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Caderno Entrevista

Sérgio Yamasaki
"Já fiquei 36 horas sem dormir para entregar um comercial"

(Texto: Suzana Sakai/NB | Foto: Arquivo Pessoal)

Envolvido em produções de sucesso, como a propaganda dos famosos “limõezinhos” da Pepsi e dos “peixinhos” da H2OH!, o animador Sérgio Yamasaki descobriu a animação como arte após conquistar um prêmio em 2001.

Praticante de ioga e de fotografia, Sérgio planeja ainda animar um curta pessoal. Confira, a seguir, um rápido bate-papo que o animador teve com a equipe do Zashi.

Entrevista

Nippo-Brasil - O senhor foi o criador da animação com os limões da Pepsi que viraram febre no País. Além deles, o senhor criou outros personagens de sucesso?
Sérgio Yamasaki -
No caso dos limões da Pepsi, eu não os criei sozinho. Foi um trabalho que envolveu um número enorme de pessoas: a equipe do núcleo 3D (Conspiração Digital), do diretor Fabio Soares (Conspiração Filmes) e da agência de publicidade AlmapBBDO. Eu participei de quase todas as partes do processo da criação dos limões animados em computação gráfica. Mas a Almap (nossa contratante), antes de nós, já havia criado a campanha publicitária usando limões de verdade fotografados.
Sobre os outros personagens... Antes de trabalhar na Conspiração Digital, criei o desenho da mascote virtual para as Olimpíadas de Sydney, Zé do Pulo, na Rede Globo. Nesse projeto, dois amigos meus tornaram viável a realização: Léo Santos ( www.leosantos.com) e Márcio Bukowski. Sem eles, esse projeto nunca teria saído do papel.
Mais recentemente, a equipe do núcleo 3D criou, digitalmente, os peixinhos da água H2OH! e as frutinhas do suco Kapo. De novo, junto ao diretor Fabio Soares.

NB - Para criar animações como a da Pepsi o senhor costuma realizar uma pesquisa de público? No que se baseia para criar as animações e onde busca inspiração?
Sérgio -
Normalmente, a pesquisa de público fica a cargo da agência de publicidade. Normalmente nós, animadores, utilizamos como inspiração: nossa vivência pessoal, trejeitos de pessoas que convivem conosco, nós mesmos (normalmente atuamos como os personagens em cena) e a voz dos atores que fazem as falas dos personagens ficarem tão engraçadas.

NB - Nas horas vagas, o senhor tira fotos e pratica ioga. Esses hobbies o inspiram de alguma forma em suas animações?
Sérgio -
A fotografia ajuda bastante. Sempre que vejo algo ou alguém fazendo algo interessante, fotografo. Isso serve como referência para um monte de coisas, como desenhos, pinturas, animações.
A ioga me ajuda a relaxar e a recarregar as energias. Trabalhamos sobre grande estresse e com grandes expectativas sobre nossos trabalhos. Já fiquei 36 horas sem dormir para entregar um comercial.

NB - O senhor acompanha o universo das animações japonesas? Sobre o que é feito no mundo das animações digitais japonesas, o que considera como ponto forte e ponto fraco?
Sérgio -
Sim, sou grande fã de diretores japoneses de animação, como Hayao Miyazaki (vencedor do Oscar com A Viagem de Chihiro), Koji Morimoto (dirigiu um dos episódios do longa AniMatrix) e Satoshi Kon (Tokyo Godfathers).
Ponto forte: adoro os longas metragens de animação japoneses. Normalmente, acho que eles inovam absurdamente. São extremamente autorais e pessoais. Muito diferente dos longas de animação americanos, que são extremamente "enlatados", com uma carga comercial enorme, e parece que todos eles são meio parecidos. Personagens "fofinhos" com histórias "fofas"...
Ponto fraco: as séries de TV para crianças... assim como os longas americanos... são extremamente comerciais, visando somente ao consumo de produtos.

NB - O senhor já conquistou alguns prêmios com suas animações. Qual considera mais importante e por quê?
Sérgio -
O mais importante foi o prêmio no festival Anima Mundi, em 2001. Foi esse festival que me mostrou o potencial que a animação tem como arte. Sou animador hoje por causa desse festival.

NB - O que os animadores brasileiros podem aprender com os animadores japoneses e vice-versa?
Sérgio -
Podíamos aprender com os animadores japoneses a ser extremamente "econômicos". Eles fazem filmes excelentes com orçamentos mínimos. Não sei o que eles poderiam aprender com a gente...

NB - Existe alguma animação que o senhor assistiu e que gostaria de ter feito? Caso afirmativo, qual e porquê?
Sérgio -
Adoraria ter feito o longa A Viagem de Chihiro, do Miyazaki. Acho que é um dos melhores filmes já feitos na história do cinema.

NB - O que uma animação precisa para conquistar o público?
Sérgio -
Ser verdadeira.

NB - Quais são seus próximos projetos?
Sérgio -
Animar um curta pessoal, desenhar todo dia antes de ir para o trabalho. E conseguir dormir bem ao final do dia.

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