Fale conosco: webmaster@nippo.com.br  
Central de atendimento: (11) 5904-6444  ou 0800-109254(outros estados)  
    Horário de Brasília: Segunda-feira, 08 de setembro de 2008 - 11h16
Destaques: Curso de JaponêsCulináriaHoróscopoMangáInício    
  Busca
  Jornal Nippo-Brasil
-
  Variedades
-
  Esportes
-
  Reflexão
-
  Empregos no Japão
-
  Publicidade

  Classificados
-
  Interatividade
-
  Correspondência
-
  Assine o Jornal
Caderno Entrevista

Renato Nakaya, “o rei do shoyu no Brasil”
Sakura completou 65 anos de atividades, sob o comando do caçula do fundador, Suekichi Nakaya, abocanhando mais de 80% do mercado nacional do molho de soja

(Texto: Helder Horikawa/NB | Fotos: Luiz Fernando Pelegrini/RH Fotografias)

Sessenta e cinco anos. Fazer uma empresa sobreviver por todo esse tempo, em um país onde, a cada dez novos empreendimentos lançados anualmente, sete fecham as suas portas antes de cinco anos de vida, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), parece ser algo utópico. Mas, baseada em seriedade, responsabilidade, respeito e disciplina, a Sakura Nakaya Alimentos Ltda. orgulha-se de chegar à “terceira idade” na liderança do mercado. Especialmente quando o assunto é molho de soja, o tradicional shoyu para os japoneses e que tão bem foi aceito entre os brasileiros.

Chegar ao topo com mais de 80% do mercado nacional no quesito shoyu não foi uma tarefa fácil. Ainda mais para uma empresa familiar que tinha, a princípio, a meta apenas de abastecer, no final da década de 30, os pontos de secos e molhados da capital paulista que vendiam produtos aos imigrantes japoneses. A Sakura cresceu. E muito. O fundador, Suekichi Nakaya, faleceu em fevereiro de 1984, aos 76 anos. Desde então, o comando da empresa está nas mãos de Renato Kenji Nakaya, o caçula de três irmãos do casal Suekichi e Chiyoko (a mãe faleceu em outubro de 96).

Com 61 anos de idade, completados no dia 9 de setembro, Renato assumiu a presidência da Sakura com olhos de grande empreendedor. Já ocupara, antes disso, a superintendência da empresa em 1971. “Teve uma época que tivemos a idéia de parar com a empresa. O objetivo dos meus pais era formar os filhos e nos preparar para enfrentar o mercado de trabalho”, confessa. Entre continuar com a Sakura e buscar um novo emprego, não pensou duas vezes. Optou pela primeira.

O sucesso da Sakura, hoje com uma gama de 270 produtos, não deixa a menor dúvida de que Renato Nakaya acertou na escolha. O carro-chefe ainda é o tradicional shoyu, criado em uma fórmula que mistura a soja e o milho, algo sem igual no mercado. Mas também produz missô (massa de soja), conservas, molhos para salada, coberturas, vinho e até saquê.

Em família

Diariamente, Renato é um dos primeiros a chegar à matriz da Sakura, na zona leste de São Paulo, e o último a sair. À exceção de Priscilla, 30, que mora na Suécia, onde trabalha com pesquisa na área econômica na Organização das Nações Unidas, ele colocou os filhos Henry (29), Régis (27) e Melline (24) no comando das empresas. A última, por exemplo, está à frente da Kenko Ken Star, uma construtora iniciada pelo próprio empresário em 1975. Régis, fisioterapeuta de formação, avança na área de agrobusiness (desde 2004, a empresa cultiva a própria soja em uma fazenda em Uberaba, Minas Gerais) e Henry controla o Marketing da Sakura.

Bom empresário e bom pai. Quando pode, faz questão de almoçar diariamente com a mulher e os filhos. Além disso, os finais de semana são dedicados à família.

