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Caderno Especial

Pequenos varejistas sobrevivem graças a associações
Segredo dos grupos está na união entre os associados
para enfrentar a concorrência

Grupo Okinawa: inicialmente, 25 lojistas; dez anos depois, 140 associados com direito à sede

(Texto: Susy Murakami/NB | Fotos: Divulgação)

O avanço das grandes redes varejistas tem dificultado muito a vida dos pequenos lojistas. Para não serem engolidos por grandes redes, comerciantes buscaram saída para enfrentar a concorrência. Dois grupos, criados por nikkeis, são um exemplo de como a união pode fazer a força.

Um deles é o Grupo Okinawa, criado em 1990. Inicialmente, eram 25 lojistas que negociavam com forncedores em reuniões informais em restaurantes na hora do almoço. Dez anos depois, o número de associados chegava a 140 e o grupo ganhou sede e profissionalização. Essa é a história da primeira década do Grupo Okinawa, uma associação de lojas de materiais de construção. Os fundadores são descendentes de famílias de Okinawa, por isso o nome. Hoje, 65% dos associados são ex-dekasseguis.

O segredo do sucesso do grupo está principalmente na união dos associados. Segundo Katsumori Miyasato Ueta, presidente do grupo, a troca de experiência entre os lojistas é um dos pontos fundamentais para o êxito dos negócios. “Existe uma integração não só na parte comercial. Se não fosse isso, talvez o grupo nem existisse mais. O sucesso é porque somos uma grande família”, diz.

Organização e preparo

Foi em 2000 que o Okinawa começou a investir pesado na profissionalização. Além de construir sede própria, a associação passou a promover cursos para os lojistas, alguns ministrados pelos próprios fornecedores. Com isso, os associados passaram a pagar uma taxa mais alta, o que fez com que alguns abandonassem o grupo, ficando 105 associados, mas, segundo Ueta, foi uma iniciativa necessária.

Para entrar no grupo, só com avalistas do próprio Okinawa. Por isso, os asssociados são, na maioria, parentes e amigos. Outro diferencial é na hora das negociações com os fornecedores. O grupo garante o pagamento em caso de inadimplência de algum associado.

Outro grupo também criado por descendentes japoneses é a Rede Supervizinho de supermercados. O grupo surgiu em 2001, depois do Projeto Sincovaga, Sindicado do Comércio Varejistas de Gêneros Alimentícios, que expôs as dificuldades que os pequenos teriam de concorrer com os grandes. A negociação de preços com fornecedores era a principal delas. Depois de reunir 19 associados, a rede passou a comprar em grande quantidade e, automaticamente, conseguir melhores preços.

Serviços especializados

Com a associação, os supermercados passaram a contar também com serviços especializados cujos custos seriam impossíveis de serem arcados individualmente. “Hoje temos, por exemplo, a supervisão no setor de carnes”, comenta Lúcia Morita, presidente da Supervizinho.

Em 2007, a Supervizinho criou o Centro de Distribuição Supervizinho Ltda., braço comercial que cuida das negociações, dando mais um passo na profissionalização.

Atualmente, são 29 associados espalhados pela Grande São Paulo. Segundo Morita, observou-se um crescimento de cerca de 30% nas vendas nos primeiros três meses após o ingresso no grupo. O segredo do crescimento da rede, diz Morita, “está no próprio interesse de cada um. É muito difícil enfrentar a concorrência sozinho. Tanto os problemas quanto as soluções são compartilhados”.

 
“Mantemos tradições e costumes”

Hideaki Akamine ficou de 1989 a 1991 no Japão. Quando voltou, como a maioria dos ex-dekasseguis, não sabia ao certo o que fazer com o dinheiro ganho com o trabalho. Através de amigos e parentes, conheceu o Grupo Okinawa ao qual se associou em 1992. No início, era uma loja de ferragens e ferramentas de 150 m². Hoje, a loja tem 500 m² e vende desde ferragens até acambamentos para construção. Akamine diz que fez diversos cursos promovidos pelo Grupo que o ajudaram na administração do negócio. “Foi muito bom ter entrado no grupo por causa da troca de experiência sobre compra e venda e também pelo lado social, pois mantemos as tradições e os costumes japoneses”, afirma.

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