|
Nippo-Brasil:
Você atua como figurinista, maquiador, cenógrafo e diretor.
Todas as funções fazem parte dos bastidores dos espetáculos.
Como é fazer parte desse universo "escondido", mas tão
importante para as apresentações?
Fabio: É muito excitante e bastante diferente daquilo que será
visto pelos espectadores. Os figurinos, por exemplo, têm uma proporção
um pouco maior do que uma roupa real. Os detalhes também são
maiores para serem melhor vistos à distância, e o mesmo acontece
com a maquiagem. Já na cenografia utilizamos as proporções
do ponto de vista da platéia e falsas perspectivas que o palco
permite. Tudo isso confeccionado artesanalmente, em função
do espetáculo que estamos buscando.
Nippo-Brasil:
Na 19ª edição do Prêmio Shell de Teatro, você
assumiu o posto da professora Maria Lúcia Candeias no corpo de
jurados. Quais foram os quesitos que você levou em consideração
e o que considera mais importante nessa premiação?
Fabio: A criatividade sempre e a importância do espetáculo
para os possíveis questionamentos que ele poderá nos proporcionar,
assim como, o rigoroso trabalho de criação e interpretação
de uma obra.
Nippo-Brasil:
Você criou o cenário da peça Turistas & Refugiados,
que retrata a vida dos imigrantes de São Paulo. Em algum momento
você se inspirou nos imigrantes japoneses?
Fabio: Sim, em muitos momentos vieram-me imagens de antepassados que
arduamente lutaram para construir este Brasil que vemos hoje. O mais interessantes
foi constatar que quase todos os imigrantes passaram por momentos muito
semelhantes: Dificuldades, rejeição, preservação
da cultura, folclores, etc.
Nippo-Brasil:
Você foi convidado para ser o figurista do grupo Burajiru. Você
vai participar da peça que eles estão idealizando para o
centenário da imigração?
Fabio: Estou muito feliz pelo convite, e acho um tema bastante rico
e emocionante por fazer parte deste grupo de imigrantes. Tenho um imenso
desejo de homenageá-los sempre pois são a essência
de nossa cultura.
Nippo-Brasil:
Você é famoso por seus figurinos, cenários e maquiagens.
O que você leva em consideração na hora de montar
um figurino ou fazer uma maquiagem?
Fabio: Estou sempre atendendo às necessidades da montagem,
ou seja, a concepção da direção, as marcações
de cena, a criação dos personagens, a iluminação,
enfim, um trabalho em conjunto de vários profissionais para conseguir
uma harmonia e melhor entendimento da estória que estamos colocando
no palco.
Nippo-Brasil:
Existe algum figurino, ou cenário, que você gostaria de ter
montado? Qual e por quê?
Fabio: Gostaria muito de montar uma peça grega. Nunca tive
a oportunidade de fazer uma e acho a época muito interessante.
A trama, a tragédia são assuntos pelos quais me interesso
muito.
Nippo-Brasil:
Existe algum tipo de influência oriental em seus trabalhos?
Fabio: Com certeza sim! Acho que é algo ancestral, sanguíneo,
de DNA. Tenho uma preocupação com a síntese, com
a economia de elementos, uma contundência de significados, características
bastante forte na cultura japonesa.
Nippo-Brasil:
O Japão possui um tipo de teatro muito peculiar e tradicional.
Você conhece o teatro japonês? Caso afirmativo, o que você
acha desse tipo de arte oriental?
Fabio: Conheço o teatro Nô, o Kabuki e o Kioguen que
são os mais tradicionais. Acho muito interessante a dedicação
ao ofício da representação, o rigor da interpretação,
o ritualismo da encenação e sobretudo a beleza plástica
das imagens criadas a partir da síntese e símbolos essenciais.
Nippo-Brasil:
Quais são os seus próximos projetos?
Fabio: Estou preparando os cenários e os figurinos para uma
nova montagem do coreográfo Ivaldo Bertazzo, farei O Guarani, de
Carlos Gomes, direção de Willian Pereira, em Belém
do Pará. Depois Rigoleto, em Ribeirão Preto, sob direção
de Fernando Portari. E para 2008, Burajiru e Mishima, ambos com temas
japoneses.
|