O carinho que tem com a família também é extensivo aos 300 funcionários da empresa. “Funcionários não, colaboradores”, costuma dizer. Nas quatro unidades da Sakura, em São Paulo, Boituva, Presidente Prudente (SP) e Ouvidor (GO), os termos funcionário, empregado e trabalhador foram abolidos. Não raramente Renato é flagrado conversando de forma bem humorada com alguns deles. “Graças a Deus, temos bons colaboradores. Eles crescendo, a empresa também cresce”.

Crescimento

Nesse princípio de colaborador cresce a empresa ganha, a Sakura solidificou-se no mercado. Em nada lembra aquele pequeno empreendimento caseiro, ainda no bairro do Brooklin, fundado por Suekichi Nakaya em 2 de outubro de 1940.

No processo histórico da empresa, há um detalhe que poucos conhecem. A Sakura Nakaya Alimentos surgiu com esse nome apenas em 1978, após a fusão da S.Nakaya (de Suekichi Nakaya) e H.Nakaya (Hidekazu Nakaya, que tinha a fábrica de shoyu Cereja), em Prudente. “Não havia cabimento empresas da mesma família estarem disputando espaço no mesmo mercado”, recorda Renato. Hidekazu é irmão de Suekichi.

Histórias à parte, a Sakura quer agora expandir sua atuação, inclusive no mercado externo. As exportações, iniciadas em 2000, representam hoje 5% do faturamento da empresa. A meta é chegar, em um curto espaço de tempo, a 30%. Para isso, a fábrica de Boituva passa por um processo de ampliação que, uma vez finalizada, se tornará a maior de todas as quatro.

Também a curto prazo, a Sakura espera diversificar sua linha de produtos, utilizando, além das fábricas próprias, as 22 operações terceirizadas, inclusive uma no Japão e outra nos Estados Unidos.


Nippo-Brasil - No Brasil, segundo uma pesquisa do Sebrae, sete em cada dez empresas abertas fecham as suas portas antes de completar cinco anos de funcionamento. O empreendedor de hoje está despreparado para o mercado, ou os planos econômicos simplesmente “matam” essas empresas, com uma imensa carga tributária e poucos recursos de avanços?
Renato Nakaya -
A carga tributária, a burocracia e toda a complexidade do Custo Brasil impedem a sustentabilidade dos negócios. Empreendedores temos aos montes e muitos estão preparados, mas são vitimados pelo sistema, que serpenteia e cerceia o crescimento da maioria deles. O dekassegui é um bom exemplo. Por isso, ele prefere ir ao Japão, onde consegue fazer uma boa renda pelo trabalho desenvolvido.

NB - O senhor diz que o dekassegui é um bom empreendedor, mas alguns especialistas dizem que muitos desses brasileiros que retornam do Japão estão, na verdade, despreparados para ministrar seus negócios.
Renato -
Eu acredito que não, porque tudo está mudando. Está ficando cada vez mais complexo e difícil abrir e manter um negócio no Brasil. Há cinco ou dez anos, não tínhamos tanta complexidade, especialmente na área tributária, como temos hoje.

NB - Então, comparativamente, o senhor, que está no comando de uma grande empresa há mais de três décadas, pode dizer que era mais fácil abrir uma empresa no passado do que nos dias de hoje?
Renato -
Ah, sem dúvida. Não digo mais fácil, mas mais prático. Havia uma perspectiva de sustentabilidade muito maior do que os dias de hoje.

NB - O Brasil mudou recentemente sua Lei de Falências. Isso vai facilitar a reestruturação das empresas?
Renato -
Acredito que sim, pois abre-se um pulmão a mais para que essas empresas em dificuldade possam se reorganizar para retomar suas atividades normalmente. Na teoria, a Lei das Falências é muito bonita. Mas precisamos ver o funcionamento na prática.

