Foto:
Kyodo

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Foto:
Nei Toledo

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Nei Toledo

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(Reportagem:
Cinthia Yumi, Susy Murakami e Andreano Takahashi/NB)
A solenidade
oficial do centenário da imigração japonesa no Brasil,
em São Paulo, ocorreu nos dias 21 e 22 de junho no Sambódromo
do Anhembi. Mas foi apenas no sábado que o príncipe-herdeiro
Naruhito participou da festa, que reuniu cerca de 25 mil pessoas.
O príncipe
chegou às 16h40, dez minutos depois do previsto. De dentro de um
carro blindado, percorreu toda a pista e acenou para o público.
Ao descer, cumprimentou o prefeito Gilberto Kassab, o presidente da SPturis,
Caio Lins de Carvalho e o Comandante Geral da Polícia Militar,
coronel Roberto Antônio Diniz. Depois de passar em revista à
tropa, Naruhito saudou mais uma vez o público e dirigiu-se ao palco.
Em discurso,
Kassab ressaltou o fortalecimento da indústria siderúrgica
no Brasil depois do intercâmbio tecnológico com o Japão
e da contribuição nikkei nas artes e nas ciências.
Ele finalizou
seu discurso agradecendo em japonês.
Já o
príncipe lembrou dos eventos do centenário que participou
no Japão como presidente de honra do Ano do Intercâmbio Brasil-Japão.
Ele disse que a princesa Massako, que não realiza viagens oficiais
desde que iniciou tratamento contra depressão, transmitiu as felicitações
ao povo brasileiro e aos nikkeis que aguardavam nossa visita. Disse
também esperar ver as relações entre os dois países
se estreitarem ainda mais. Ficarei muito feliz se a minha visita,
ainda que modestamente, ajude a fortalecer mais os laços entre
os dois povos. E encerrou com um muito obrigado, em
português.
Antes da chegada
de Naruhito, muitos dos 25 mil súditos que aguardava,
comentavam: No Japão, atraso é desrespeito. Mas aqui
no Brasil, acho que o príncipe já deve estar acostumado.
É o jeito brasileiro, diziam enquanto procuravam se proteger
a garoa que insistia em contemplar a cidade naquele dia histórico.
Assim que o
príncipe chegou ao Sambódromo, a ala veterana
não conseguia conter a emoção. É ele,
chegou. Vai começar, disse Saeko Miyazaki, 80 anos, que chegou
ao evento às 10 horas para não perder nenhum detalhe. Na
minha religião, levamos a sério a cultura japonesa e respeitamos
a família imperial, completou. Saeko estava acompanhada da
filha Bete Ishikawa, 51, e das netas Carol, Camila e Vitória. Com
idade na faixa dos 9 anos, as crianças não parávam
de acenar e agitar bandeirolas para o príncipe.
Depois do desfile
vieram os atos oficiais. A execução dos hinos do Japão
e do Brasil, desfiles de Bandas Militares de ambos os países e,
em seguida, a cerimônia para acender a Tocha da Amizade.
Entre os atletas
que se revezaram na missão de levar a tocha até a pira,
estavam os nipo-brasileiros Tomiko Morisato, Vânia Ishii, Hugo Oyama
e Gustavo Tsuboi.
Mas foi Saburo
Onishi, avô do primeiro rokusei do Brasil, Enzo, quem acendeu a
pira. Foi um momento de alegria indescritível, disse
Saburo. A família de Enzo simbolizava o espírito
que prevalescia no Sambódromo naquele 21 de junho. Por toda parte,
o que mais se via eram famílias inteiras, a grande maioria de São
Paulo. Acho que no total estamos em mais de dez pessoas. Tem irmão,
cunhado, tios, sobrinhos. É uma festa em família e as crianças
estão adorando, disse Alexandre Tanaka, 33 anos.
As apresentações
se seguiram, com desfile da Banda de Música da Marinha Japonesa
e da Cavalaria do Regimento da Polícia Montada. Em seguida, um
coral com mais de 3 mil vozes emocionou o público ao interpretar
as músicas japonesa Sakurá e a brasileira Aquarela
do Brasil. Na seqüência, a passarela do samba
deu lugar para os 1,2 mil integrantes da Dança do Centenário,
que numa sincronia perfeita mostravam movimentos típicos do Odori.
As apresentações
seguiram com o taikô e, por último, o Desfile do Centenário,
com carros alegóricos e a participação da escola
de samba Unidos de Vila Maria. Já era noite, e boa parte do público,
assim como o príncipe já havia deixado o local.
No entanto,
os que ficaram, agitaram" a festa até o último
instante ao som da Música do Centenário, puxada
pelo cantor Joe Hirata e que ganhou fôlego com a bateria da Unidos
de Vila Maria. Para fechar com chave de ouro, uma queima de fogos iluminou
os céus da zona Norte da cidade.
Jantar
com Serra
Foto:
Kyodo

No
Palácio dos Bandeirantes, foi realizado jantar oferecido pelo
governador José Serra |
Após participar
a solenidade no Sambódromo, o príncipe seguiu ao último
evento em São Paulo. No Palácio dos Bandeirantes, foi realizado
jantar oferecido pelo governador José Serra com apenas 300 convidados.
Lá o príncipe recebeu uma viola construída por jovens
que participam de curso de luteria no Conservatório de Tatuí.
Logo após
o jantar, os convidados foram presenteados com obras de Mozart e Villa
Lobos executadas pelo Quarteto de Música Camargo Guarnieri com
Elisa Fukuda. Surpreendendo os presentes, o príncipe quebrou o
protocolo e tocou com uma viola do quarteto o primeiro movimento da Serenata
Noturna de Mozart.
A assessora
do cerimonial Christine Starr lembrou que o jantar vem sendo planejado
desde janeiro. O menu contou com palmito fresco assado na casca com vinagrete
de jabuticaba e folhas verdes, como entrada. O prato principal foi composto
por filé de vitela com crosta de castanha do Pará, purê
de mandioquinha com perfume de trufas pretas e ninho de legumes sauté.
Como sobremesa foram servidos mousse de manga com estrelas de carambola
e lascas de gengibre confit (guardado no açúcar) e também
frutas fatiadas. Para finalizar, café com petit fours e mini trufas.
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