
Convivência dos japoneses com a natureza possui tanto tempo
quanto a própria civilização
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(Fotos: Divulgação)
Os tradicionais
jardins japoneses constituem um dos pontos representativos da cultura
nipônica, sendo reconhecidos por sua beleza e complexidade singulares
em qualquer parte do mundo.
Os jardins
japoneses, como os conhecemos hoje, construídos a partir de diversos
conceitos estéticos e religiosos, tiveram sua origem a partir do
período auge da aristocracia japonesa, a Era Heian (794~1185).
Mas, na verdade, a convivência dos japoneses com o manuseio da natureza
possui tanto tempo quanto a própria civilização.
Desde a pré-história do arquipélago (Era Yayoi, 300a.C.~300d.C.),
quando o homem primitivo tomou consciência da agricultura, fixando-se
em pequenas vilas, a disposição da paisagem natural passou
a influenciá- lo e por ele ser influenciada. Como resultado desse
processo, os jardins expressam a relação do homem com a
natureza, a qual foi sendo concebida e aprofundada, com o passar do tempo,
por meio de conceitos espirituais, estéticos e intelectuais.
| A
jardinagem concentra concepções religiosas |
Para que se
entenda o real significado desse tipo de jardim, é necessário
que se compreenda a peculiar relação dos japoneses com os
elementos da natureza, uma vez que, para eles, além de ser a origem
da vida e da terra onde vivem, a natureza também compreende a morada
das divindades (kami). Segundo a crença religiosa japonesa, o Xintoísmo
(Shinto) define a origem do Japão e de seu povo por meio de divindades
que controlam a vida e as forças naturais (a história da
formação do Japão e de seu povo foi concebida a partir
da compilação de mitos antigos denominada Kojiki, ou Relatos
de Fatos do Passado). Dessa forma, localidades exóticas como cachoeiras,
árvores anciãs ou grandes rochas, representações
muito freqüentes na arte da jardinagem, podem ser consideradas sagradas,
por simbolizarem a morada das divindades naturais.
Ideogramas
e Significados
As palavras
que, na língua japonesa, costumam ser mais usadas para denominar
jardim são niwa e sono,
ambas registradas pela primeira vez em literatura na primeira compilação
poética japonesa, do início do século VIII, chamada
Manyôshû. O primeiro ideograma denomina um território
não controlado pelo homem, de característica mais natural,
e o segundo um território cercado, uma natureza de característica
mais controlada. O interessante é que ambos os ideogramas podem
ser usados juntos, tomando a pronúncia chinesa Teien,
que siginifica não apenas a palavra jardim, mas também
expressa um conceito básico da arte da jardinagem: o equilíbrio
entre a beleza natural e aquela construída pelo homem.
A jardinagem,
como uma arte propriamente dita, foi introduzida ao Japão pela
China e Coréia, nas Eras Asuka (552~710) e Nara (710~794), períodos
marcados pela grande importação de conceitos religiosos
e culturais. Essa importação ocorreu por meio da vinda ao
Japão de alguns especialistas nessa arte, como o imigrante coreano
Michiko Takumi, citado na compilação histórica Nihon
Shoki (Crônicas do Japão, datada do início do século
VIII), como um artista que construiu um jardim no Japão no século
VII, chamando a atenção do povo japonês para a beleza
dessa arte.
A jardinagem
que concentra concepções religiosas e intelectuais passou
a se desenvolver a partir desses períodos, tomando diferentes significados
e formatos. Na edição 411, veremos uma pequena descrição
histórica dos principais tipos de jardins, seus conceitos de construção
e significados.
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