Fale conosco: webmaster@nippo.com.br  
Central de atendimento: (11) 5904-6444  ou 0800-109254(outros estados)  
    Horário de Brasília: Sexta-feira, 29 de agosto de 2008 - 19h31
Destaques: Curso de JaponêsCulináriaHoróscopoMangáInício    
  Busca
  Jornal Nippo-Brasil
-
  Variedades
-
  Esportes
-
  Reflexão
-
  Empregos no Japão
-
  Publicidade

  Classificados
-
  Interatividade
-
  Correspondência
-
  Assine o Jornal
Caderno Lendas do Japão

A Princesa e o Dragão

(Texto e Ilustração: Cláudio Seto)

Há muitos séculos, vivia, em uma pequena aldeira montanhosa, um velhinho e sua esposa. Certa ocasião, os dois foram a um santuário agradecer a Zenchi no Mikoto, o Deus da Graça Divina, pelo dom da longevidade da qual eles foram contemplados. Na volta, quando caminhavam para casa, viram no rio um cesto sendo levado pela correnteza. Curiosos, pegaram uma vara de pesca abandonada e puxaram o cesto para a margem do rio.

O casal levou um tremendo susto, porque no cesto havia uma criancinha sorridente. Como o casal não tinha filhos, interpretou que aquela graciosa menina era um presente do céu, já que durante as orações de agradecimento no santuário, haviam comentado que se tivessem filhos, a felicidade do casal estava completa.

Assim, levaram a criança para casa e a trataram com muito carinho. O tempo passou e a criança transformou-se numa linda moça. Ela era tão bonita que todos a chamavam de Hime (Princesa).

Na vizinhança, moravam dois irmãos que gostavam dela desde o tempo em que eram crianças. O irmão mais velho era esperto e muito ativo; o mais novo, amável e muito pacato.

Um dia, quando o senhor feudal visitou a aldeia durante o Festival da Colheita, vendo a moça dançar, gostou muito dela e a requisitou para morar no castelo como uma das suas concubinas.

Os aldeões ficaram satisfeitos, pois a sua ida para o castelo do senhor representava prosperidade futura da aldeia, pois ela poderia interceder junto ao senhor feudal para fazer melhorias. Porém, duas pessoas da aldeia não gostaram. Eram os irmãos que amavam a garota. Desgostoso de tudo, o mais velho foi até o penhasco e saltou para dentro do lago. Logo a seguir, o irmão mais novo. Nesse exato momento um dragão surgiu na superfície do lago e os aldeões pensaram que ele se transformara num dragão. Na verdade, o dragão era o pai dos irmãos, Ryuoo, o Rei dos Dragões.

Certo ano, na região, houve uma longa estiagem. O campo agrícola estava completamente seco e o grande lago, quase seco. Diante disso, o senhor feudal ordenou que os aldeões fizessem campos de arroz no lago semi-seco. Assim, os lavradores começaram a remover a terra do fundo do lago. Porém, nessa noite, todos os lavradores tiveram o mesmo sonho: a bela Hime apareceu a cada um deles e fez um pedido dizendo para preservar o lago como está.

Mas ninguém deu ouvido ao pedido e continuaram cavando a terra para o plantio, pois estavam desesperados. Se a seca continuasse, todos morreriam de fome.

O fundo do lago foi todo revirado pelos homens da aldeia. Então, Ryuoo ficou irritado e a água foi aumentando, aumentando, até causar uma inundação. As águas carregaram as mudas de arroz para superfície, levando-as para o campo tradicional e arrastando os corpos dos irmãos que estavam mortos no fundo do lago.

Hime vendo Ryuoo foi conversar com ele:

- Por favor, Rei dos Dragões, use seus poderes para trazer os dois irmãos à vida.

- Esses dois eram meus filhos, mas nada posso fazer, pois eles sacrificaram a vida por vontade própria. Somente outro sacrifício pode reverter essa situação.

- Eu amei os dois. Ajude-os em troca de meu sacrifício. Para dizer a verdade, trago em meu ventre um bebê do irmão mais velho, disse Hime chorando.

- Lembre-se, você, que é tão linda, se entrega sua vida em sacrifício, jamais poderá retornar à forma humana. Será para sempre um dragão feio.

Hime concordou em se transformar em dragão e viver para sempre no fundo do lago com seu amado que, após voltar à vida, preferiu a forma de dragão. O irmão mais novo adquiriu novamente forma humana e retornou à aldeia com o bebê de Hime e de seu mano.

