Fale conosco: webmaster@nippo.com.br  
Central de atendimento: (11) 5904-6444  ou 0800-109254(outros estados)  
    Horário de Brasília: Sexta-feira, 29 de agosto de 2008 - 19h57
Destaques: Curso de JaponêsCulináriaHoróscopoMangáInício    
  Busca
  Jornal Nippo-Brasil
-
  Variedades
-
  Esportes
-
  Reflexão
-
  Empregos no Japão
-
  Publicidade

  Classificados
-
  Interatividade
-
  Correspondência
-
  Assine o Jornal
Caderno Cultura-Tradicional

Jardins Japoneses: Nihonteien (Parte 1)

Convivência dos japoneses com a natureza possui tanto tempo quanto a própria civilização

(Fotos: Divulgação)

Os tradicionais jardins japoneses constituem um dos pontos representativos da cultura nipônica, sendo reconhecidos por sua beleza e complexidade singulares em qualquer parte do mundo.

Os jardins japoneses, como os conhecemos hoje, construídos a partir de diversos conceitos estéticos e religiosos, tiveram sua origem a partir do período auge da aristocracia japonesa, a Era Heian (794~1185). Mas, na verdade, a convivência dos japoneses com o manuseio da natureza possui tanto tempo quanto a própria civilização. Desde a pré-história do arquipélago (Era Yayoi, 300a.C.~300d.C.), quando o homem primitivo tomou consciência da agricultura, fixando-se em pequenas vilas, a disposição da paisagem natural passou a influenciá- lo e por ele ser influenciada. Como resultado desse processo, os jardins expressam a relação do homem com a natureza, a qual foi sendo concebida e aprofundada, com o passar do tempo, por meio de conceitos espirituais, estéticos e intelectuais.

A jardinagem concentra concepções religiosas

Para que se entenda o real significado desse tipo de jardim, é necessário que se compreenda a peculiar relação dos japoneses com os elementos da natureza, uma vez que, para eles, além de ser a origem da vida e da terra onde vivem, a natureza também compreende a morada das divindades (kami). Segundo a crença religiosa japonesa, o Xintoísmo (Shinto) define a origem do Japão e de seu povo por meio de divindades que controlam a vida e as forças naturais (a história da formação do Japão e de seu povo foi concebida a partir da compilação de mitos antigos denominada Kojiki, ou Relatos de Fatos do Passado). Dessa forma, localidades exóticas como cachoeiras, árvores anciãs ou grandes rochas, representações muito freqüentes na arte da jardinagem, podem ser consideradas sagradas, por simbolizarem a morada das divindades naturais.

Ideogramas e Significados


niwa

sono

Teien

As palavras que, na língua japonesa, costumam ser mais usadas para denominar “jardim” são niwa e sono, ambas registradas pela primeira vez em literatura na primeira compilação poética japonesa, do início do século VIII, chamada Man’yôshû. O primeiro ideograma denomina um território não controlado pelo homem, de característica mais natural, e o segundo um território cercado, uma natureza de característica mais controlada. O interessante é que ambos os ideogramas podem ser usados juntos, tomando a pronúncia chinesa Teien, que siginifica não apenas a palavra “jardim”, mas também expressa um conceito básico da arte da jardinagem: o equilíbrio entre a beleza natural e aquela construída pelo homem.

A jardinagem, como uma arte propriamente dita, foi introduzida ao Japão pela China e Coréia, nas Eras Asuka (552~710) e Nara (710~794), períodos marcados pela grande importação de conceitos religiosos e culturais. Essa importação ocorreu por meio da vinda ao Japão de alguns especialistas nessa arte, como o imigrante coreano Michiko Takumi, citado na compilação histórica Nihon Shoki (Crônicas do Japão, datada do início do século VIII), como um artista que construiu um jardim no Japão no século VII, chamando a atenção do povo japonês para a beleza dessa arte.

A jardinagem que concentra concepções religiosas e intelectuais passou a se desenvolver a partir desses períodos, tomando diferentes significados e formatos. Na edição 411, veremos uma pequena descrição histórica dos principais tipos de jardins, seus conceitos de construção e significados.


Colaboradoras: Pedro Ferreira Perrenoud Marques
Revisão: Profa. Dra. Junko Ota
Coordenação: Koichi Mori.
Crédito: Bolsistas de Toyama 2005/2006, curso de Língua e Literatura Japonesa (FFLCH/USP).
Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria),3091-2423 (biblioteca)
Assessoria técnica: Patrícia Izumi. Centro de Estudos Japoneses/USP.
Site: www.fflch.usp.br/dlo/cejap

 Arquivo - Cultura Tradicional
Divisão de grupos sociais
Sanshin
Pintura monocromática japonesa: Sumi-ê
Superstições japonesas
Oseibo (dar presentes)
Gatebol
Jardins Japoneses: Nihonteien (Parte 2)
Jardins Japoneses: Nihonteien (Parte 1)
Kao - moji
Além das palavras
Tatemae e honne
Zenga: A arte Zen
Budô
Jogos tradicionais de adultos
Jogos tradicionais infantis
Giri / Ninjô: Sentimentos conflitantes na literatura japonesa
Danças tradicionais do Japão
Go: o tradicional jogo “japonês”
A milenar arte da caligrafia
Eisâ no Brasil
Eisâ, a dança okinawana dos taikôs
Teatro tradicional Japonês
Senpai, dôhai e kôhai
Os eventos anuais e sua origens
Animais do folclore japonês - Parte II: Kitsune e Tanuki
Animais do folclore japonês - Parte I: O Gato e o Cachorro
A música tradicional japonesa e seus instrumentos
Arte japonesa: Haiga
Sumô: o esporte nacional do Japão
Além das palavras
As expressões de respeito da língua japonesa
Ritos de passagem
Kusudama
O geta e o zôri
As imperatrizes que governaram o Japão
A idéia de “métodos não limpos”
A história do pachinko
Takarakuji – A loteria no Japão
Shikona
Osenko, ou incenso
O suicídio antes e depois da internet
A história do ensino da língua japonesa no exterior
Cerimônias de casamento ontem e hoje
  © Copyright 1992-2008 - Jornal Nippiasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br