(Texto:
Isabel Taranto)
As estatísticas
revelam: mais de 90% da população do Brasil teve ou terá
cefaléia (dor de cabeça) em algum dia de sua vida. Em cerca
de 50% dos casos a dor é freqüente. Os dois tipos de dor de
cabeça mais comuns, entre os quase 200 existentes, são a
cefaléia do tipo tensional e a enxaqueca. A primeira é uma
dor de final de tarde, que vem após um período de estresse
ou um longo dia. Também pode ser conseqüência de sobrecarga
emocional ou física e costuma passar com um analgésico.
Já
a enxaqueca é caracterizada por dor de cabeça geralmente
latejante, em um ou dois lados da cabeça, com náusea, podendo
ter vômitos, aversão à luz e ao barulho. Em geral,
o mal obriga a pessoa a permanecer em repouso interrompendo as atividades
naquele dia. Há ainda a chamada enxaqueca com aura, que apresenta
as mesmas características, com o acréscimo de que antes
ou durante a dor, os pacientes descrevem fenômenos visuais (estrelinhas
nas vista, bolas ou sensações de perda visual) ou sensoriais
(formigamentos pelo corpo em um ou ambos os lados), que duram entre 5
e 60 minutos, explica a neurologista Eliana Melhado, professora
da Faculdade de Medicina de Catanduva, interior de São Paulo.
Cérebro
sensível
Qual a causa
da enxaqueca? Tanto no homem como na mulher o que provoca a enxaqueca
é ter um cérebro instável e sensível. O enxaquecoso
herda dos seus pais distúrbios neurológicos que provocam
algumas alterações na química cerebral. Ou seja,
os neurotransmissores dos enxaquecosos não são normais.
Eles propiciam uma instabilidade no seu funcionamento, ensina o
neurologista José Geraldo Speciali, professor da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto.
Apesar de homens
e mulheres apresentarem a mesma causa para a doença, estudos comprovam
que de cada 100 mulheres, cerca de 16 sofrem de enxaqueca. Já entre
os homens, em cada 100, apenas quatro sofrem com o mal. Em mulheres enxaquecosas,
as oscilações hormonais normais que ocorrem durante o ciclo
menstrual provocam enxaqueca. O responsável pela chamada enxaqueca
menstrual é o hormônio estrógeno e não a progesterona.
|
Apesar
de homens e mulheres apresentarem a mesma causa para a doença,
estudos comprovam que de cada 100 mulheres, cerca de 16 sofrem de
enxaqueca. Já entre os homens, em cada 100, apenas quatro
sofrem com o mal.
|
Para algumas
mulheres, a saída é adotar pílulas anticoncepcionais
de uso contínuo. Justamente pelo fato de ser usada de maneira
ininterrupta, evita a queda do estrogênio e as crises de enxaqueca
menstrual, diz a médica Eliana Melhado.
Tratamento
Existem dois
tipos: Para combater crises agudas de enxaqueca temos um grande
arsenal terapêutico. Atualmente utiliza-se mais antiinflamatórios
e triptanos. Para evitar as crises, pacientes que nunca tomaram medicações
preventivas podem se beneficiar com as drogas mais convencionais como
os betabloqueadores, os antidepressivos. Drogas mais modernas no tratamento
constituem-se dos seguintes medicamentos: divalproato de sódio
e topiramato, este último muito bem tolerado pelas mulheres,
afirma a dra. Eliana. Além desses, o dr. José Geraldo Speciali
ainda destaca os bloqueadores com canais de cálcio, antidepressivos
tricíclicos, antiserotonínicos e neuromoduladores.
Alerta
O uso
abusivo de analgésicos bloqueia a produção de endorfinas
e outros neurotransmissores que são analgésicos naturais
fabricados pelo cérebro. E sem essas defesas naturais as crises
se tornam freqüentes, mais fortes e mais duradouras, avisa
o dr. Speciali. Na prática, isso significa que uma pessoa que tinha
dores de cabeça ocasionais corre o risco de passar a ter enxaqueca
crônica diária se abusar de analgésicos.
|