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Caderno Entrevista

Carlos Nakao se destaca pela postura ética e moral
Roberto Justus reconhece que o candidato - o primeiro nikkei a participar do programa - ensinou "como cair em pé com dignidade"

Nakao é o primeiro nikkei a participar de "O Aprendiz"

(*Redação NJ | Foto: Divulgação)

Carlos Nakao, o primeiro nikkei a participar de "O Aprendiz", não ficou com a cobiçada vaga na Wunderman em Nova York (EUA), mas sua performance foi reconhecida pelo publicitário e apresentador do programa, Roberto Justus. "Grande Nakao, você conquistou o país com seu estilo, ética, inteligência. Você nos ensinou como cair em pé com dignidade. Obrigado por valorizar o Aprendiz", escreveu o executivo na dedicatória do seu livro "Construindo uma Vida".

Engenheiro civil pela USP com MBA pela FGV, Nakao foi o 11º candidato a sair do programa, mas retornou no episódio final para reforçar a equipe de um dos finalistas. Ao todo, foram quase quatro meses longe da família. O isolamento foi um dos principais fatores do desgaste sofrido pelo candidato. "O reencontro com minha esposa foi, sem dúvida, o momento mais emocionante destes últimos quatro meses. A meu ver, um homem precisa do amor e da família para dar o máximo de si e ser o melhor possível. E isto eu tenho, pois minha esposa é uma benção de Deus em minha vida", enfatiza.

Profissionalismo

Nas salas de reunião do programa, onde geralmente um dos candidatos é demitido sob um fogo cerrado, Nakao diz ter aprendido outra valiosa lição: a frieza necessária nos momentos decisivos. Em nenhum momento, ele se excedeu com os concorrentes, conselheiros e com o CEO do programa, Roberto Justus. "Sou aguerrido em atitudes, porém não transpareço agressividade jamais aos meus colegas de trabalho", diz.

Futuro

Após concluir sua participação no programa, Nakao retoma seus projetos. Ele pretende assumir em breve uma posição de executivo em uma grande empresa e trabalhará para chegar à diretoria de uma corporação dentro de cinco anos. "Já fui convidado para processos seletivos. Posso apenas dizer que são grandes corporações e propostas para cargos gerenciais", conta.

 
Entrevista

Nippo: Qual foi o maior aprendizado nesses quatro meses de confinamento?
Carlos Nakao:
O aprendizado obtido pode ser dividido em dois planos: pessoal e profissional. No plano pessoal, a maior lição foi o fortalecimento de princípios que já tinha antes mesmo do programa: a valorização da família, da rede de amigos e da espiritualidade. De fato, a ausência da família e amigos gerou um abalo psicológico considerável. Quanto ao aprendizado no plano profissional, foram inúmeras as lições. Dentre estas lições destaco o equilíbrio emocional sob extraordinária pressão.

Nippo: Você tem influência dos hábitos da cultura japonesa em sua formação? Se sim, como isso o ajudou durante o programa?
CN:
Sem dúvida, os hábitos da cultura japonesa exerceram enorme influência em minha formação. Destaco a disciplina, a persistência e o respeito à hierarquia como pontos que herdei de minha família e que apresentei no programa. Estes pontos me ajudaram extraordinariamente em minha vida, especialmente em minha formação acadêmica, e no programa, na tolerância ao confinamento, na execução das tarefas e nas temidas salas de reunião. Porém, faço parte de uma segunda geração nascida no Brasil, que por isso mesmo, apresenta também fortes traços da cultura brasileira, tais como a espontaneidade, a alegria e a sociabilidade.

Nippo: Já foi para o Japão? O que gosta da cultura japonesa?
CN:
Infelizmente, não tive oportunidade de ir ao Japão, país que admiro muito e tenho enorme desejo de conhecer. Da cultura japonesa, além da culinária extraordinária, gosto da postura do povo japonês: aguerrido, trabalhador, disciplinado e acima de tudo, vencedor.

Nippo: Por que acha que não foi o escolhido?
CN:
Acredito piamente que o Roberto e seus conselheiros são justos e imparciais, aceito e respeito suas decisões tomadas no programa. Não acredito que falhei especificamente em algum ponto, apenas não apresentei características profissionais adequadas para uma vaga em marketing.

Nippo: O que achou da escolha de Anselmo como o vencedor do programa?
CN:
Acho que o Anselmo demonstrou uma vontade insuperável de vencer o programa. Este é seu ponto mais forte. Além disto, demonstra ótima postura e boa articulação. Sob este prisma, mereceu vencer o programa. No entanto, acredito que ele tenha alguns pontos a desenvolver no plano profissional, especialmente quanto à gestão de equipes e relacionamento interpessoal. Quanto a sua adversária na final, a Bia, ela está ligeiramente melhor preparada em alguns aspectos profissionais importantes, tais como liderança e geração oportuna de idéias. Contudo apresentou uma postura, em diversos aspectos, inferior a do Anselmo.

Frente a este cenário, julguei por bem, anular meu voto. Pois a meu ver, analisando a performance de ambos no decorrer do programa, eles se equivalem.

(*Colaboração Cinthia Yumi/NB)

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