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(Texto
e Ilustração: Cláudio Seto)
Esta
é uma história tida como verdadeira, envolvendo um kappa
espécie de duende que supostamente habita os rios do Japão.
Teria acontecido ha muitos anos, na cidade de Saga, na aldeia de Kawashino.
Lá, viveu um samurai chamado Shirafuji Guenta, que pertencia a
uma conceituada e tradicional família local, sendo muito respeitado
pelo povo por ter fama de ser culto e corajoso. Guenta morava num grande
casa situada perto do rio que cortava a aldeia. O rio fazia uma curva
exatamente ao lado de sua casa e, naquele ponto, a água era profunda,
escura e insondável.
Certa
noite quente de verão, Guenta voltou de um passeio e disse ao empregado
que amarrasse seu cavalo na árvore que ficava na beira do rio.
Após um breve descanso, Guenta foi para o quintal para apreciar
a lua cheia. Qual não foi sua surpresa ao ver que, perto da árvore,
um kappa do tamanho de um menino de 6 a 7 anos arrastava o cavalo para
dentro do rio segurando uma das patas traseiras do animal. O cavalo silenciosamente
resistia, tentando segurar a raiz da árvore com as patas dianteiras.
Estranhamente, como em transe, o empregado ajudava o pequeno Kappa, despejando
água na cavidade existente na cabeça dele. Quanto mais o
empregado colocava a água, mais o duende ficava forte.
Embora
Guenta tivesse sido tomado por uma raiva repentina, teve a presença
de espírito para lembrar de uma planta que o Kappa detesta. Do
depósito, trouxe uma corda de fumo de cheiro forte, aproximou-se
silenciosamente e laçou o duende, arrastando-o para fora do rio.
Em seguida, amarrou o Kappa rapidamente antes que ele pudesse reagir.
Entretidos em arrastar o cavalo para o rio, nem o Kappa, nem o empregado
haviam percebido a ação de Guenta.
De
repente, o empregado despertou do transe e ajudou seu patrão a
pendurar o Kappa de cabeça para baixo num pinheiro do jardim. Como
a água derramou totalmente da cavidade de sua cabeça, o
Kappa perdeu seus poderes mágicos. Quanto mais se debatia, a corda
ficava mais apertada a sua volta, pois Guenta era um mestre na arte do
shibari (arte de amarrar prisioneiros de guerra). Chegou a um ponto que
a dor se tornou insuportável e o Kappa começou a gemer.
Genta sacou sua espada...
Continua...
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