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Texto
e desenhos: Claudio Seto
Há muito,
muito tempo, existia um lavrador que, por mais honesto e trabalhador que
fosse, sempre vivia na pobreza. Já estava na casa dos 40 anos e
ainda não havia conseguido uma esposa.
Numa noite
chuvosa, ouviu um miado na porta de sua casa.
Deve
ser algum gato que perdeu o caminho de casa devido à forte chuva
pensou o homem.
Ao abrir a
porta, deparou-se com uma gata molhada e logo conheceu a bichana. Pertencia
à família mais rica da aldeia.
O homem apanhou
a gata e enxugou seus pêlos molhados com uma toalha. Em seguida,
deu-lhe uma tigela de arroz.
Sou
pobre, não tenho comidas gostosas como as da casa em que você
mora, porém, não posso deixá-la passando fome.
Cuidou da gata
da melhor maneira possível e tratou de arrumar um cantinho quente
para a bichana dormir. Como o homem não tinha com quem conversar,
disse à gata, brincando:
Se você
moesse as sementes de trigo enquanto eu cuido da lavoura, eu seria um
homem feliz, pois adiantaria bastante o meu serviço.
No dia seguinte,
quando retornou do trabalho, logo percebeu que a gata não tinha
ido embora. Viu, com grande surpresa, que ela havia moído as sementes
de trigo e produzido farinha usando pilão e almofariz.
Oh,
meu Deus! Que gata maravilhosa! Você moeu o trigo e fez farinha!
Como sou feliz em ter uma gata tão agradável como você!
O homem preparou
bolinhos de chuva e comeu junto com a gata.
Que
coisa engraçada, parece que você entende o que digo, só
falta falar.
Três
dias depois, a gata falou, de repente, umas palavras:
Caro
mestre, eu fui chutada pelos meus donos anteriores, porque não
tinha nenhuma serventia para eles. Eles são ricos e têm bastante
serviçais, nada restando para eu fazer. Aqui, encontrei a felicidade
de poder servir meu novo amo. Porém, como gata, meu trabalho pode
ser limitado, por isso, gostaria de ir ao Santuário de Ise para
rogar por minha transformação em ser humano.
O rapaz não
acreditou muito que isso fosse possível, porém, amarrou
um amuleto em torno do pescoço da gata e disse:
Isso
é para eu reconhecê-la quando virar humana.
Dias depois,
uma linda mulher apareceu na casa do rapaz.
Não
está me conhecendo? perguntou a bela donzela.
Vendo o amuleto
no pescoço dela, o rapaz foi tomado de uma grande sensação
de felicidade. Os dois se casaram e trabalharam muito dia e noite. Dizem
que, anos depois, ele era um dos homens mais ricos da aldeia.
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