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(Texto
e desenhos: Claudio Seto)
Há
muitos e muitos anos atrás, na região de Yamato, um jovem
lavrador sem-terra chamado Yosaku peregrinava de vila em vila trabalhando.
À noite como não tinha onde ficar dormia em templos budistas
dedicados a Kannon, a Deusa da Misericórdia. Uma noite, em sonho,
a deusa lhe concedeu uma graça: Amanhã cairá
em suas mãos algo que trará uma grande fortuna para você.
No dia seguinte
depois de tropeçar percebeu que sua mão havia caído
sobre um palha de arroz, Yosaku ia jogar fora, mas lembrou do sonho e
guardou a palha. De repente um besouro começou a voar em sua volta.
Pegou o inseto e amarrou-o na extremidade de um pedaço de pau,
com uma tira da palha. Fez um círculo em torno de onde o bichinho
estava amarrado. Curiosamente o besouro começou andar em círculo,
contornando a palha, e tornou-se um passatempo divertido para os transeuntes
daquela estrada. Um menino rico que passou pelo local quis o brinquedo
e em retribuição deu a Yosaku três laranjas.
Logo depois
o lavrador encontrou com uma dama que estava se lastimando de não
ter nada para beber. Yosaku deu as laranjas e em troca ganhou três
peças de seda pura.
-Nossa, três
peças de seda por três laranjas, hoje é meu dia de
sorte. Só pode ser obra da Deusa Kannon.
O rapaz continuou
a caminhada e cruzou com um samurai montado num garboso cavalo branco.
Yasaku percebeu que o cavalo estava muito cansado, mesmo assim era um
belo animal. De repente o cavalo dobrou as pernas e caiu exausto.
Os criados
do samurai correram em socorro do animal, dando-lhe água e massageando
seu pescoço, porém o cavalo não se mexia, ficando
estirado como quem estava morrendo.
-Cavalo inútil,
sacrifiquem esse animal perfurando seu coração com a lança
- disse o samurai aos seus vassalos.
Yosaku que
de perto assistia a cena, ficou penalizado com o destino do cavalo e pediu
ao samurai.
-Honorável
senhor, desculpe-me do atrevimento, mas peço que poupe a vida do
cavalo, um animal tão bonito não merece uma morte sacrificada.
Ofereço uma peça de seda em troca da vida dele.
-Ao contrário
do que está imaginando, mandei sacrificar o cavalo para ele não
ter uma morte lenta e agonizante. Apenas pretendia abreviar o sofrimento
do animal. Mas se você faz questão de trocar a vida dele
por uma peça de seda, aceito de bom grado. O animal fica sendo
de sua responsabilidade.
Assim o samurai
apanhou a peça de seda e seguiu em frente. Yosaku pacientemente
deu água ao cavalo e ficou horas ao lado dele. Aos poucos o cavalo
foi melhorando de aspecto e finalmente se levantou.
Yosaku montou
no cavalo e seguiu sua andança rumo a capital. Quando passou perto
de uma casa de agricultor trocou a segunda peça de seda por sela
e rédea. Quando chegou a periferia de Heian-kyo (hoje Kyoto), então
capital do Japão, trocou a terceira peça de seda por pousada,
comida e roupa lavada.
No dia seguinte
quando se preparava para entrar na capital, passou diante de um casebre
e um homem estava se preparando sua mudança, colocando utensílios
da casa em um grande carrinho puxado a mão.
-Que belo cavalo!
Se eu tivesse um, minha mudança seria facilmente realizável.
Disse o homem da casa.
-Quer comprar
o cavalo? Perguntou Yosaku.
-Gostaria muito
de adquiri-lo, mas, o pouco dinheiro que tenho, não posso gastar
agora. Devo guardar para começar nova vida, bem distante daqui,
com uma pessoa que está me esperando. Será que você
aceita trocar o cavalo por essa modesta casa e esse terreno para plantar?
-Um terreno
para plantar é tudo que sempre desejei!
Assim Yosaku
tornou-se proprietário de terra na entrada da capital. Sua plantação
de arroz cresceu maravilhosamente e ganhou fama. Quando era feito a colheita
os nobres corriam para comprar o arroz da plantação de Yosaku.
O moço trabalhou bastante e depois de alguns outonos, havia se
tornado um fazendeiro abastado. Os andarilhos que rumavam a capital paravam
para descansar em sua casa e sempre recebiam uma pelota de arroz e uma
xícara de chá. Yosaku sentia prazer em ajudar as pessoas
e fazia questão de contar sua história, para transmitir
sua fé na Deusa Kannon.
Por causa de
sua bondade passou a ser chamado carinhosamente de Warachibe Choja (Milionário
da Palha de Arroz) pelas pessoas que passavam por sua casa.
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