Quinze anos depois, o bebê havia se transformado em uma linda garota. Por isso, como a mãe, todos da aldeia a chamavam de Hime (princesa).

Um dia olhando para o lago, seu tio disse:

- Fomos salvos por sua mãe 15 anos atrás. Ela era bonita como você. Aceitou ser transformada em dragão para salvar a minha vida e a de seu pai. Eu prometi que retornaria ao lago quando você completasse 15 anos. E hoje é o dia do meu retorno.

Dizendo isso, o irmão mais novo mergulhou no lago e nunca mais voltou.

Atualmente o lago é chamado de Lago Tazawa, cujo nome faz referência à plantação de arroz.

 
Comentário: O lago Tazawa está situado no parque nacional Towada Hachiman, na região leste da província de Akita, e é o lago mais profundo (423m) do Japão. No local, a lendária princesa, que passou a ser chamada Tatsuko Hime (Princesa Dragão), tem sua estátua dourada instalada como símbolo do lago.

Claudio Seto, 60 anos, foi ao Japão quando tinha nove anos para estudar no Templo Myoshinji, da seita Zen, em Quioto. Após três anos, prosseguiu seus estudos religiosos e de cultura japonesa em Kyushu, no monte Ehiko-san, no templo de mesmo nome, pertencente à seita Shugêndô. No período em que ficou no Japão, Seto mergulhou na história do Japão e aprendeu muitas artes como: haiku, tanka, shodô, kadô, kendô, ninjutsu, mangá, kyudô e bonsai. Ao voltar ao Brasil, com 17 anos, Seto trabalhou como argumentista e desenhista de história em quadrinhos em São Paulo, editor de revistas em Curitiba, chargista, ilustrador e editor. Atualmente trabalha também nos jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná. É editor do Jornal Garça da Sorte e da revista Planeta Zen.
 Arquivo - Lendas
Osho-san, Kozô to Kitsune - Parte 1
Shirafuji Guenta e o Kappa - Parte Final
Shirafuji Guenta e o Kappa - Parte 1
O Kappa e a estiagem - Final
O Kappa e a estiagem - Parte 1
De como o demônio vermelho chorou
A sacola furada - Final
A sacola furada - parte 1
Kanzakura, a Cerejeira Sagrada
A Princesa e o Dragão
Esterco de pedras
Medo de manju
Kannon, a deusa da Misericórdia
As origens de Maneki-Neko
Nezumi no yomeiri
Namazu
Ikiryô, o fantasma dos vivos
O cachorro de Michinaga
O cavalo dos sonhos e as sete berinjelas
A lenda do Nobre Cachorro
Hariko Inu, o cão-guardião
Binbogami
Binbogami e o preguiçoso
O deus da Pobreza
Uri sennin
A moça e o pinheiro
Takarabashi, a ponte do tesouro
O guardião do tesouro
O Buda de madeira
O Tengu Azul e o Tengu Vermelho
O cúmulo da cortesia
O desejo de visitar o Grande Santuário de Ise e morrer
Hachizuke, o deus Inari
Kin no kamikazari
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Final
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Parte I
O incêndio de furisode
Um lírio de 33 flores
Ôoka Tadasuke e o caso do cheiro roubado
Zashiki Warashi
A Tartaruga e a Garça
O Kozo e a Yamanbá (Final)
O Kozo e a Yamanbá (Parte 1)
A história de Shiro – Final
A história de Shiro – Parte 1
A bela mulher do desenho - Final
A bela mulher do desenho - Parte 1
O rei das trutas Iwana
O gato assombrado de Nabeshima
Tanokyu e a serpente gigante
Anchin e Kiyohime
O legendário Hidesato
A princesa Peônia - Final
A princesa Peônia - Parte 1
A tennin e o pescador
Kitsune Tokoya
A Gata Encantada
Kinuhime, a deusa da seda
Os ratos sumotoris
A origem da estrela-do-mar
Guengoro e o tambor encantado
Toguênkyo - Final
Toguênkyo - Parte 1
Warashibe Choja - Final
Warashibe Choja - Parte 1
O nome da gata
O Perfeito Macaco-Rei
O Macaco e a Água-viva - Final
O Macaco e a Água-viva - Parte 1
  © Copyright 1992-2008 - Jornal Nippiasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br