PORTAL NIPPOBRASIL ONLINE - 11 ANOS
-
Fale conosco: webmaster@nippo.com.br  
Central de atendimento: (11) 5575-0699  
(Horário de Atendimento das 9:00h às 18:00h de segunda a sexta)  
Quinta-feira, 09 de setembro de 2010 - 6h09
DESTAQUES:

  Busca
 
  NippoBrasil
   Edição Atual
   Editorial e Opinião
   Circuito
   Últimas Notícias
-
  Variedades
   Agenda
   Aula de Japonês
   Automóveis
   Artesanato
   Beleza
   Bichos
   Cultura-Tradicional
   Culinária
   Dekassegui
   Dinheiro
   Ensaio NB
   Entrevistas
   Especial
   Especial - Esportes
   Giro da Semana
   Haicai
   História do Japão
   História da Imigração
   Horóscopo
   Karaokê
   Lendas do Japão
   Mangá
   Personalidades
   Pesca
   Saúde
   TV NHK (Japão)
   Turismo-Brasil
   Turismo-Japão
-
  Esportes
   Especial - Esportes
   J.League 2010
   Copa do Mundo 2010
-
  Especiais
   Ikebana
   Bomba de Hiroshima
   Festival do Japão
-
  Autoajuda e Religião
   Budismo
     Milênio
   Roberto Shinyashiki
   Reflexão
-
  Empregos no JP
-
  Classificados
   Econômicos
   Empregos no Brasil
   Guia Profissionais
   Imóveis
   Oportunidades
   Ponto de Encontro
-
  Interatividade
   Fale com a Redação
-
  Correspondência
   Trabalhe conosco
   Anuncie no site
   O Jornal Nippo-Brasil
   Assine o NB
   Quem somos
Caderno Lendas do Japão

A história de um velho lenhador

(Crédito das imagens: Cláudio Seto)

Era uma vez, aconteceu um fato insólito em Miho (hoje província de Gifu). Havia um velho lenhador que morava junto com sua velha companheira, numa pequena casinha ao pé da montanha. Apesar de pobres, viviam agradecendo aos deuses da Natureza por ter lhes dado muita saúde e longa vida. Seu único lamento era o de não ter tido filhos na juventude. Agora, com a idade avançada, sentiam uma inexplicável solidão. Como se faltasse algo para preencher os últimos anos de suas vidas. Para consolar o irremediável, o casal mergulhava nas lembranças românticas e trazia à tona saudosos momentos dos tempos dourados da mocidade.

Certa ocasião, o velho lenhador saiu para catar galhos de árvores no mato e, levado por nostálgicas lembranças, resolveu percorrer as antigas trilhas do seu passado como jovem lenhador. À medida que caminhava, foi notando que a paisagem estava se tornando diferente do que conhecia, até que, em dado momento, já não sabia onde estava.

Cansado de andar, parou junto a uma fonte de águas cristalinas e resolveu matar a sua sede. Com as mãos em formato de concha, bebeu lentamente aquela água gostosa, que desceu banhando sua seca garganta. De repente, sentiu que sua canseira havia desaparecido e que seu corpo experimentava uma sensação de vigor há décadas perdida.

O lenhador olhou para sua imagem refletida na água e levou um susto. Sua farta barba branca havia desaparecido juntamente com as rugas. No lugar da pele flácida e enrugada, vibravam músculos cheios de energia. Um milagre! O velhinho havia recuperado toda a sua mocidade! Estava novamente com aspecto de quem tem 18 a 20 anos!

Feliz da vida, com um sorriso que só os descobridores da fonte da juventude possuem, o lenhador voltou para casa cantarolando.

Lá chegando, quase matou a velhinha de susto. Ela não acreditava no que via. Aquele moço lindo, por quem se apaixonara há cerca de 50 anos, estava sorridente em carne e osso a sua frente.

O “ex-velhinho” tratou de tranqüilizá-la contando toda sua milagrosa história. A velha botava as mãos na cabeça e dizia, eufórica: “Onde fica essa fonte? Dessa água eu beberei aos montes!”. O lenhador explicou o caminho detalhadamente e foi dormir. Queria descansar, pois a carga emocional havia sido demais para um dia só.

Antes mesmo de o sol raiar, a velhinha saiu em busca da juventude perdida. Ela chorava e ria ao mesmo tempo. Não conseguira dormir, pois estava ansiosa em saber que também se tornaria bela e formosa.

Ao despertar com o canto dos pássaros, o lenhador percebeu que sua mulher tinha saído em busca do rejuvenescimento nas límpidas águas da milagrosa fonte e ficou em casa preparando um gostoso almoço para comemorar uma nova lua-de-mel. Porém, o tempo foi passado, passando, passando, a comida esfriando, esfriando, esfriando, e nada de a velhinha voltar. Não agüentando mais a pressão da ansiedade, o velhinho remoçado correu para a floresta.

Gritou chamando a velhinha, porém somente o eco respondeu o seu apelo.

