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Fotos:
(Divulgação)
Vários
são os elementos que atuam nos relacionamentos interpessoais dos
japoneses. Assim como nas demais culturas, o conflito entre a aparência
e a verdadeira intenção está presente na interação
entre os indivíduos. Porém, a necessidade de se manter a
cordialidade mesmo em situações conflitantes é mais
presente no Japão, exigindo, na maioria dos casos, certos cuidados
para não comprometer o relacionamento. Essa preocupação
é expressa pelas excessivas formalidades aos olhos ocidentais.
Os termos que
definem as aparências e as verdadeiras inteções são,
respectivamente, tatemae e honne. Tatemae é traduzido como aquilo
que é mostrado ou opinião coletiva e Honne
é traduzido como voz verdadeira ou opinião
pessoal. O peso entre essas posturas varia de caso a caso, mas a
prioridade entre uma ou outra tende a pender de acordo com o que for mais
adequado para o coletivo ou para a situação. Numa conversação,
os japoneses percebem rapidamente se o discurso do interlocutor está
ou não de acordo com sua real intenção. E essa intenção
por trás do discurso é algo que deve ser comunicado implicitamente,
justamente para se evitar o conflito.
Essa peculiaridade
do trato japonês normalmente causa confusão numa negociação
com ocidentais. A cultura ocidental privilegia a objetividade e, por isso,
quanto mais direta for uma rodada de negociação, melhor
para os dois lados. Porém, no Japão esse conceito muda,
o que torna necessário várias rodadas de negociação
até que se concretize a transação. O conflito é
inerente a uma negociação e, por isso, tatemae e honne são
amplamente usados para se manter a compostura e evitar atitudes extremadas.
Normalmente, um ocidental não tem meios para interpretar se o discurso
de um japonês está em acordo ou desacordo com seu honne,
isto é, se o japonês está apenas evitando um conflito
ao usar o tatemae.
A origem de
tatemae e honne pode ser explicada pela própria constituição
da sociedade japonesa. Nela, o coletivismo, ou seja, a preponderância
do coletivo sobre o indivíduo, é o que forma sua base; no
Ocidente, ocorre o inverso, pois a base da sociedade está pautada
no individualismo.
A sutileza
na interação entre tatemae e honne e a procura em evitar
conflitos e constrangimentos fez surgir expressões ambíguas,
que não significam enfaticamente nem sim nem não.
Dessa forma, sono uchini (em breve), izuremata (qualquer dia desses),
kentôshitemimasu (vamos analisar), maemukini kentô itashimasu
(vamos analisar favoravelmente), podem ser interpretadas como um sim provisório,
ou uma negativa não explícita.
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