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(Texto
e desenhos: Claudio Seto)
No
templo Byodo-in, onde havia famosos monges guerreiros, o guardião
do tesouro budista morreu numa luta com o famoso espadachim Miyamoto
Musashi. O mestre superior convocou, então, todos os monges lanceiros
para escolher quem ocuparia o honroso cargo.
Será
o guardião do tesouro budista aquele, dentre vós, que conseguir
solucionar o problema que eu vou apresentar disse o mestre aos
discípulos que estavam concentrados no grande salão.
Ato seguinte,
o mestre colocou uma mesinha e, sobre ela, fez um lindo arranjo floral.
Eis
o problema! Resolvam!
Todos ficaram
olhando a bela ikebana sem entender o que o mestre quis expressar com
aquele arranjo, simples, porém de extrema beleza. Então,
começou um zunzum de pessoas pensando alto:
O que
significa?
Qual
é o mistério?
Por
que um vaso achatado e uma flor esguia? Seria in (yin) e yô (yang)?
O que
a ikebana está representando?
De repente,
um dos discípulos levantou-se empunhando uma lança, foi
até o centro do salão e, num gesto rápido, decepou
a flor e destruiu o vaso. Depois, voltou ao seu lugar e sentou-se.
Você
é o novo guardião do tesouro budista disse o mestre.
Não importa que o problema seja algo de extrema beleza. Se for
um problema, precisa ser eliminado.
Nunca é
demais lembrar um pensamento japonês que diz: Não é
possível beber saquê numa xícara cheia de chá;
é necessário esvaziar primeiro a xícara, para então
enchê-la de saquê.
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