|
(Foto:
Divulgação)
A longa história
do Japão e de seu povo e as características de país
insular podem nos transmitir a idéia de unidade étnica.
Porém, o que hoje conhecemos como povo japonês é fruto
de uma longa mestiçagem entre o protótipo do japonês
antigo com o protótipo do japonês moderno. O japonês
antigo originou-se da união entre os neomongolóides (provenientes
do norte da Ásia) e dos protomongolóides (oriundos do sul
da Ásia), que teriam chegado às ilhas do Japão durante
a última era glacial (18 a 10 mil anos atrás). Por sua vez,
o japonês moderno originou-se a partir da mestiçagem entre
o japonês antigo e os imigrantes da Coréia e da China, que
chegaram ao Japão no início da era cristã e que possibilitaram
um desenvolvimento técnico e intelectual sem precedentes.
Minorias
étnicas
Com o decorrer
dos séculos, fatores geográficos ou sociais, como distância
das regiões centrais e funções exercidas na sociedade,
perpetuaram algumas minorias que se tornaram alvo de preconceitos. Hoje,
nas extremidades norte e sul do Japão, temos, respectivamente,
os ainu (em Hokkaido) e os uchinanchu (em Okinawa), minorias qualificadas
como de outra etnia diversa ao japonês. Porém, também
há o preconceito com grupos que não apresentam diferenças
étnicas ou lingüísticas de nenhuma espécie,
como os hibakusha (sobreviventes das bombas atômicas de Hiroshima
e Nagasaki), os shintai shogaisha (deficientes físicos) e os burakumin
(os antigos eta).
De eta a
burakumin
O jornalista
norte-americano Patrick Smith, em seu livro Japan: a reinterpretation,
descreve os burakumin: Dentre os outros japoneses, os
burakumin são os menos estranhos e, ao mesmo tempo, os mais curiosos
(Smith, 1997, pp. 273). (...) Os ancestrais dos burakumin eram associados
aos animais e aos cadáveres humanos. Seu status é dito ser
um reflexo da ênfase xintoísta na poluição
simbólica. Então, eles eram chamados de eta, uma antiga
palavra cujo significado é sujeira abundante
(Smith, 1997, pp. 274). Trabalhavam com armaduras, selas de cavalos e
armas feitas de ossos e outros materiais. Por isso, os feudos competiam
por seus produtos, uma vez que os samurais os utilizavam. Assim, os eta
prosperaram. Na Era Edo (1600-1868), eram obrigados a vestir símbolos
em suas roupas e proibidos de freqüentar as casas de pessoas comuns.
Em 1871, o governo Meiji aboliu as antigas discriminações
e transformou os eta em plebeus comuns. Assim, passaram a ser chamados
de burakumin (habitantes de vilarejos) e habitavam comunidades demarcadas.
Cientistas
tentaram atestar suas diferenças em relação aos japoneses,
medindo seus crânios e testando seu sangue, afirmando que, geneticamente,
eram coreanos ou descendentes de uma raça aborígine proveniente
da ilha Sacalina. Tais pesquisas foram inconclusivas. Smith diz haver
6 mil buraku em todo o Japão, com 3 milhões somente em Osaka.
Os burakumin são japoneses, falam o mesmo idioma, têm os
mesmos costumes, mas são discriminados apenas por causa da função
social exercida no passado. Por isso, são considerados diferentes
da maioria da população japonesa.
|