o seguimento clínico pela
maior possibilidade de albergar um tumor maligno que pode passar despercebido.
Por esse motivo, mamas com silicone devem ser acompanhadas e examinadas
com maior cuidado, recomenda o médico, que também
é cirurgião.
Existem vários
tipos de câncer de mama. O mais comum e mais agressivo é
o Carcinoma Ductal Mamário. Mas existem outros de menor agressividade.
O diagnóstico precoce é a condição que
retrata o câncer de mama de menor agressividade, afirma o
diretor do IPC.
Prevenção
Graças
aos avanços da medicina, existem várias formas eficazes
de se prevenir ou diagnosticar precocemente o câncer de mama. Uma
delas é o auto-exame mensal, o exame clínico semestral realizado
pelo médico ginecologista, obstetra ou mastologista, a mamografia
realizada a partir dos 35 anos (recomendada para mulheres com antecedente
próximo familiar de câncer de mama) e anualmente após
os 40 anos de idade. A ultrassonografia é um método complementar
valioso, principalmente em mulheres jovens portadoras de mamas densas.
Há ainda métodos preventivos para mulheres de alto risco
como o bloqueador hormonal Tamoxifeno há alguns anos, os
médicos relacionaram o câncer de mama com os hormônios
femininos (principalmente os estrogênios), pois este hormônio,
quando aumentado, pode estimular o crescimento das células do câncer
de mama.
Tratamento
Como não
podia deixar de ser, os avanços científicos também
se voltaram para a descoberta de novos tratamentos. Por meio da
biologia molecular, foi possível descobrir novas drogas quimioterápicas,
hormonioterapias e drogas-alvo específicas, capazes de atingir
apenas o tumor, adianta o dr. Antunes.
Em geral, a
maioria das mulheres que têm câncer de mama passa pela mastectomia
(cirurgia de retirada do seio) e ainda por sessões de quimio e
radioterapia. O Estadiamento do câncer de mama é quem
vai definir o melhor tratamento. Do mais precoce ao mais avançado,
em que muitas vezes utilizamos apenas uma modalidade terapêutica
ou todas de forma combinada, cada caso é um caso. Em linhas gerais,
a cirurgia e a radioterapia possuem a finalidade de controle loco-regional
e a quimioterapia, o controle sistêmico da paciente, seja de maneira
terapêutica ou apenas preventiva, explica o especialista.
Segundo ele, após o tratamento, em muitos casos utiliza-se ainda
medidas preventivas das mais variadas, como a manipulação
terapêutica hormonal, quimioterápica, radioterápica
ou cirurgia complementar.
Ginástica
do bem
A
prática de atividade física também faz parte da terapia
de reabilitação e prevenção de recidiva do
câncer de mama. Diversos estudos comprovam que a adoção
de um programa regular de exercícios físicos contribui diretamente
para a melhoria da saúde física e mental das sobreviventes
à doença.
O sedentarismo
aumenta os riscos de desenvolvimento de células cancerígenas,
por isso a prática esportiva é fundamental para o reforço
imunológico dos pacientes, diz o médico. Ele indica
uma atividade aeróbica com orientação de profissional
habilitado e destaca que o braço correspondente à mama operada
seja tratado cuidadosamente.
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Nutrição
preventiva
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Considerado
a terceira maior causa de mortes no Brasil, o câncer possui íntima
relação com os hábitos alimentares. De acordo com
a Organização Mundial da Saúde, mais de 30% dos tumores
que atingem os seres humanos estão diretamente relacionados a dietas
desequilibradas e pouco nutritivas. Pesquisas sobre o assunto nos
permite constatar que certos alimentos aumentam o risco de câncer,
afirma a nutricionista do IPC Carolina Leipner. Segundo ela, são
considerados alimentos prejudiciais:
1 - Carnes e
gorduras de origem animal (leite, laticínios em geral e derivados
integrais), que possuem como componente nocivo os ácidos graxos
saturados. Uma alimentação com alto teor de gorduras aumenta
a quantidade de estrógenos os hormônios do sexo feminino
no sangue e muitos tumores de mama são alimentados
por estrógenos. Os estrógenos são hormônios
normais e essenciais. Porém, quanto maior a quantidade de estrógenos
houver, maior a força que provoca alguns tipos de câncer
de mama. Quando as mulheres iniciam uma alimentação com
baixo teor de gorduras, seus níveis de estrógeno caem significativamente
em curto espaço de tempo.
