Fale conosco: webmaster@nippo.com.br  
Central de atendimento: (11) 5904-6444  ou 0800-109254(outros estados)  
    Horário de Brasília: Sexta-feira, 29 de agosto de 2008 - 19h59
Destaques: Curso de JaponêsCulináriaHoróscopoMangáInício    
  Busca
  Jornal Nippo-Brasil
-
  Variedades
-
  Esportes
-
  Reflexão
-
  Empregos no Japão
-
  Publicidade

  Classificados
-
  Interatividade
-
  Correspondência
-
  Assine o Jornal
Caderno Lendas do Japão

O Kozo e a Yamanbá (Parte 1)

(Texto e desenhos: Claudio Seto)

Há muito, muito tempo, havia no Japão um templo aos pés de uma montanha. Nesse templo, moravam um monge e um kozo (menino aprendiz de monge). Certa ocasião, o monge disse ao seu auxiliar que fosse à floresta para apanhar flores, pois o dia seguinte seria o Shunbun no Hi (Dia do Equinócio da Primavera) e era preciso deixar o altar muito bonito, pois os fiéis viriam rezar. Muitas oferendas seriam trazidas por eles, principalmente ohagi, que é uma pelota de arroz branco coberta com pasta de feijão azuki, pois os espíritos dos antepassados das famílias japonesas juntam-se em volta das oferendas alimentícias.
– Sim, senhor – disse Kozo, enquanto se preparava para sair em busca das flores.
– Vou lhe dar três omamori (talismã protetor) especiais, pois existem na floresta monstros ferozes, como a Yamanbá (bruxa) e o Tengu (gênio da montanha). Se qualquer coisa perigosa acontecer, atire o talismã no chão e peça um encanto dizendo uma palavra que você deseja para o momento. Se você quiser um oceano, diga exatamente: “venha oceano” e haverá um oceano.
– Sim – disse o menino.
Pegando os talismãs encantados, ele saiu do templo. Na montanha, as flores da primavera surgiam por toda a parte. Eram flores grandes e vermelhas que chamavam muito a atenção. Kozo examinou-as seletivamente, procurando saber qual delas colher, pois todas eram lindas. Como estava difícil dizer qual era a mais bonita, tentou fazer uma escolha por tamanho. Procurou pela maior delas, mas que também fosse bonita. O menino finalmente chegou a uma moita de flores onde todas eram grandes, acima até de sua altura.
– Vou ficar com esta – pensou Kozo – Não, aquela é maior ainda! Oh! A outra lá atrás é maior e mais bonita! – assim, o menino foi se embrenhando na floresta, completamente embriagado pela beleza das flores. Quando se deu conta da situação, a noite já vinha chegando.
– Oh! Está escurecendo, preciso voltar correndo, senão não vou enxergar o caminho.
Kozo deu meia volta e começou a andar com pressa, mas logo percebeu que não havia passado por ali quando veio. Tentou ir para um lado e para outro, mas entendeu que já não conseguia saber o rumo do templo. Começou a ficar apavorado, caminhando sem direção e apressadamente. Nessa altura dos acontecimentos, o sol já havia desaparecido e a floresta era completa escuridão.
O menino pensou em gritar pedindo socorro, mas lembrou-se que seus gritos podiam atrair as feras e resolveu que andaria até encontrar algum lugar conhecido. Depois de caminhar um bocado, viu uma luz brilhar entre as árvores no alto da montanha.
– Que bom, deve ter alguém morando lá! – disse, aliviado, o menino e resolveu ir pedir ajuda. Foi em direção à luz até que pôde distinguir uma janela de cabana. Era de onde vinha a claridade. Kozo agradeceu ao Buda em pensamento e aproximou-se do casebre.
– Boa noite. Sou o Kozo. Perdi o caminho de volta ao templo e peço que me deixe passar a noite aqui.
Uma estranha voz se fez ouvir e a porta foi aberta. Era uma velha Yamanbá de aspecto horroroso quem atendeu a porta. Assim que viu o menino, a Yamanbá esfregou as mãos uma na outra e disse:
– Oh! Um belo menino entre, entre. Então está perdido nesta densa floresta? É um terrível problema.
Kozo sabia que estava encrencado, mas não havia nada a fazer, senão tentar ser agradável com a Yamanbá e não despertar sua fúria.
Dentro da casa, ele tomou uma sopa do caldeirão da Yamanbá e pensou:
– Vou dar no pé quando ela dormir.
Porém, na hora de dormir, a velha Yamanbá deitou-se ao lado de Kozo, aparentemente para vigiá-lo. Então, o garoto fingiu que estava dormindo, roncando bem alto durante alguns minutos. Depois, tentou ver os olhos da Yamanbá, que lhe pareceram fechados. Para certificar-se, disse baixinho:
– Yamanbá-san, Yamanbá-san...
– O que é? – perguntou a bruxa com voz repreensiva.
– Eu preciso ir a casinha. Acho que sua sopa de ervas foi muito forte para mim – disse Kozo, para justificar o fato de tê-la chamado.
Alegando que era para não se perder na escuridão, a Yamanbá amarrou uma corda na cintura de Kozo e indicou a direção da casinha, que ficava fora da casa, e ficou deitada segurando a outra extremidade da corda.
Chegando na casinha, imediatamente Kozo desatou o nó e amarrou a corda numa viga. Em seguida, curvou-se e suplicou com todo o fervor:
– Senhor deus da casinha! Senhor deus da casinha! Por favor, eu lhe peço, se a Yamanbá me chamar, diga apenas: “um minuto que já vou...” (bost! bost!) Eu imploro, por favor...
Assim, Kozo saiu de fininho, engatinhando apressadamente entre os arbustos.

