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Caderno Especial

Turma da Mônica para japonês ler
Essa não é a primeira tentativa do desenhista em vender
aos japoneses; 1ª investida foi nos anos 70
 

(Texto: Bruna Siqueira/ipcdigital.com | Foto: Divulgação )

Em meados da década de 1970, as histórias de um dinossauro órfão, nascido de um ovo abandonado ao sol, conquistaram os leitores do Ichigo Shinbun, jornalzinho mensal editado pela japonesa Sanrio. Esse personagem era o Horácio, um dos primeiros criados pelo desenhista Mauricio de Sousa. Os traços que encantam os brasileiros há várias gerações, hoje, são divulgados em mais de cem países, mas, no Japão – líder incontestável na produção mundial de quadrinhos –, a receptividade das editoras não foi a mesma naquela época. “Eles não gostaram porque a Mônica batia nos meninos”, explicou Mauricio ao falar de sua principal personagem, com um sorriso debochado, mas sem maldade, assim como as suas histórias.

O criador da Turma da Mônica esteve em Tóquio, há duas semanas, para anunciar a sua volta ao mercado japonês. Apesar de ainda não ter data para estrear nas bancas, o desenhista já entregou o licenciamento de sua obra a duas empresas do país, que esperam inaugurar o material dentro de um ano.

Ele sabe exatamente onde quer apostar: animação para TV, jogos para celular, internet e, como não poderia deixar de ser, os tradicionais gibis. “Só vamos ‘orientalizar’ um pouco os cenários”, entregou o mestre das HQs, que pretende ainda criar amiguinhos de olhos puxados para Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali.

Questionado sobre a participação das mascotes oficiais do centenário nas futuras histórias, Mauricio disse gostar da idéia de dar mais espaço ao casal Tikara e Keika nas páginas de seus gibis. Quem é fã de seu trabalho sabe que ele tem em seu leque de personagens outras tantas crianças inspirados em filhos dele. “São todos brasileiros nikkeis, por isso quero criar japonesinhos mesmo.”

Além dessa identificação étnica ele pretende mexer no formato das revistas, que, no Japão, serão mais parecidas com os mangás. “Penso em fazer uma história ligada ao País, mas não necessariamente sobre a cultura brasileira”, acrescenta ele, que também está atento às diferenças culturais. “Já bebi em muitas fontes de quadrinhos internacionais para saber o que é politicamente incorreto. O Bidu fazendo xixi no poste não pode. O Chico Bento de bumbum de fora também não”, citou.

Com tiragem mensal de até 3 milhões de gibis no Brasil, a Turma da Mônica já está presente na China, Coréia do Sul e Indonésia, onde os quadrinhos são publicados há mais de dez anos. No país-sede dos Jogos Olímpicos, o desenhista mantém um projeto ousado, de atingir um público de 180 milhões de crianças com a ajuda da internet e das escolas.

Desde março deste ano, instituições de ensino chinesas distribuem um material didático ilustrado pelos personagens brasileiros, com o apoio do Itamaraty. No momento, a Mauricio de Sousa Produções também realiza um trabalho de co-produção com a Wang Film Production, que foi parceira da Disney por 17 anos na Ásia. A idéia deles é produzir desenhos animados com 13 episódios iniciais para a TV chinesa. As dublagens já começaram a ser feitas.

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