Paisagem
com técnica
haboku, de Sesshû Tôyô |
(Ilustrações:
Divulgação)
Sumi-ê
é a arte da pintura feita com tinta preta sumi. Conhecida, inicialmente,
como suibokuga (água sumi-pintura), sua
origem vincula- se aos mosteiros budistas chineses da Dinastia Sung (960-1274)
e sua introdução no Japão remete ao século
XIV, juntamente com a entrada da doutrina zen-budista no país.
O material
usado em sua prática compreende pincéis de diferentes tipos,
absorventes papéis chineses e japoneses, além, é
claro, da própria tinta sumi, feita a partir da fuligem
de pinheiros (ou de óleos vegetais), finamente moída e misturada
ao aglutinante nikawa, e do suzuri, instrumento empregado
para o preparo da tinta (friccionase o bastão de sumi no
suzuri comágua e, assim, produz-se tinta de diversas tonalidades).
Elementos
Fundamentais
Dois são
os elementos fundamentais do sumi-ê: a linha e o espaço,
que se definem mutuamente. E, apesar de monocromática, essa arte
envolve uma vasta gama de tons, o que leva o observador a visualizar cores
por meio de sua imaginação. Além disso, em muitas
das pinturas assim executadas, o objeto representado não é
concluído, o que faz com que o observador complete as formas que
são apenas sugeridas pelo artista.
No Japão,
Sesshû Tôyô (1420-1506) é considerado o maior
expoente de sumi-ê o criador doestilo japonês.
Sesshû estudou o estilo de pintura chinês com o mestre de
sumi-ê Shûbun e pôde ir, ele próprio,
à China, a fim de conhecer de perto sua arte e paisagens. O estilo
que desenvolveu, conhecido como haboku (tinta-que-corre),
enfatiza não uma representação detalhada, mas, com
um trabalho mínimo dos pincéis e da água, uma sugestão
imaginativa de manchas e texturas que, entretanto, transformam-se em paisagens.

Pássaro
em uma árvore árida,
de Miyamoto Musashi |
Sumi-ê
no Brasil
No Brasil,
por sua vez, considera-se Massao Okinaka (1913-2000) como o artista de
sumi-ê de maior destaque. Okinaka nasceu em Quioto e estudou
sumi-ê com Onishi Kakyo (escola Sanae). Em 1932, veio para
o Brasil, onde difundiu largamente essa arte, inclusive no meio acadêmico.
Também
é bastante apreciado o trabalho do japonês Yoshiya Takaoka
(19091978), que, tendo emigrado em 1925 para Cafelândia (Estado
de São Paulo), presenteou o público com pinturas fluidas
e essenciais com pincel fude e tinta sumi.
Talento
Samurai
O espadachim
mais famoso do Japão, Miyamoto Musashi (1584-1645), também
foi um renomado artista de sumi-ê. Em suas obras, há
vestígios não apenas do olhar de um artista, mas também
do de um guerreiro. Em Pássaro em uma árvore árida,
por exemplo, verifica-se isso tanto nos traços, intensos, vívidos,
quanto na temática da obra: um pássaro solitário,
em equilíbrio frágil, porém, contido e pronto para
a ação.
|