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(Texto
e desenhos: Claudio Seto)
Na
primeira parte desta lenda, foi retratada a rivalidade entre os Heike
e os Genji, que lutaram entre si pelo poder do Japão durante vários
anos. Quando os Genji, comandados por Minamoto-no-Yoritomo (auxiliado
por seu habilidoso meio-irmão Minamoto-no-Yoshitsune), chegaram
ao poder, boatos começaram a colocar um irmão contra o outro.
Preocupado com um golpe, Yoritomo decidiu matar seu irmão e enviou
seu exército para cumprir a missão. Yoshitsune, no entanto,
querendo evitar o confronto com o irmão, decidiu fugir em companhia
de seus fiéis guerreiros. Sua namorada, Shizuka, entretanto, foi
obrigada a ficar para trás, em companhia de Sato Tadanobu, outro
leal seguidor de Yoshitsune.
Com
a investida do capitão Hayami-no-Tota, a bela Shizuka Zenshi compreendeu
quanto sua presença seria perigosa na fuga de Yoshitsune. Assim,
resignada, tomou o caminho de Quioto em companhia de seu guarda-costas,
Tadanobu.
Pouco
depois da primeira caminhada, encontraram um camponês que os alertou
do perigo em continuarem na direção da capital. O exército
de Yoritomo havia colocado postos de guarda nas divisas de cada cidade
e várias tropas vinham naquela direção, vasculhando
tudo.
Shizuka
então resolveu que deveriam ir atrás de Yoshitsune, e ambos
retornaram, seguindo na direção para onde fora o irmão
de Yoritomo. O Monte Yoshino estava ainda coberto de neve, mas as mil
cerejeiras já estavam todas floridas.
Shizuka
ficou deslumbrada ao ver que o Monte Yoshino estava totalmente cor-de-rosa.
Coberta de cerejeiras em flor, a floresta era um espetáculo da
natureza de indescritível beleza. Então, ela resolveu descansar
sob uma árvore, enquanto apreciava as flores.
De
repente, ela percebeu que Sato Tadanobu havia desaparecido. Olhou para
todos os lados e não havia ninguém perto dela. Vendo as
pétalas das cerejeiras caindo levemente como plumas ao vento, Shizuka
colocou o tamboril no ombro e resolveu tocar o instrumento enquanto cantava
uma canção de amor e ensaiava passos de dança.
Quando
ela produziu sons no couro do tamboril, repentinamente o guerreiro Sato
Tadanobu surgiu ao lado dela. Shizuka levou um susto, mas conteve a emoção
e continuou com sua música. Sem resistir à melodia, Tadanobu
fez contradança com Shizuka.
Ela
ficou admirada com a habilidade que Tadanobu tinha para dançar,
pois era quase inacreditável que um homem forte, robusto e grande
como ele pudesse dançar com gestos delicados de tamanha leveza.
Shizuka
começou a desconfiar que aquele não era o guerreiro Tadanobu,
mas, antes que pudesse interrogá-lo, ele havia desaparecido novamente.
Solitária na bela paisagem florida do Monte Yoshino, a dançarina
Shizuka compunha verbalmente poesias para seu amado. Quando tocava o tamboril
para fazer acompanhamento, Tadanobu surgia repentinamente ao seu lado.
Havia um mistério no ar.
Na
verdade, aquele não era o verdadeiro Sato Tadanobu, e sim uma raposa
branca encantada que se fazia passar pelo guerreiro. Pelo fato de ser
uma raposa branca, quando não estava transformada na figura de
Tadanobu, era confundida com a neve que cobria o chão do Monte
Yoshino.
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