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(Texto
e desenhos: Claudio Seto)
No Japão,
como no mundo todo, existem várias lendas tendo o macaco como personagem
principal ou secundário. Sendo 2004 o Ano do Macaco no horóscopo
oriental, é interessante acompanhar essas lendas pois revelam a
personalidade dos nativos do signo, bem como a característica do
ano.
Havia numa
planície do Oriente, uma rocha que desde que o mundo foi criado,
vinha recebendo raios da lua e do sol. Um dia essa rocha inchou e acabou
se entreabrindo, para dar ao mundo um ovo de pedra. Esse ovo foi assolado
por um furacão e arrebentou-se. Dele saiu um macaco de pedra. Possuía
cinco sentidos: a visão, a audição, o olfato, o paladar
e o tato, porém seus movimentos eram lentos. Depois de muitos alongamentos
ele conseguiu dirigir-se aos quatro pontos cardeais, alimentando-se dos
frutos das árvores e da água das torrentes. Mais tarde,
pôs-se a morar nas montanhas, dormindo à noite nas baixas
vertentes e durante o dia voltando aos cimos. Fez amizades com outros
macacos, os gibões.
Um dia de muito
calor, o macaco foi para um bosque de pinheiros em cujo centro havia uma
torrente encachoeirada, profunda e fresca; os gibões o acompanhavam.
Ao ver a água tão pura, tão cintilante, decidiu mergulhar
nela a fim de procurar-lhe a nascente e medir-lhe a profundidade. Primeiro
mergulhou o macaco de pedra, visto que seus camaradas haviam decidido
eleger Rei aquele que descesse ao fundo da torrente... Ao chegar ao fundo,
o macaco abriu os olhos. Não havia água, nem torrente; havia
apenas um palácio onde estava escrito: Monte das flores e
dos frutos, terra da felicidade, caverna celeste.
O
macaco apressou-se a emergir, em busca dos demais macacos, a fim de lhes
explicar o que havia descoberto no fundo da torrente encachoeirada. Os
gibões, muito felizes, dançaram de alegria. O macaco de
pedra porém, lhes disse: Vamos morar no palácio; lá
estaremos ao abrigo do sol e da chuva. Todos os demais mergulharam e tomaram
posse do palácio da felicidade. O macaco de pedra instalou-se num
trono e fez com que o aclamassem Rei, conforme fora combinado. Foi nomeado
O Perfeito Macaco-Rei.
Mas, apesar
da glória de soberano, apesar de ter acumulado riquezas e poder,
o Macaco-Rei vivia melancólico. Temia a velhice e a morte.
Decidiu, um
dia partir em busca da imortalidade - iria ao mais fundo das cavernas,
ao azul do céu, cavalgaria ao vento. No decorrer dessa busca, seu
corpo e seu espírito pouco a pouco foram se modificando e afinal
ele acabou por se tornar homem.
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