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(Texto
e desenhos: Claudio Seto)
Há
muitos e muitos anos, havia um castelo de nome Obana no feudo de Wakasa,
onde hoje é a província de Fukui. Naquela época,
o senhor do castelo era obrigado a passar meio ano em Edo, então
capital do Japão, por determinação do xogum Tokugawa.
Assim,
quando o feudatário estava ausente, os vassalos cuidavam do castelo,
porém não tomavam nenhuma decisão importante sem
a ordem do senhor. Essa ordem chegava via postal, trazida por um carteiro
da capital. Nessa época, demorava em média 15 a 16 dias
para um carteiro ir correndo de Edo a Wakasa.
Quando
os conselheiros discutiam uma maneira de encurtar o tempo, Hachizuke pediu
uma audiência e disse:
Posso entregar as mensagens ao senhor em cinco ou seis dias. Encarreguem-me
dessa missão e não se arrependerão.
Os conselheiros não acreditaram muito na história, mas,
como não tinham outra alternativa, resolveram arriscar, enviando
uma mensagem a Edo.
Hachizuke saiu correndo, cortando campos, montanhas e rios sem passar
pelas tortuosas estradas e evitando povoados e multidões das cidades
que ficavam na rota tradicional. Conseguiu avançar cem milhas por
dia, e os conselheiros ficaram muito felizes com seu trabalho.
Certa
ocasião, um dos conselheiros disse a Hachizuke:
Você é uma grande ajuda para nosso castelo. Fico preocupado
que algo de mal possa acontecer a você e atrapalhar seu trabalho.
Bem, eu não gosto de cães. Fico receoso, imaginando
que um cachorro que está amarrado numa estalagem em Odawara possa
se soltar e barrar meu caminho. Credo, como são repugnantes os
cachorros!
Nossa! Você tem mesmo medo de cão. Que coisa estranha
observou o conselheiro.
O
tempo foi passando e Hachizuke prestou relevantes serviços ao Castelo
de Obana. Certo dia, quando ele partiu para mais uma missão de
Wakasa a Edo, percorreu como o vôo de um pássaro campos e
montanhas. Quando chegou na estalagem em Odawara, um fato inesperado aconteceu.
O cão soltou-se das amarras e avançou latindo para Hachizuke.
O rapaz pensou em correr para a estrada, mas era tarde, estava cercado.
Então, o carteiro entrou num buraco sob o assoalho da estalagem,
na tentativa de se esconder do cão. Mas o cachorro também
entrou embaixo do assoalho, em seu encalço. Foi uma barulheira
danada naquele local.
Quando
o silêncio voltou a reinar sob o assoalho, o cachorro saiu debaixo
dele com uma raposa branca na boca. O dono da estalagem encontrou uma
caixa amarrada no pescoço da raposa. Ao abri-la, constatou que
era uma importante carta para o senhor que estava em Edo. Então,
o homem levou a carta para o magistrado.
Assim,
o mistério da rapidez do carteiro do Castelo de Obana estava desvendado.
Hachizuke era, na verdade, uma raposa branca encantada. Por isso era atravessava
campos e montanhas com incrível rapidez.
Que exemplo digno a ser seguido! Trabalhou duramente para servir o senhor
de Obana disse o magistrado, com admiração.
Hoje, existe um santuário dedicado ao deus Inari Hachizuke, onde
outrora existiu o Castelo de Obana.
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