NB - E o que o senhor diz sobre a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, ainda em discussão no Congresso?
Renato -
Desconheço o conteúdo global desse projeto. Mas, pelo que sei, é uma formatação para darmos uma chance às pessoas empreendedoras que queiram um lugar ao sol.

NB - Para uma empresa como a Sakura, que completa 65 anos neste mês, quais os segredos de sucesso para se manter e continuar crescendo no mercado?
Renato -
Seriedade, responsabilidade, respeito, disciplina e reciprocidade. E o comprometimento com o ser humano. A nossa empresa fabrica alimentos e a responsabilidade é muito grande.

NB - Durante anos o Japão foi o principal parceiro do Brasil na Ásia. Hoje, o posto é ocupado pela China, a principal força emergente na economia mundial. É difícil lidar com os investidores japoneses?
Renato -
Não digo que é difícil. O Japão é exemplo de trading. Os japoneses compram e vendem praticamente de tudo. Essa experiência nós, brasileiros, precisamos desenvolvr melhor. Temos que fazer mais a lição de casa. Precisamos aprender e aperfeiçoar nossas maneiras de negociar com os japoneses. Todas as parcerias necessitam de monitoramento constante. Também não podemos esquecer que a China detém a maior massa populacional do planeta e está mais próxima do Japão do que o Brasil.

NB - Desde 99, o governo brasileiro discute com o japonês a abertura de uma área de livre comércio entre os dois países. O senhor acha que isso seria possível a curto e médio prazo?
Renato -
É uma questão complexa. Todos os países querem defender o seu peso na balança. Nós temos que estar sempre em negociação. Os momentos que se passaram não serão iguais aos próximos. Temos que nos adaptar para atender às exigências. O Japão é muito assediado por outros países. Por isso, temos que estar preparados e usar a inteligência para adaptarmos a exigência deles com as nossas necessidades. É preciso um planejamento não só de curto e médio, mas de longo prazo também. Nada acontece da noite para o dia. É preciso trabalho, como disse, sempre constante.

NB - E nessa questão de livre comércio, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, esteve recentemente na China. No ano passado, brasileiros e chineses fecharam importantes acordos em determinadas áreas. Mas há muitos setores preocupados com essa invasão asiática no Brasil. No setor alimentício, há algum temor com a chegada de produtos daquele país?
Renato -
Tudo é preocupante. A China tem uma força de trabalho muito maior do que a nossa e tem um índice de potencialidade produtiva maior do que o do Brasil. Nós ainda temos uma carga tributária alta e difícil e tudo isso encarece e dificulta o nível do Custo Brasil. Por isso, nós, do setor alimentício, entendemos que a tradição, a cultura e o sabor de nossos produtos são característicos, mas não podemos desconsiderar que os asiáticos podem ajustar esses fatores, inclusive com o agravante dos preços baixos.

NB - O Banco Central baixou, recentemente, a taxa básica de juros de 19,75% para 19,5%. Pouco para muitos especialistas, mas o ministro da Fazenda, Antônio Palloci, disse que os juros vão continuar caindo. Com essa pequena redução, já dá para prever um cenário mais favorável na economia brasileira?
Renato -
A redução da taxa de juros vai incrementar a economia, sem dúvida. Para a empresa que necessita tomar dinheiro de terceiros ou de instituições financeiras, tudo isso vai pesar no custo de um produto. Mas é preciso a taxa cair ainda mais, para aumentarmos a produtividade e, conseqüentemente, a nossa competitividade, especialmente com o mercado externo. Se a tendência de queda for atendida, o nosso cenário futuro poderá ser visto com mais qualidade.

NB - A rota de crescimento que o Brasil tem hoje, comprovado em números pela própria balança comercial, era, para muitos, algo esperado. Ou seja, não é mérito exclusivo do atual governo.
Renato -
O crescimento era esperado, já sabemos. A farra política, se fosse menor, e se o País tivesse uma governabilidade mais lúcida e sensata, o povo acreditaria e produziria muito mais. O momento político que vivemos é que assusta. Nós, empresários, vivemos sobressaltos e um momento de muita insegurança.

