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Caderno Especial - Jornal Nippo-Brasil

Japão, a segunda pátria dos brasileiros
Muitos brasileiros, a maioria jovens, que estão no Japão se entregaram à paixão pela cultura e sociedade daquele país
 

Rodrigo é um fã da cultura
japonesa desde criança
 

O que os brasileiros
pensam do Japão?

81% dizem que os imigrantes japoneses e seus descendentes participam efetivamente do crescimento brasileiro

72% defendem que o Japão está contribuindo para o desenvolvimento econômico do Brasil

76% acreditam que o país é o mais promissor da Ásia, superando a China

(Texto: Bruna Siqueira/ipcdigital.com | Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo com histórias tão distintas, o intercâmbio de experiências entre o Japão e o Brasil tem crescido a passos largos. Desde que o Kasato Maru aportou em Santos com as primeiras famílias nipônicas em terras tupiniquins, a comunidade nikkei cresceu, apareceu e acabou chamando a atenção de brasileiros que não possuíam qualquer identificação com a cultura japonesa. É verdade que os não descendentes ainda são minoria entre os quase 317 mil brasileiros que vivem hoje no país, mas o número de admiradores da Terra do Sol Nascente não pára de crescer.

São casos como o do engenheiro Rodrigo Minghini, 27, fã do Japão desde criança. Apesar da ascendência italiana e portuguesa, o paranaense de cabelos loiros, olhos claros e 1,85 m de altura teve boa parte da influência de uma família de um amigo nikkei, como lembra Rodrigo, que atualmente faz mestrado na Universidade de Tóquio.

Da época que rabiscava ideogramas no caderno do colégio até a decisão de estudar a língua japonesa foram pouco mais de cinco anos. Aos 18, o engenheiro descobriu por meio de amigos um site que ensinava hiragana e katakana, percebeu que aprender a língua não seria impossível e acabou procurando o centro de ensino de idiomas estrangeiros de sua universidade. “Um tempo depois, em 2003, soube de uma bolsa do Rotary para fazer intercâmbio. Fiquei 11 meses em Wakayama, estudando japonês”, comenta o brasileiro, que cumpre a sua segunda temporada desde abril do ano passado e pretende ficar por, pelo menos, cinco anos.

Apesar da desconfiança inicial que os japoneses costumam ter em relação a quem vem do exterior, o paranaense acredita que é possível, sim, ser estrangeiro e se integrar à sociedade nipônica sem traumas. “Existem regras comportamentais no Japão, mas quando eles vêem um não descendente seguindo, passam a aceitar, apoiar, praticamente adotam aquela pessoa”, destaca o universitário, que não poupa elogios ao país. “As cidades são organizadas e ainda é possível ficar em contato com a natureza.”

No entanto, mesmo sendo um admirador confesso dessa nação milenar, Rodrigo também enxerga falhas na cultura japonesa – ou melhor, naqueles que não se encaixam nela. “Por ser um país baseado em tantas regras, sempre acabo me confrontando com pessoas que não andam na linha”, confessa ele, que também não se acostumou à selvageria urbana nos trens de Tóquio. “Entrar em trem lotado é pisar em terra sem lei”, avisa.

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