Notícias
de corte de pessoal se alastra pela comunidade e têm provocado
preocupação |
(Texto: Bruna
Siqueira/ipcdigital.com | Foto: Arquivo Pessoal)
Segundo pesquisa
publicada pelo Nihon Keizai Shimbun, o mais respeitado do país
quando o assunto é economia, especialistas estão convencidos
de que o Japão passa por uma recessão. Para eles, o maior
sintoma é a queda no índice de produção industrial
entre abril e junho. Os números negativos já refletem na
vida dos brasileiros.
É o
caso de André K., que pediu para não ser identificado, residente
em Hamamatsu (Shizuoka) há cinco anos, para quem o desemprego é
um pesadelo há três meses. Ele tem experiência em linha
de produção (embalagens para motos), solda de ponto, solda
de robô e tapetes térmicos. Mas nada adiantou.
Como André,
muitos outros brasileiros correm o risco de ficar sem ocupação
mesmo tendo experiência. Notícias de corte de pessoal se
alastra pela comunidade e têm provocado preocupação.
Há duas
semanas, o vice-presidente do Banco do Japão (BOJ), Kiyohiko Nishimura,
afirmou que a economia do país poderá tecnicamente
entrar em uma recessão, devido ao aumento nos preços
de energia e materiais e à fraqueza na economia dos Estados Unidos.
Já as empreiteiras não falam claramente que há uma
crise.
Como em qualquer
situação assim, não dá para dizer exatamente
quando o mau período vai terminar. Mas a desconfiança é
de que a melhora no setor de produção em japonês não
aconteça antes do primeiro semestre de 2009. Um elemento
importante é que, agora, nós temos a perspectiva de inflação.
Uma associação entre baixa de níveis salariais, insegurança
no emprego e alta dos preços pode inibir o consumo, que, por sua
vez, influencia negativamente a atividade econômica como um todo,
diz o economista Edson Urano, da Universidade Sofia.
Segundo ele,
os brasileiros deverão ter outra percepção da crise
em relação ao que sentiram em 1997 e 2002. Nas duas ocasiões,
o desemprego coincidiu com a reforma na Lei de Igualdade de Direitos dos
Trabalhadores, na qual foi dado direito para mulheres exercerem as mesmas
funções dos homens e com igual remuneração.
Isso fez com que elas ajudassem a segurar a renda familiar, enquanto os
homens se viravam sem emprego. Outra questão é que,
definitivamente, existe uma tendência de se substituir a mão-de-obra
brasileira pela asiática, sobretudo a de origem chinesa,
aponta Urano.
Além
de afetar o mercado de trabalho, a crise atual inclui a elevação
do custo de vida, com o aumento real do preço dos alimentos, fato
relacionado à elevação do valor do petróleo
e de matérias-primas para a produção de itens básicos,
como o pão. Mas nem tudo é tão ruim quanto pode parecer.
Em entrevista
ao Mainichi Shimbun, Nishimura observou que os seis anos de expansão
econômica do Japão podem estar perto do fim. Dessa
vez, a possibilidade de queda forte é menor, afirma. Portanto,
é preciso se prevenir. A curto prazo, acho importante reforçar
o colchão de segurança, ou seja, o perfil poupador. Já
a médio prazo, recomendo procurar alguma qualificação,
pois isso aumenta a estabilidade no emprego, diz Urano.
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