NB - Mas, na prática, qual governo tem se saído melhor: o de Fernando Henrique ou de Lula?
Renato -
Há mais de duas décadas estamos experimentando e aguardando por melhores realizações. Não posso dizer se um governo foi ou é melhor do que o outro, mas posso afirmar que a qualidade de vida dos brasileiros melhorou bastante. Mas ainda temos muito o que mudar.

NB - Recentemente, o Brasil vendeu papéis brasileiros no mercado externo, com vencimentos em 2016. Angariou, com as vendas, cerca de R$ 3,5 bilhões. É sinal de que o Brasil, mesmo com os problemas internos políticos e econômicos, ainda é a menina dos olhos do mercado externo?
Renato -
O capital é muito volátil. Hoje, os investidores não têm só o Brasil como seu target. Ele tem uma gama de países onde pode investir. O Brasil tem sido apenas uma opção.

 Arquivo - Entrevistas
• Maia Hirasawa
Novo talentos do meio musical.
• Leonardo Sakamoto
Defensor dos direitos humanos.
• Ruth Cardoso
Respeito pelos imigrantes japoneses.
• Marcos Tumura
Ator, cantor e bailarino. Marcos Tumura é praticamente o espetáculo em pessoa.
• Kyoko Suzuki
História verídica de mãe japonesa inspirou filme exibido na última Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
• Marcelo Katsuki
Arquiteto, cozinheiro, artista, jornalista, DJ. Fica difícil definir uma personalidade como a de Marcelo Katsuki.
• Cristina Rocha
Estudiosa do budismo e do zen, Cristina é uma das pesquisadoras mais respeitadas do País.
• Sonia Ushiyama
Praticidade e visual fazem parte do vocabulário da estilista, uma das pioneiras no ramo de brechós do Brasil.
• Ricardo Takahashi
O fisioterapeuta é muito conhecido no meio esportivo.
• DJ Wander Yukio
Conhecido por sua irreverência, o DJ Wander Yukio agita a noite paulistana como ninguém
• Chef Carlos Ribeiro
É um dos fenômenos da culinária oriental no Brasil
• Débora Tavares
A haicaísta é um dos destaques da vida literária de São Paulo
• Fabiana Shizue
"Minhas ilustrações são delicadas, femininas e, às vezes, minimalistas"
• Fabio Namatame
Figura importante nos bastidores de grandes espetáculos.
• Sérgio Yamasaki
Envolvido em produções de sucesso, como a propaganda dos famosos “limõezinhos” da Pepsi e dos “peixinhos” da H2OH!
• Marly Yajima Fagliari
Farmacêutica e empresária desenvolveu importantes trabalhos na indústrias de cosméticos.
• Adam Sun
Jornalista e tradutor, trabalhou na China e desenvolveu importantes trabalhos em grandes revistas.
• Yumi BBB 7
Eliminada do reality show, a modelo estuda propostas para apresentar um programa no Brasil.
• Kikuko Nishibayashi
Consulesa fala do Brasil e comunidade
• Carlos Nakao
O primeiro nikkei a participar de "O Aprendiz"
• Roger Cruz
Responsável pelos desenhos de Hulk, Homem-Aranha, X-Men, entre outros, Roger conta como chegou ao mercado americano de histórias em quadrinhos
• Helena Hirata
Uma luta pela emancipação feminina
• Ken Yamazato
O engenheiro de pipas
• Mari Hirata
Paixão pela gastronomia
• Fábio Yassuda
O contador de “causos”
• Renato Nakaya
“O rei do shoyu no Brasil”
• Ivonice Satie
Uma bailarina na flor da idade
• Megumu Ishiguro
Avida por trás do animê
• Mariko Nakahira
Uma cantora sem fronteiras
  © Copyright 1992-2008 - Jornal Nippiasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br