Continua...

 Arquivo - Lendas
Osho-san, Kozô to Kitsune - Parte 1
Shirafuji Guenta e o Kappa - Parte Final
Shirafuji Guenta e o Kappa - Parte 1
O Kappa e a estiagem - Final
O Kappa e a estiagem - Parte 1
De como o demônio vermelho chorou
A sacola furada - Final
A sacola furada - parte 1
Kanzakura, a Cerejeira Sagrada
A Princesa e o Dragão
Esterco de pedras
Medo de manju
Kannon, a deusa da Misericórdia
As origens de Maneki-Neko
Nezumi no yomeiri
Namazu
Ikiryô, o fantasma dos vivos
O cachorro de Michinaga
O cavalo dos sonhos e as sete berinjelas
A lenda do Nobre Cachorro
Hariko Inu, o cão-guardião
Binbogami
Binbogami e o preguiçoso
O deus da Pobreza
Uri sennin
A moça e o pinheiro
Takarabashi, a ponte do tesouro
O guardião do tesouro
O Buda de madeira
O Tengu Azul e o Tengu Vermelho
O cúmulo da cortesia
O desejo de visitar o Grande Santuário de Ise e morrer
Hachizuke, o deus Inari
Kin no kamikazari
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Final
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Parte I
O incêndio de furisode
Um lírio de 33 flores
Ôoka Tadasuke e o caso do cheiro roubado
Zashiki Warashi
A Tartaruga e a Garça
O Kozo e a Yamanbá (Final)
O Kozo e a Yamanbá (Parte 1)
A história de Shiro – Final
A história de Shiro – Parte 1
A bela mulher do desenho - Final
A bela mulher do desenho - Parte 1
O rei das trutas Iwana
O gato assombrado de Nabeshima
Tanokyu e a serpente gigante
Anchin e Kiyohime
O legendário Hidesato
A princesa Peônia - Final
A princesa Peônia - Parte 1
A tennin e o pescador
Kitsune Tokoya
A Gata Encantada
Kinuhime, a deusa da seda
Os ratos sumotoris
A origem da estrela-do-mar
Guengoro e o tambor encantado
Toguênkyo - Final
Toguênkyo - Parte 1
Warashibe Choja - Final
Warashibe Choja - Parte 1
O nome da gata
O Perfeito Macaco-Rei
O Macaco e a Água-viva - Final
O Macaco e a Água-viva - Parte 1
  © Copyright 1992-2008 - Jornal Nippiasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br