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Caderno Especial

Diga “sim” longe de casa
Casamento no exterior é uma forma de reunir
pessoas próximas e aproveitar a viagem

(Texto: Erin Mizuta/ipcdigital.com | Fotos: Divulgação)

Enquanto no Brasil muitos casais já estão felizes com o sonho de se unir com uma grande festa, no Japão as noivas esperam ansiosas, de malas prontas, pelo mês de junho. O mês que antecede o verão no Hemisfério Norte, geralmente marcado por chuvas no Japão, é o preferido pelas noivas e pelos noivos que pretendem se casar no exterior.

A modalidade reúne viagem de lua-de-mel e festa em um único evento e, muitas vezes, pode ser até mais barato que comemorar dentro do país. Os casais usam a data como a oportunidade de realizar o sonho de conhecer outro país, ou mesmo fazer uma cerimônia mais íntima. “Também é uma forma de não precisar convidar apenas por formalidade todos os chefes na hierarquia da empresa”, diz Yukiko Aoki, da Watabe Wedding, empresa pioneira na realização de bodas no exterior e que domina 50% do mercado.

É o caso de Yukiko Abe, 32, patologista clínica, que fez seu casamento em Oahu, no Havaí, em junho de 2001, contando com o serviço de uma agência especializada. “Eu e meu marido trabalhávamos no mesmo lugar e era uma dor de cabeça escolher os convidados sem causar mal-estar depois. E era um sonho também”, diz. No total, foram 18 convidados. Cada um arcou com as despesas de sua viagem, e a festa custou cerca de ¥ 600 mil (R$ 10,1 mil).

“Queria me livrar da obrigação de convidar os chefes do trabalho e não queria quebrar a cabeça para definir o número de convidados”, diz Noriko Shimizu, 34, funcionária de uma seguradora, que se casou em novembro de 2005, na Austrália. Foram apenas dez amigos e parentes, e ela gastou pouco mais de ¥ 1 milhão (R$ 16,8 mil, sem as despesas da lua-de-mel). “Queríamos que os amigos pudessem parcitipar sem ter de faltar ao trabalho tantos dias. E queríamos conhecer Ayers Rock”.

Como já pagam as passagens, os convidados ficam desobrigados a cumprir com a tradição de dar grandes quantias em dinheiro como presente (goshuugi).

A escolha, mais “racional”, por unir festa e lua-de-mel, também é uma forma de tornar o momento mais especial. “É mais distante do cotidiano, o que melhora as lembranças futuras. Ninguém precisa pensar que terá que trabalhar no dia seguinte. É a realização de um sonho”, diz Aoki. Além disso, é uma forma de agradecer aos pais e reunir as famílias dos noivos. “Para a minha mãe, foi a primeira viagem internacional. Ela se divertiu tanto, que nem ficou triste de ‘perder’ a filha única. Não teve choro”, explica Abe.

O medo de viajar para fora do país, causado pelos ataques terroristas em 2001 e pela ameaça de Sars em 2003, afetou o mercado e motivou o cancelamento de 3 mil viagens. Mas o costume vem crescendo desde 2004. Em 2005, foram realizados 44.747 casamentos no exterior pela Watabe Weddings.

A projeção para 2007 é de 49,6 mil e, para 2008, 52.280. E, de acordo com uma pesquisa da empresa Recruit para a revista Zexy, as previsões são animadoras. Cerca de 30% a 40% dos entrevistados pretendiam realizar casamento no exterior, mas apenas 6% a 8% o fizeram efetivamente – o que significa que existe espaço para que o mercado triplique. “Até pouco tempo, as pessoas não sabiam do que se tratava. Hoje, elas sabem.”, diz Aoki, da Watabe Wedding.

Curiosamente, cerca de 25% dos casamentos no exterior são feitos por noivas grávidas. Esse tipo de cerimônia também é buscado por pessoas que se casaram cedo e que não puderam ter uma festa.

Uma cerimônia no Havaí para dez convidados (a média) custa de ¥ 500 mil a ¥ 600 mil. Se o programa incluir lua-de-mel, o valor sobe para ¥ 1 milhão. A opção mais barata é de ¥ 100 mil (R$ 1,6 mil) – uma pechincha, considerando-se que, se realizado no Japão, um casamento para 60 convidados custa em média ¥ 3 milhões (R$ 50,5 mil). Antes ou depois da viagem, é necessário fazer o registro em cartório para que a união tenha validade.

No entanto, é preciso ficar atento, pois algumas coisas podem não sair como o imaginado. “A cerimônia de casamento em si já cansa. Viajar para o exterior cansa mais ainda”, alerta Abe.

 

Destinos preferidos


52,5% Havaí

24,3% Micronésia (Guam e Saipan)

7,7% Oceania (Austrália)

5% A Europa é a opção de casais acima dos 30 anos, já que a viagem costuma ser mais cara que as demais.
(dados de 2005 da Watabe Wedding)
“Tradição recente”

O sonho de muitas mulheres de subir ao altar de véu e grinalda é recente no Japão. Antes de o país sofrer a influência ocidental, quando os costumes europeus passaram a ganhar peso, com o declínio da Era Meiji, em 1868, somente as famílias samurais – apenas 6% da população – festejavam os casamentos.

Para as pessoas comuns, mal havia a formalização do casal. Para eles, se um homem visitasse regularmente uma mulher, ambos já eram considerados unidos. Se a mãe do homem estivesse velha demais para cuidar da casa, a mulher se mudaria para a casa dele. Só então havia uma festa para apresentá-la aos vizinhos.

Com a chegada dos primeiros cristãos no país, esse estilo de convivência foi considerada imoral. Como o Japão queria ser bem visto entre as potências mundiais, criaram-se as leis de matrimônio e o casamento xintoísta baseado no modelo cristão.

No pós-guerra, o casamento virou uma “nova tradição”. A televisão incentivou, mostrando o casamento do atual imperador com a imperatriz Michiko Shoda e, no ano seguinte, a união do ator superstar Yujiro Ishihara e a atriz Mie Kitahara.

O primeiro casamento no exterior, segundo a agência Watabe Wedding, foi em 1968, no Havaí. A empresa via crescer os pedidos para prolongar o prazo de devolução de trajes para casamento e em 1973, a empresa deu início ao serviço de casamento em outros países. Somente no primeiro ano, mil casais foram atendidos.

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