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Caderno Lendas do Japão

Takarabashi, a ponte do tesouro

(Texto e desenhos: Claudio Seto)

Esta é uma história muito antiga. Do tempo em que os fogões eram à base de carvão. Havia então um jovem carvoeiro chamado Choji, que vivia numa casinha no meio da montanha. Muito trabalhador, ele catava lenha diariamente e preparava carvão para vender na cidade.

Certa noite, o carvoeiro teve um sonho bem diferente e muito bonito. Em seu sonho, ele andava por um caminho cheio de névoa, dentro de uma paisagem onírica, quando um homem de barba branca e cabelos compridos surgiu montado em um belo cavalo branco de asas enormes em sua frente e disse categoricamente:

– Choji, vá à cidade, e procure Takarabashi, a ponte do tesouro, e você se tornará uma pessoa afortunada.

Na manhã seguinte, lembrando do sonho que lhe pareceu tão real ao mesmo tempo fantasioso, Choji ficou pensando que aquele senhor que falou com ele em sonho só podia ser Zenchi-no-Mikoto, o “Deus das Graças Divinas”, e resolveu ir até o referido local.

Como tinha algumas entregas para fazer, colocou dois sacos de carvão nas costas e desceu a montanha em direção à cidade.
Depois de entregar os sacos de carvão para o comerciante que lhe havia encomendado, Choji foi até a ponte do tesouro e ficou ali parado, esperando, mesmo sem saber o que ia acontecer.

– Que tipo de fortuna virá ao meu encontro neste local? – pensou com seus botões.
Assim, o jovem carvoeiro ficou de plantão no meio da ponte, durante horas e horas, mas nada aconteceu. Exausto de tanto esperar, acabou sentando no assoalho da ponte e, ao anoitecer, pegou no sono ali mesmo.
No segundo dia, o sol estava muito forte, mas ele agüentou firme, com medo de não estar ali caso algo de bom viesse acontecer. Porém, o dia passou, a noite chegou e nada aconteceu.

No terceiro e no quarto dias, igualmente esperou dia e noite, mas nada aconteceu.
Na noite do quinto dia, o dono da loja de tofu (queijo de soja) que ficava quase em frente à ponte, despertado pela curiosidade, veio até perto de onde estava Choji e perguntou:

– Tenho observado você e já faz cinco dias que está aqui no meio da ponte. O que está esperando afinal?
– Eu tive um sonho em que Zenchi-no-Mikoto, o “Deus da Graça Divina”, me disse para vir a essa ponte – respondeu Choji.

O tofuyá (fabricante de tofu), ouvindo o rapaz , deu uma gostosa gargalhada e disse:
– Isso é uma coisa absurda! Eu não acredito em sonho. Sonho não tem nexo. Eu também sonhei que o deus Zenchi-no-Mikoto, com sua enorme barba branca, cavalgando um belo cavalo branco, aparecia de repente e dizia: “Na montanha, vive um homem chamado Choji. Vá até lá e cave a terra ao pé do pinheiro que fica ao lado da casa dele. Você ficará muito feliz com o que vai encontrar”. Por isso que não acredito em sonho, eu não conheço ninguém chamado Choji, muito menos alguém que mora na montanha.

Ao ouvir o seu nome, o carvoeiro ficou muito surpreso. Porém, como estava muito cansado, não deixou transparecer o susto. Em seguida, voltou para casa, cavou perto do pinheiro ao lado da casa e encontrou uma arca cheia de tesouros.
A partir dessa data, passou a ser chamado de Choja (milionário) e não mais de Choji, como de costume.

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