
A
maior parte do repertório eisâ é composta pela
música folclórica okinawana
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(Fotos: Marcel
Uyeta e Divulgação)
Segundo a tradição
do Obon (Urabon-e, do sânscrito Ullambana), que acontece
em Okinawa entre os dias 13 e 15 de julho em outras regiões
do Japão ocorre em agosto , os espíritos ancestrais
voltam ao mundo dos humanos para visitar as suas famílias. Na última
noite do festival, após o simbólico retorno dos espíritos
ao seu mundo, grupos de pessoas dançam e cantam ao som de música
folclórica, acompanhada do taikô (tambor japonês).
Típica
da região de Okinawa, essa dança performática é
conhecida como eisâ e sua origem está nos cantos budistas
do início do século XVII, quando o monge Taichû Shônin
chegou a Okinawa introduzindo preces e cantos budistas. Adaptando-os a
uma linguagem mais acessível e adicionando-lhes melodia, o monge
conseguiu que fossem difundidos como poemas budistas de Ryûkyû
(antigo nome de Okinawa) e possíveis de serem cantados. Assim,
muitos monges começaram a especializar-se nesse tipo de prece,
e logo se tornou costume convidá-los para cantar os poemas aos
espíritos ancestrais no Bon Odori (dança do Obon). Graças
à demanda, esses monges, conhecidos por chondarâ, passaram
a incrementar o canto com danças budistas.
A origem da
palavra eisâ pode estar ligada à palavra wesa (), que aparece
na frase Iro Iro no wesa omoro (), do capítulo 14 do livro mais
antigo de Okinawa, Omoro Sôshi, uma compilação de
cânticos antigos da região, escrita sob auspícios
reais.
O estilo nas
performances de eisâ varia por distritos. Ainda hoje, a maior parte
do repertório das músicas eisâ é composta pela
música folclórica okinawana, apesar de suas origens remeterem
a canções de invocação a Buda, como Mamauya
Nenbutsu, uma das mais populares. Mais recentemente, grupos de sôsaku
eisâ (eisâ moderno) estão incorporando diversos tipos
de músicas em seus repertórios, incluindo até estilos
musicais do Ocidente.
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PÂRANKÛ: Pequeno taikô revestido por pele em apenas
um dos lados.
SHIME-DAIKO: Um pouco maior que o pârankû, é revestido
nos dois lados.
HATA
e HATAGASHIRA: Geralmente, as apresentações de eisâ
são acompanhadas por bandeiras (hata) que faziam parte dos ritos
de pedido de boas colheitas e livramento de pragas e doenças. O
hata é a ligação entre o mundo dos homens e o dos
espíritos e é por ele que a manifestação divina
se faz presente em rituais e celebrações. O hatagashira
traz a identificação de cada grupo de sôsaku eisâ.
CHONDARÂ:
Sua origem está na denominação dos monges que
entoavam preces budistas de Ryûkyû. Hoje, é o nome
dos animadores de público que circulam entre os participantes em
uma apresentação de sôsaku eisâ.
SANSHIN: Nome okinawano do shamisen, uma espécie de banjo de
origem chinesa de três cordas, revestido com couro de cobra.
MIN`YÔ:
Como é chamada a música folclórica.
ÔDAIKO:
O maior taikô usado no eisâ. É leve, se comparado
aos de outros estilos do Japão. É tocado preso ao ombro
por uma fita.
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