2 - Bebidas alcoólicas, evitá-las reduz os riscos de câncer
de mama.
Felizmente,
há alimentos saudáveis que auxiliam na prevenção
da doença. São eles:
1 - Frutas e legumes (em especial as fontes de vitamina C e fibras)
2 - Óleos vegetais (fonte de ácidos graxos polinsaturados
e insaturados)
3 - Óleos de peixe (ricos em ácido graxo ômega 3 e
vitamina E)
4 - Minerais: cálcio, magnésio, selênio presentes
em frutas secas e sementes.
Estes
nutrientes possuem atividade antiinflamatória, evitam a aglomeração
das plaquetas sangüíneas, ação de radicais livres
no organismo, protegendo desde o código genético (DNA) aos
lipídios, abortando os processos carcinogênicos, e aumentam
o sistema imunológico, oferecendo mais resistência para combater
a formação de células diferenciadas (tumorais) e
fibras as quais auxiliam na redução da absorção
de gorduras em excesso, garante a nutricionista.
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Medicamento
natural
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O
limoneno, substância contida na casca de frutas cítricas,
interrompe o desenvolvimento do câncer de mama. Trata-se de
um monoterpeno que possui diversos efeitos farmacológicos, incluindo
propriedades antitumorais, explica Carolina. Segundo estudos do
Hospital Universitário de St. Radbound, Holanda, o d-limonemo age
aumentando a atividade de uma enzima desintoxicante de carcinógenos
do corpo, a glutationa S-transferase (GST). Aumentando os níveis
de atividade dessa enzima, aumenta também a sua eficiência
em desintoxicar o corpo de substâncias causadoras de câncer.
Estudos da Universidade de Purdue nos EUA com ratos demonstraram que a
quimioterapia com o uso de monoterpenos como o d-limoneno resulta numa
rediferenciação dos tumores malignos em um fenótipo
mais benigno. Monoterpenos são agentes anti-tumor efetivos, não
tóxicos para ingestão e que agem através de uma série
de mecanismos de ação vindo, portanto, a fazer parte de
um amplo número de remédios naturais para o tratamento do
câncer. Estudos do Departamento de Oncologia da Universidade de
Wisconsin-Madison nos EUA demonstrou que o d-limoneno apresentou uma ação
preventiva na indução do câncer mamário tanto
nos estágios de formação quanto de progressão
da doença. Eles observaram que este monoterpeno também causou
a completa regressão da maioria dos cânceres mamários
em ratos quando ingerido e que agiu especialmente na rediferenciação
dos tumores de malignos para benignos.
As principais
vitaminas para a prevenção do câncer são as
antioxidantes (vitaminas C, E, A e ácido fólico, veja abaixo
da tabela). Além destes, destaca-se o selênio, que funciona
conjuntamente com a vitamina E, para proteger as células contra
lesões oxidativas (pacientes com câncer têm níveis
plasmáticos diminuídos de selênio). Importantes fontes
preventivas são ainda os alimentos fitoquímicos (veja tabela
abaixo), que beneficiam o sistema fisiológico e a terapia.
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Alimentos
Fitoquímicos
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| Família |
Maiores
fontes de alimento |
| Sulfeto
de alilo |
Cebola,
alho, alho-poró, cebolinha |
| Indol |
Vegetais
crucíferos (brócolis, couve, couve-flor e repolho) |
| Isoflavinas |
Produtos
de soja (tofu, leite de soja) |
| Ácido
Fenólico |
Tomates,
frutas cítricas, cenouras, grãos integrais, castanhas |
| Polifenóis |
Chá-verde,
uvas, vinho tinto |
| Saponinas |
Feijão
e legumes |
| Terpenos |
Cerejas
e casca de frutas cítricas |
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Fontes
de ácido fólico: feijões, vegetais e folhas verdes
frescos, especialmente espinafre, brócolis e aspargos. O germe
de trigo, trigo integral, levedura de cerveja e feijões secos são
também boas fontes.
Fontes de Vitamina C, A e E : frutas, legumes, leguminosas e verduras;
especialmente as frutas cítricas, tomate, cenoura, abóbora,
alho, soja, etc.
Fontes de fibras: grãos integrais (trigo, farelo, etc.), verduras
(principalmente as folhas), legumes e frutas.
Importante:
complexos vitamínicos não substituem as fontes alimentares
das vitaminas, e a ingestão de quantidades excessivas pode ser
prejudicial ao organismo.
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