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(Texto
e Ilustração: Cláudio Seto)
Na
primeira parte desta lenda, foi contado que um kappa vivia num lago em
uma pequena aldeia japonesa. Travesso, ele criava problemas para todos
que por ali passavam. No verão daquele ano, porém, houve
uma grande estiagem. As plantações secaram e pouca água
restou. O povo da aldeia, desesperado pela falta de água, reuniu-se
para fazer orações à Divindade da Chuva. O Kappa,
então, tentando redimir-se de todas as suas maldades, foi até
a aldeia para orar também. Entretanto, o povo, desconfiado, colocou-o
de castigo na praça, onde todos pudessem vê-lo, e foram para
suas casas esperar a chuva...
O
Kappa foi deixado sozinho no palanque e os moradores retornaram para suas
casas, sem esperança de que a chuva viesse. Embora bastante ferido,
o Kappa começou a rezar, pedindo chuva na aldeia em troca de sua
vida.
Deus Trovão, por favor, envie chuva para salvar o povo desta aldeia.
Durante muito tempo, preguei peças e fiz travessuras com povo daqui.
Agora, estou muito arrependido e ofereço a minha vida em troca
de chuva na região.
O
Kappa ficou rezando dia e noite, sem comer ou beber, sua voz chorosa pedindo
chuva parecia mais um sussurro suplicante que vinha do fundo da alma.
Esse som era conhecido como kappa no amagoe. Os moradores ficaram emocionados
com a dedicação da criatura e, aos poucos, foram chegando
em torno do palanque e começaram a rezar acompanhando as orações
do Kappa.
O
que aconteceu em seguida foi um verdadeiro milagre. O Kappa parecia ter
sentido o cheiro da água; respirou profundamente e começou
a rezar, frenético. Sua voz combinava com o forte vento que começou
a soprar e uma densa nuvem carregada de chuva cobriu o céu da aldeia.
Milagre, está chovendo! Chuva! Chuva!
O
céu desabou sobre a aldeia em forma de água. Uma chuva torrencial.
Os moradores caíram de joelhos com os braços levantados
para receber as bênçãos do céu.
A oração do Kappa foi ouvida em Amanohara (Alta Planície
Celeste)! gritou um morador da aldeia.
Sim, vamos agradecer a essa criatura benfeitora! completou outro
aldeão.
Então,
todos correram para o palanque para agradecer ao Kappa. Porém,
encontraram-no sem vida. Silenciosamente, desceram seu corpo e fizeram
um culto em agradecimento. As lágrimas misturaram-se às
chuvas e seguiu-se o enterro, com a construção de um túmulo
à beira do lago.
Quando
a terra voltou a verdejar e a colheita chegou, o povo fez oferendas de
arroz e verduras no túmulo do Kappa. Contam que nunca faltou pepino,
coisa que aquela criatura tanto gostava, na região.
No
ano seguinte, o mago Shamon, retornando de sua peregrinação,
passou pela aldeia. Os aldeões contaram o ocorrido e pediram que
ele fizesse um culto em memória do duende Kappa. Quando estavam
reunidos todos os moradores da aldeia, o mago Shamon disse:
O Kappa deste lago queria ser gente e, pelo modo nobre como ele morreu,
acredito que, na próxima encarnação, ele vai nascer
em forma humana.
Assim,
o Kappa entrou para a história folclórica da região.
Hoje, a lagoa é um ponto turístico e os guias locais contam
como o Kappa salvou o povo da aldeia.
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