
Design de produtos brasileiros é um atrativo da loja Nico,
um dos maiores estabelecimentos de artigos made in Brazil |
(Texto e Fotos:
Julio Caruso/ipcdigital.com)
Tem de palito
de dente, passando por apito e chaveiros de automecânica, a uniforme
de escola municipal. Esses são exemplos de produtos disponíveis
em lojas japonesas e sites na internet. O que para brasileiro pode parecer
bugiganga aos olhos dos japoneses produtos como um envelope verde-amarelo
são vistos como itens exóticos e que, ao mesmo tempo, transmitem
brasilidade.
Os donos das
lojas são japoneses que recebem artigos enviados por conterrâneos
que residem no Brasil ou, em alguns casos, eles próprios fazem
questão de atravessar o mundo para escolher e comprovar a qualidade
dos produtos que irão vender.
Takashi Horiuchi
é um deles. Além de uma cafeteria e uma loja repleta de
CDs do Brasil, ele administra a loja Dois, localizada em uma pacata rua
em Kamakura (Kanagawa). Segundo a funcionária da loja, Akiko Akase,
Horiuchi faz questão de trazer coisas novas que normalmente não
são importadas para o Japão. Da última vez,
ele trouxe uma peça de tapeçaria feita por índios,
acrescenta.
Akiko diz que
os produtos que vendem bastante têm as cores típicas do Brasil
ou a bandeira nacional. O apito, por exemplo, quem compra leva sempre
um verde e um amarelo. Lá, são vendidos também
cadernos da marca Tilibra e lápis. Horiuchi viaja ao Brasil pelo
menos três vezes a cada dois anos e, quando não vai, recebe
os produtos de um amigo que mora lá. Ainda segundo a funcionária,
os clientes, formados em sua maioria por japoneses amantes do Brasil,
quando ficam sabendo da chegada de novas mercadorias vão em busca
de novidades.
Quem também
conta com um amigo fornecedor é Reiko Misawa. Proprietária
da loja Nico, em Yushima (Tóquio), ela diz que foi por conta da
amiga que mora em São Paulo que começou a vender artigos
do Brasil. Ela já tinha a loja quando a tal amiga enviou umas amostras
de artigos de papelaria. Reiko gostou e passou a receber os produtos com
freqüência. Eu mesma só fui buscar uma vez,
confessa.
Na
loja, que também vende artigos da Rússia e da China, são
encontrados palitos de dentes da marca Gina, fósforo Fiat Lux,
pregador de roupa feito de madeira, papel toalha, borracha cheirosa da
Turma da Mônica e até filtro de café. Mas, quando
o assunto é ranking dos produtos mais vendidos, Reiko enumera três:
sacola do supermercado Pão de Açúcar, régua
com formato do mapa do Brasil e adesivos da bandeira.
Pela
internet
A loja virtual
Ponto, criada pela designer gráfica japonesa Ayano Izumi, comercializa
produtos brasileiros desde dezembro de 2005. No caso dela, tudo começou
com a paixão pelas obras do arquiteto Oscar Niemeyer. Fiquei
maravilhada quando vi, pela primeira vez, as fotos de Brasília
numa revista, há dois ou três anos. Ayano inaugurou
sua loja com os livros sobre Niemeyer e outros artigos relacionados à
capital brasileira. Esses produtos até chamavam a atenção
de certas pessoas, mas elas não chegavam a comprá-los. Só
comecei a receber pedido depois que coloquei as camisetas da Universidade
de Brasília à venda, lembra.
Hoje, esse
artigo aparece como o item mais vendido, seguido pela camiseta da Universidade
de São Paulo (USP) e pelo uniforme de uma escola municipal do Rio
de Janeiro. Das cem que trouxe na última viagem, consegui
vender 60, quase atingindo a meta que era de vender 70. Até
o próximo verão, Ayano pretende diversificar os modelitos
e trazer quantidade maior de camisetas.
A
brasilidade
Todos os proprietários
apontam a brasilidade desses artigos como o grande diferencial
em relação aos produtos japoneses. Vendo algumas coisas
com bandeira verde-amarela, mas não gosto desse tipo de design
apelativo. Prefiro outros estilos mais sutis, mas que têm muita
brasilidade como os chaveiros promocionais, explica Ayano.
No Japão,
não há importadora dessas raridades que ela
quer oferecer ao público. Tudo o que se vende em sua loja, foi
escolhido e comprado pessoalmente por Ayano no Brasil.
Desde a primeira
viagem à terra do seu ídolo Oscar Niemeyer, em março
de 2005, a designer gráfica já voltou duas vezes ao Brasil
para renovar o estoque. Além de ir às universidades e às
fornecedoras de camisetas, ela visita feiras e lojas de souvenir no Rio
de Janeiro e em São Paulo.
Ayano tem planos
de ampliar a rede de venda, mas sem exagero. Quero continuar com
o mesmo esquema, eu mesma indo pessoalmente ao Brasil para escolher e
checar a qualidade dos produtos antes de trazê-los para cá.
Se ficar fácil demais encontrar esses produtos, vai deixar de ser
raridade e perder a graça, conta.
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