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(Texto
e desenhos: Claudio Seto)
Há
muitos e muitos anos, existiu um homem muito rico, que vivia lustrando
uma estatueta de Buda fundida em ouro. Sentia-se orgulhoso mostrando a
todo mundo aquela preciosidade que lhe pertencia.
Num
quartinho no fundo do quintal de sua mansão, vivia um jovem empregado,
cujo trabalho diário consistia em preparar banho quente de imersão
(ofurô) para todos que lá viviam.
Um
dia, quando o jovem foi à montanha cortar lenha, encontrou um toco
de árvore retorcido, cuja forma lembrava uma estatueta de Buda.
O rapaz levou-o para seu quarto e, com uma faca conseguiu um belo trabalho,
fazendo acabamento na madeira. Então, colocou-o sobre um móvel
e, diariamente, rezava para o Buda de madeira. Uma oração
simples, mas com toda a dedicação, pois assim ele se sentia
protegido.
Certo
dia, um dos criados que queria agradar ao patrão sugeriu que fosse
realizada uma luta de sumô entre o Buda de ouro e o Buda de madeira.
Patrão, seu Buda de ouro é magnífico. Com certeza
vai vencer a luta de sumô.
Sem dúvida nenhuma.
Assim, mandou chamar o jovem e fez a seguinte proposta: Se o seu Buda
de madeira vencer a luta, dou toda a minha fortuna a você. E todos
os dias vou preparar o ofurô para todos da mansão. Esta é
uma proposta irrecusável.
O jovem voltou ao seu quartinho e contou ao Buda de madeira a proposta
que havia recebido. Mas se sentia desconfortável ao tratar seu
Buda como se fosse um objeto de apostas.
Porém,
o Buda de madeira disse:
Por mim está bem assim, não se preocupe. Vamos nessa.
O jovem levou um susto, pois era a primeira vez que ouvia seu Buda falar.
Depois, recuperado do susto, levou seu Buda para a disputa. Todos, exceto
o jovem, achavam que o Buda de ouro ganharia a luta.
A
luta consistia em colocar os dois Buda sobre um tablado redondo, imitando
a arena de sumô. Os dois jogadores batiam com os punhos de leve,
porém repetidamente no suporte, fazendo vibrar a arena. Um Buda
empurraria o outro movido pela vibração. Aquele que caísse
ou saísse da arena perdia a luta. Teoricamente, o Buda de ouro
venceria a partida, pois ouro é muito mais pesado que madeira,
portanto, mais difícil de ser derrubado, ou de ser empurrado para
fora por causa da vibração.
Todos
queriam apostar na vitória do Buda de ouro. Entretanto, quando
começou o embate, o Buda de madeira foi empurrando o Buda de ouro
até a borda da arena. Para surpresa de todos, o Buda de ouro foi
posto para fora da arena.
Desesperado, o homem rico perguntou ao seu Buda:
Por sua causa tornei-me um homem pobre. Por que foste cair?
Não queira me culpar, porque o culpado é você.
Faltou devoção de sua parte, por isso eu não tenho
força. Como você queria apenas me exibir para todo o mundo
por eu ser de ouro, você vivia me lustrando ao invés de rezar.
Eu estava tão liso de lustro, que o Buda de madeira me deu apenas
um empurrão e eu escorreguei para fora da arena.
Nesse
momento, o homem reconheceu seu erro e prometeu que mudaria seu modo de
ser.
O
jovem ficou muito feliz com a vitória. Recebeu a fortuna prometida
e viveu feliz para sempre, pois era muito generoso e distribuía
comida diariamente para os pobres da região.
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