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(Texto e Ilustração:
Cláudio Seto)
Há
séculos, o imperador do Japão ficou muito doente porque
não conseguia dormir devido uma barulheira infernal que vinha todas
as noites do telhado do palácio. Eram grunhidos, gemidos e estranhos
sons produzidos por alguma criatura demoníaca. Os cortesões
encheram-se de coragem e resolveram ficar de plantão, à
espera da indesejável visitante da noite, na parte do palácio
chamado Ala Violeta da Estrela do Norte.
Assim
que a noite chegou, veio com ela uma nuvem escura da região leste
e pousou sobre o telhado do palácio. Os cortesões que estavam
de vigília saíram correndo de medo quando aquilo que veio
na densa nuvem se mostrou ser uma terrível criatura de garras afiadas
e olhar fulminante. Toda a noite, a cena se repetia: grunhidos gritos
e gemidos além da horrível barulheira no telhado. E, dia
a dia, o estado de saúde do imperador Konoe piorava. Era visível
que, se a situação perdurasse, a morte do imperador seria
inevitável.
Depois,
chegaram à conclusão de que a única pessoa valente
e capaz de enfrentar aquela criatura sobrenatural era o guerreiro e poeta
Minamoto-no-Yorimasa (11061180).
Solicitado,
Yorimasa foi ao palácio armado. Além da tradicional espada,
com arco e flechas e protegido pela armadura de guerra. Juntamente com
dois auxiliares, ele se escondeu nos arbustos do jardim palaciano e ficou
à espera da noite. Quando o sol se foi, seguiu-se uma longa e silenciosa
espera. Porém, na hora do boi, uma rajada de vento trouxe uma nuvem
negra que rolava como redemoinho, acompanhada por ribombar de trovões
e relâmpagos cortando o céu por todos os lados. A nuvem negra
que fazia evoluções acrobáticas envolveu o telhado
da ala onde ficava o aposento do imperador.
Apesar
da forte ventania, Yorimasa avistou, de seu esconderijo, dois olhos cintilantes
no meio da negra nuvem. Imediatamente, vergou seu arco mirando um ponto
entre os olhos e disparou uma flecha certeira.
Um
grito agonizante rasgou a noite. Logo, um baque surdo se fez ouvir quando
a estranha criatura caiu de cima do telhado e estatelou no chão.
Imediatamente, os ajudantes de Yorimasa correram com espadas em punhos
e deram golpes de misericórdia no monstro, que ainda gemia com
estranhos grunhidos.
Quando
a criatura silenciou sem vida, puderam notar que tinha o tamanho de um
cavalo, a cara de macaco, os pelos do corpo e a patas lembravam um tigre.
E o mais estranho: o rabo era uma serpente e tinha ainda asas de pássaro
nas costas, além de escamas de dragão em algumas partes
do corpo. A criatura foi reconhecida como sendo o monstro Nue, um ser
mitológico do extremo Oriente.
Depois
da morte do monstro Nue, a saúde do imperador melhorou de repente.
Satisfeito com a proeza do guerreiro, o imperador Konoe, agradecido, presenteou
Yorimasa com uma rica espada chamada Shishiwo, que significa O Rei
dos Leões. Em seguida, o imperador ordenou que a pele daquela
estranha criatura fosse curtida e passou a integrar o tesouro da Casa
Imperial.
Yorimasa
foi nomeado guardião pessoal de imperador e, freqüentando
a corte, casou-se com Ayame, a mais bela entre todas as aias do palácio.
Depois da façanha de acabar com o monstro Nue, o samurai tornou-se
legendária e muitas aventuras foram atribuídas a ele.
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