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(Crédito
das imagens: Divulgação)
Durante
o reinado do imperador Shirakawa, entre os anos 1073 e 1086, existiu um
general chamado Yogodayu. Ele tinha construído um forte para abrigar
seu pequeno exército nos arredores de Yamato, localizado perto
da montanha de Kasagi.
Certa ocasião,
o forte foi atacado pelo exército do seu cunhado, que o detestava.
O inimigo estava determinado a acabar com Yogodayu e com toda sua tropa.
Massacrado pelo ataque surpresa, o general refugiou-se na montanha com
os 20 homens que restaram de seu exército.
Escondidos
numa caverna, passaram dois dias temendo sererem descobertos. No terceiro
dia, Yogodayu saiu cuidadosamente para se certificar se ainda estavam
sendo perseguidos. Quando percorria os olhos entre os arbustos à
procura de inimigos, viu uma abelha presa numa teia de aranha, debatendo-se
desesperadamente para ficar livre daquela situação. De alguma
maneira, o general identificou- se com a abelha, pois a situação
de ambos era um tanto parecida. Então, com um pequeno galho, libertou
a abelha de seu cativeiro e deixou-a voar em liberdade.
Vai,
abelha, e boa sorte. Não sei se terei a mesma sorte que você
disse o general, vendo a abelha desaparecer entre as árvores.
Nessa noite,
Yogodayu sonhou que um jovem guerreiro, trajado de armadura de cores predominantemente
preta e amarela, que apareceu diante dele e disse:
General,
vim lhe agradecer e retribuir por ter-me salvo a vida hoje de manhã.
Mas
quem é você, guerreiro? perguntou Yogodayu.
Sou
a abelha que você libertou da teia mortal daquela aranha traiçoeira.
Profundamente agradecido, desejo ajudálo a derrotar seu inimigo
e a recuperar seu forte.
É
um sonho impossível, só me restaram 20 homens. O que posso
fazer contra um grande exército?
Siga
fielmente a instrução que vou lhe passar e verá que
é mais simples do que possa imaginar.
Para
enfrentar meu inimigo, eu preciso de um batalhão de fortes guerreiros.
Que
tal contar com 10 milhões de abelhas da montanha de Yamato lutando
a seu favor? Para isso, você terá que construir uma casa
de madeira, no melhor local para enfrentar o exército de seu cunhado.
Depois, seu homens devem encontrar centenas cabaças secas, para
que nós, abelhas, possamos nos esconder nelas. Vocês devem
ficar morando na casa e deixar que o inimigo saiba que estão lá.
Com certeza virão atacar e, nesse momento, acabaremos com eles.
Yogodayu acordou
impressionado com seu sonho. Relatou aos seus subordinados o que tinha
sonhado e falou de sua disposição em pôr, de imediato,
o plano em ação. Os guerreiros de Yogodayu, deixando suas
armaduras na caverna, saíram sorrateiramente de dois em dois e
foram às aldeias vizinhas procurar ajuda e material para a construção
da casa.
Passados 30
dias, apenas oito guerreiros trazendo madeiras e ferramentas retornaram
à caverna, onde o general havia ficado no aguardo. Os demais debandaram,
julgando que o general Yogodayu havia enlouquecido.
Os oito guerreiros,
então, construíram uma casa no vale e conseguiram 2 mil
cabaças, que foram penduradas no teto da construção.
Logo, as abelhas foram chegando em quantidade incontável.
Um homem de
Yogodayu foi enviado ao forte para espalhar a notícia de que os
refugiados estavam escondidos numa casa no vale.
Dois dias depois,
o exército de seu cunhado atacou a casa de madeira. Cercaram completamente
o refúgio e derrubaram as portas e as janelas. Qual não
foi a surpresa serem recebidos por milhões de abelhas, que voaram
sobre o exército inimigo, picando-lhes os rostos e até cegando-
os com suas ferroadas.
O exército
inimigo fugiu em desesperada debandada. Calcula- se que, para cada guerreiro
inimigo fugitivo, houve 3 mil abelhas perseguidoras. Muitos levaram tantas
picadas, que acabaram ficando dementes. Outros morreram de febre com o
corpo todo inchado.
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Comentário
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Em
japonês, abelha é hachi, e oito também é hachi. No folclore japonês,
hachi (8) é o número da sorte.
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Assim, com
o inimigo completamente derrotado, Yogodayu retomou o forte. E, para comemorar
o evento, construiu um santuário na montanha de Kasagi. E ordenou
ao povo que todas as abelhas mortas durante o combate fossem coletadas
e enterradas no santuário. Anualmente, até o fim de sua
vida, Yogodayu foi ao santuário para reverenciar as abelhas e demonstrar
sua gratidão.
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