Tonooka:
Japão deve diversificar suas fontes de combustível |
(Texto: Susy
Murakami/NB | Fotos: Arquivo NB)
O ano do centenário
da imigração japonesa no Brasil vai ser marcado por intercâmbios
e grandes comemorações entre os dois países. As celebrações,
porém, não atingem as relações comerciais
entre as duas nações, que vêm caindo nos últimos
anos. A partir desta edição, o Jornal Nippo-Brasil começa
a publicar uma série de matérias com o objetivo de detectar
os problemas nas relações comerciais entre os dois países
e apurar possíveis alternativas para o Brasil incrementar o setor
de investimentos japoneses com ganhos reais na economia nacional.
Há duas
décadas, a participação japonesa nas exportações
e importações brasileiras era de cerca de 7% do total. Nos
últimos anos, o valor não tem ultrapassado os 3%. Atualmente,
o Japão é apenas o oitavo país para onde o Brasil
destina seus produtos e o sexto de onde importa, segundo o Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Acordos
japoneses pelo mundo
O Japão
já tem acordos comerciais com o México e o Chile, mas um
tratado com o Brasil ainda emperra por diversos motivos. Um deles é
o fato de que seria necessário incluir o Mercosul nas negociações.
Para o economista Alexandre Uehara, do Núcleo de Pesquisa em Relações
Internacionais da USP, o bloco sul-americano sempre teve enfoque mais
político do que econômico, dando preferência às
negociações com países em desenvolvimento. Mas ele
acredita que o Tratado de Livre Comércio assinado entre Mercosul
e Israel no ano passado pode abrir caminhos para novas discussões.
Uehara explica ainda que, para que o tratado entre Japão e México
se concretizasse, foram necessárias concessões tanto do
lado japonês quanto do mexicano, algumas delas ainda inaceitáveis
pelo Brasil. Isso dificulta ainda mais um acordo nipo-brasileiro. O
Brasil precisa ter uma política mais pragmática, disse
o economista.
Negociações
brasileiras na Ásia
Outro dado
que mostra como o comércio entre Brasil e Japão vem perdendo
fôlego são os números das negociações
brasileiras com a Ásia. Um comparativo entre Japão e China
mostra que, em 1985, os chineses importavam do Brasil menos de 30% do
total destinado à Ásia, e ao Japão, mais de 40%,
de acordo com dados do MDIC. Em 2006, a China passou a ser o destino de
40% das exportações brasileiras para o continente asiático
e o Japão, de apenas 18,5%. Uma queda significativa.
No histórico
das exportações brasileiras para o Japão, sempre
predominaram matérias-primas, como o minério de ferro, alumínio
e celulose, além de alimentos como o café, suco de laranja
e frango. Já o Brasil compra do país do Sol Nascente produtos
manufaturados, como máquinas e equipamentos, peças de automóveis
e aparelhos eletroeletrônicos.
Onde entra
o etanol
O que pode
ajudar a alavancar o volume de exportações brasileiras para
o Japão é o etanol. O produto interessa aos japoneses já
que estes estão comprometidos com as determinações
do Protocolo de Kyoto, disse o economista Eduardo Tonooka, doutor pela
Universidade de Kobe no Japão. Mas o combustível não
deve ter exclusividade. Há grande potencial para o produto
brasileiro [...], contudo, o Japão não tem interesse em
criar uma dependência do etanol brasileiro, devendo diversificar
suas fontes de combustíveis não-fósseis com o passar
do tempo.
Tonooka destaca
também que, na ordem de prioridades de negócios japoneses,
o Brasil ocupa ainda lugar distante, ficando atrás de vários
outros países.
O ano de 2008
foi definido pelas duas nações como o Ano de Intercâmbio
Brasil-Japão. O objetivo é intensificar o relacionamento
entre os dois países, forte na área cultural, mas ainda
acanhado no plano econômico.
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