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Cláudio
Seto*
Na
era Genroku (1688 a 1704), estava no poder militar do Japão o shogun
Tokugawa Tsunayoshi. Certa ocasião, esse shogun deu de presente
uma estatueta de ouro de Kannon, a deusa da Misericórdia, a cada
uma das três famílias mais importantes da época. Essas
famílias, membros da clã Tokugawa, eram de senhores dos
feudos de Kii, Mitô e Owari.
Na
época, essas estatuetas foram consideradas o maior tesouro que
cada senhor feudal tinha em seu castelo, e colocadas sob vigia de soldados
para manter permanente segurança. O senhor do feudo de Kii, ordenou
guarda redobrada, deixando sempre um soldado guardião ao lado daquele
tesouro.
Audácia
Naqueles tempos,
existia no Japão um assaltante famoso chamado Yayegumo. Tornou-se
muito conhecido pelo povo com o apelido de Fuinkiri (violador de
brasões), por ser um assaltante de gosto refinado e nunca
roubar pobres - ele executava seu trabalho somente em castelos,
palácios e mansões.
Certa vez,
Fuinkiri burlou a segurança do feudo de Kii e penetrou no castelo
de Takegaki. Sem que ninguém notasse, ele roubou a estatueta de
Kannon dourado. Atrevidamente deixou um papel agradecendo pelo precioso
objeto de ouro que estava levando.
Irritado, o
senhor de Kii deu ao chefe de segurança, cujo nome era Mumashima
Iganosuke, uma severa reprimenda, perguntando que desculpa tinha para
dar diante o acontecido.
-Nenhuma -
respondeu o capitão. Eu dormi e Fuinkiri me colocou nessa situação
humilhante. Mostrei-me indigno de ocupar o cargo de confiança que
estou exercendo. Para mostrar meu pesar, só me resta praticar o
seppuku (suicídio de honra - harakiri) para merecer seu perdão,
meu amo.
Caça
ao gatuno
O senhor de
Kii, homem de sabedoria, disse que antes de ficar se ocupando com atos
de honras e perdões, seria mais útil se Iganosuke prendesse
o ladrão e recuperasse o artefato. O fiel servidor curvou a cabeça
até o solo e pediu permissão para deixar o cargo e partiu
atrás do assaltante.
Apesar de intensa
busca durante quatro meses, Iganosuke não havia conseguido nada.
Ele havia colocado olheiros em quase todo o Japão, mas somente
no quinto mês, um relatório chegou de Shikoku dizendo que
o povo havia visto uma pessoa parecida com Yayegumo na região.
Sem perder
tempo, Iganosuke fez uma longa viagem para o sul e chegou a Okayama. De
lá, embarcou num navio de travessia do Mar de Seto em direção
a Takamatsu, em Shikoku. Nessa travessia, encheu-se de esperança
quando dois olheiros relataram que não havia mais dúvidas:
o homem que estavam seguindo era realmente Yayegumo e podia estar no mesmo
barco, pois testemunhas já o viram fazendo aquela travessia algumas
vezes.
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