Horas depois, cansado de tanto procurar pela companheira, ele fez uma pausa. Desiludido na procura, o lenhador aproximou-se da fonte para descansar. Nisso, ouviu, em um arbusto, o choro de um bebê. No primeiro momento, pensou que se tratava de sua imaginação, mas, como o choro persistia, resolveu verificar.

Entre as folhagens que margeavam a fonte, havia uma criança abandonada. “Uma menina com poucos meses de vida. Quem teria feito uma coisa desalmada dessas?” Pensando isso, o lenhador pegou o bebê.

A menina era tão novinha, que ainda não sabia falar, mas havia um magnetismo em seus olhos que revelava uma experiência de longa data. Tomado de profunda emoção, o moço entendeu tudo:

– Essa não! É você, minha velhinha! Foste muito afoita à fonte e bebeste água demais. A sede da eterna juventude fez você beber com exagero, agora és uma recém-nascida!

O lenhador deu um suspiro e caminhou de volta para casa. O amor romântico que o casal tanto sonhara não seria mais possível. Com a menina nos braços enquanto caminhava, o rejuvenescido lenhador começou sentir um amor paterno. Compreendeu que era hora de cuidar e proteger, como pai, aquela que, por tanto tempo, foi sua companheira. Um presente da natureza: uma filha que nunca tivera a oportunidade de ter.


Claudio Seto foi ao Japão quando tinha nove anos para estudar no Templo Myoshinji, da seita Zen, em Quioto. Após três anos, prosseguiu seus estudos religiosos e de cultura japonesa em Kyushu, no monte Ehiko-san, no templo de mesmo nome, pertencente à seita Shugêndô. No período em que ficou no Japão, Seto mergulhou na história do Japão e aprendeu muitas artes como: haiku, tanka, shodô, kadô, kendô, ninjutsu, mangá, kyudô e bonsai. Ao voltar ao Brasil, com 17 anos, Seto trabalhou como argumentista e desenhista de história em quadrinhos em São Paulo, editor de revistas em Curitiba, chargista, ilustrador e editor.
 Arquivo - Lendas
O Monge Muso e o Jiki Niki
A fonte do saquê
O homem que casou com a raposa
A história de um velho lenhador
O poço das violetas
Sugaru, o homem que prendeu o trovão
A história de Ki no Ensuke
A batalha do general Yogodayu
O Roubo do Kannon Dourado - Parte Final
O Roubo do Kannon Dourado - Parte II
O Roubo do Kannon Dourado - Parte I
O amigo do Oni - Parte Final
O amigo do Oni - Parte I
O rapaz que casou com a Deusa dos Alimentos
Jirohei no Sakura no Ki - Parte Final
Jirohei no Sakura no Ki - Parte 1
Urihime e a Yamanbá
O espírito do salgueiro -
(Yanagi tamashi no Nyobo) – Parte I
O espírito do salgueiro -
(Yanagi tamashi no Nyobo) – Parte Final
A lenda de Genjoraku
Amazake, o doce saquê
Fuezuka no Kaidan - Parte 1
Fuezuka no Kaidan - Parte 2
Fuezuka no Kaidan - Parte Final
Abe-no-Seimei e a canforeira
Yorimasa e o monstro Nue
O saco de arroz encantado
Kin no ono (O machado de ouro)
Osho-san, Kozô to Kitsune - Final
Osho-san, Kozô to Kitsune - Parte 1
Shirafuji Guenta e o Kappa - Parte Final
Shirafuji Guenta e o Kappa - Parte 1
O Kappa e a estiagem - Final
O Kappa e a estiagem - Parte 1
De como o demônio vermelho chorou
A sacola furada - Final
A sacola furada - parte 1
Kanzakura, a Cerejeira Sagrada
A Princesa e o Dragão
Esterco de pedras
Medo de manju
Kannon, a deusa da Misericórdia
As origens de Maneki-Neko
Nezumi no yomeiri
Namazu
Ikiryô, o fantasma dos vivos
O cachorro de Michinaga
O cavalo dos sonhos e as sete berinjelas
A lenda do Nobre Cachorro
Hariko Inu, o cão-guardião
Binbogami
Binbogami e o preguiçoso
O deus da Pobreza
Uri sennin
A moça e o pinheiro
Takarabashi, a ponte do tesouro
O guardião do tesouro
O Buda de madeira
O Tengu Azul e o Tengu Vermelho
O cúmulo da cortesia
O desejo de visitar o Grande Santuário de Ise e morrer
Hachizuke, o deus Inari
Kin no kamikazari
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Final
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Parte I
O incêndio de furisode
Um lírio de 33 flores
Ôoka Tadasuke e o caso do cheiro roubado
Zashiki Warashi
A Tartaruga e a Garça
O Kozo e a Yamanbá (Final)
O Kozo e a Yamanbá (Parte 1)
  © Copyright 1992-2010 - Jornal NippoBrasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br