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Caderno Cultura-Tradicional

Superstições japonesas
Você mora no apartamento 43 do 4º andar? A placa de seu carro tem
os números 4 ou 7? Você costuma sentir sono após o almoço? Conheça, a seguir, algumas das crenças do arquipélago

(Foto: Divulgação)

A superstição é algo presente em várias culturas ao redor do planeta. No Japão, não é diferente. Questões como a morte, a doença e a má sorte, possuem muitas tradições supersticiosas que sobrevivem às gerações.

Os números e a morte

Muitos japoneses evitam o número 4 ( “shi”, em japonês) por associá-lo ao ideograma “shi” , que significa morte. O mesmo ocorre com o número 7, “shiti” , que é a combinação dos sons “shi” (morte) e “ti” (sangue). Por isso, evita-se comprar carros com placas que tenham esses números. Alguns hospitais, por exemplo, não possuem quartos com a numeração 4, 9, 14, 19, ou 42, pois a combinação destes sons sugere ocorrências desagradáveis ao enfermo.

O número 9, “ku” , remete à dor e ao sofrimento . O número 4-2 é pronunciado “shi-ni” , que significa “vai morrer”, 4-2-0, “shi-ni-rei” , significa “espírito que morre” e os números 2-4, “ni-shi” , têm a mesma pronúncia de “duas mortes”. Nas maternidades, evita-se especialmente o número 4-3, “shi-zan” , pois esse som remete à palavra “criança que nascerá morta”.

E os costumes à mesa não ficam de fora, mesmo quando o assunto é morte. Um exemplo: jamais se finca o hashi na tigela de arroz durante as refeições, pois, nos funerais, o hashi é utilizado para pegar os ossos que foram cremados e esse ritual termina com o gesto de fincar o hashi nas cinzas.

Outra superstição muito popular é a de nunca dormir com a cabeça voltada para o norte, pois é justamente nessa direção que se posiciona a cabeça do cadáver nos funerais budistas.

Acredita-se também que a construção de uma casa influi na sorte do seu morador. Desde tempos remotos, evitava-se construir a entrada da casa voltada para a direção nordeste, pois se acreditava-se que era pelo kimon (“ki” = demônio; “mon” = entrada) que os onis (demônios) entravam. Essa superstição é levada a sério até hoje.

Bebês, espirros e orelhas coçando

Há outras superstições que, para os ocidentais, podem parecer engraçadas, como a de que, quando o seu nariz coça, é sinal de que alguém que você conhece terá um bebê.

Já o fato de espirrar uma vez significa que estão falando bem de você, mas se você espirrar duas vezes... significa que há pessoas falando mal a seu respeito. Entretanto, nem tudo está perdido! Saiba que, se você espirrar três vezes, é porque alguém o ama de verdade e, se a sua orelha coçar, você terá boas notícias.

Além disso, se a primeira pessoa que você encontrar ao sair de casa for uma mulher, anime-se, pois este será um dia de sorte, mas, se for um sacerdote budista, é melhor dar meia-volta e ir para a cama, pois o dia não será nada bom.

No Japão, no Brasil

No quadro acima, há alguns exemplos de superstições que em nada se assemelham às crendices brasileiras. Mas existem algumas outras tradições que são muito parecidas, como, por exemplo, evitar passar debaixo da escada e não deixar o gato preto cruzar a estrada. Estas, também no Japão, devem ser evitadas para não dar azar. Outra superstição em comum é que, nas cidades do interior, evita-se assoviar à noite, para não atrair as cobras.

Bem, em meio a tantas superstições, podemos entender o porquê de os santuários e os templos japoneses oferecerem tantos tipos de amuletos, não é mesmo? Aqui vale o ditado: “Na dúvida... é melhor prevenir do que remediar!”

 
Preocupações diversas...

Sabe aquela sonolência após o almoço? Cuidado! Você pode não ser mais o mesmo ao acordar. Segundo as crenças japonesas, essas famosas sestas podem transformá-lo em uma vaca!

• Quando estiver dormindo com uma pessoa e esta começar a conversar, pense bem antes de lhe dizer algo, pois o ato de falar com uma pessoa dormindo pode lhe trazer má sorte no dia seguinte.

• Se você é daqueles que costuma tirar fotos com amigos e familiares para registrar os bons momentos que partilharam juntos, saiba que, segundo os japoneses, a pessoa que é fotografada entre duas pessoas é a primeira a morrer. Portanto, pense bem em como vai tirar a próxima foto!

• Evite cruzar um funeral que estiver passando na rua. Caso contrário, é má sorte na certa!

• Se você gosta de seus pais, evite cortar as unhas à noite, caso contrário, não poderá estar ao lado deles no leito de morte.


Colaboradores: Camila Rodrigues
Revisão: Profa. Lica Hashimoto

Crédito: Bolsistas de Toyama 2005/2006, curso de Língua e Literatura Japonesa (FFLCH/USP). Coordenação: Koichi Mori. Assessoria técnica: Patrícia Izumi. Centro de Estudos Japoneses/USP. Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria)/3091-2423 (biblioteca).
Site: www.fflch.usp.br/dlo/cejap

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