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Caderno Especial

Parcerias podem impulsionar as relações entre Brasil e Japão
Simpósio econômico discutiu o cenário atual para a retomada dos contatos comerciais entre os dois países

Meirelles: “Momento propício para a retomada das relações econômicas entre os dois países”

(Fotos: Jin Yonezawa /NB)

Nesta segunda matéria sobre os rumos a serem tomados para o estabelecimento de vínculos mais fortes entre as economias de Brasil e Japão, o Jornal Nippo-Brasil abre espaço para a repercussão do que foi tratado no Simpósio Econômico Brasil-Japão – Os Próximos Cem Anos, organizado pela Câmara do Comércio Brasil–Japão, os jornais O Estado de S. Paulo e o The Nihon Keizai Shinbun.

Os dois países chegam a 2008 longe da recessão e estagnação econômicas que os atingiram nas décadas de 1980 e 1990. O cenário não poderia ser melhor para a retomada das relações comerciais entre as duas nações. Coincidência ou não, 2008 é justamente o ano do centenário da imigração japonesa na terra tupiniquim e ano do intercâmbio Brasil–Japão. Foi com essa percepção que Kotaro Horisaka, diretor do Instituto Ibero-Americano da Universidade de Sofia, de Tóquio, encerrou sua participação no evento. Esse sentimento foi compartilhado entre todos os participantes: políticos, empresários e especialistas.

A conclusão de Horisaka foi reforçada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que, em seu discurso, afirmou: “A retomada do crescimento econômico do Japão e também a estabilidade econômica do Brasil faz com que esse seja o momento adequado [para a retomada das relações]”.

Ao longos das décadas, a relação comercial Brasil–Japão sofreu altos e baixos. Mas o momento pelo qual o Brasil atravessa é inédito, o que coloca o país em lugar de destaque no cenário econômico mundial, deixando de ser mero exportador de matéria-prima e importador de produtos manufaturados. É esse panorama que Tadashi Izawa, presidente da Japan External Trade Organization (Jetro), quer mostrar aos empresários japoneses. Segundo Izawa, para reativar as relações bilaterais, é preciso conhecer melhor as potencialidades do Brasil. “Existem tecnologias no Brasil que os japoneses não conhecem. [...] Gostaria de levar ao Japão a nova realidade brasileira “, disse.

Izawa cita, como exemplos, a venda de aviões da Embraer para a JAL e a instalação de lojas brasileiras de moda no Japão como sinal da evolução dos negócios brasileiros. “Há também o intercâmbio de música e arte. É preciso mudar a imagem de que o Brasil é só samba, carnaval e futebol”, completou.

Japão e Brasil devem ser parceiros no desenvolvimento de tecnologias limpas, defenderam os participantes do simpósio. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti, falou da possibilidade de produzir energia a partir do bagaço da cana-de-açúcar. “As empresas japonesas poderiam ser nossas parceiras para desenvolver essa tecnologia para o mundo”, afirmou.

Etanol

O etanol, no entanto, foi o centro das discussões sobre redução de emissão de gases poluentes. “O Japão consome 55 bilhões de litros de gasolina por ano e o Brasil é o maior exportador de etanol do mundo”, disse Giannetti.

O interesse do Japão pelo etanol brasileiro existe, mas não na intensidade desejada pelos brasileiros. “O Japão tem interesse no etanol, mas a base para a redução da dependência do petróleo está no hidrogênio”, disse Tadashi Izawa, da Jetro.

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues acredita que a potencialidade do biocombustível brasileiro pode ser explorada não só no âmbito de exportação e importação. Como a demanda mundial por energia alternativa é crescente, os dois países poderiam ser parceiros na criação de tecnologia de produção de etanol na Ásia. Antes, porém, é preciso eliminar alguns mitos sobre o álcool, segundo Rodrigues, lançados por interesses comerciais. São eles: “O de que irá faltar alimento, pois no Brasil há lugar para todos os cultivos; o de que a plantação de cana-de-açúcar vai acabar com a Amazônia; e o de que carro a álcool não dá partida quando está frio e provoca corrosão no motor”.

Rodrigues queixou-se, porém, da lentidão com que as negociações se desenrolam. “Foram 23 anos para abrir o mercado de manga no Japão e estamos há 12 tentando abrir o de carne”.

Dados do JBIC, o Banco do Japão para Cooperação Internacional, citados por Horisaka, mostram que o Brasil é, hoje, o sétimo país no ranking de parceiros de interesse dos empresários do Japão. Em 2003, era o 16º. Se depender dessa tendência e do otimismo dos empresários e estudiosos, os próximos cem anos devem ser promissores para as relações Brasil–Japão.

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