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Caderno
Cultura-Tradicional
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Teatro tradicional Japonês
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Estilos
encenados no arquipélago diferem muito do que é feito
no Ocidente
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(Foto: Divulgação)
Uma de suas
características é a aliança de drama com música
e dança. O teatro japonês em muito difere do ocidental, podendo
se aproximar, quando muito, aos formatos das óperas e dos musicais.
A primeira
referência a uma performance teatral pode ser encontrada no Kojiki
(Relatos dos Fatos Antigos), registro mais antigo do Japão datado
provavelmente de 712. A apresentação referida na obra seria
a dança realizada por Amano-Uzume-no-Mikoto para atrair Amaterasu,
a deusa-sol, para fora da caverna onde se escondera por causa dos malfeitos
de seu irmão, Susanoo-no Mikoto. Tal dança teria dado origem
às manifestações do corpo mais antigas genuinamente
japonesas, como, por exemplo, o kagura (dança xintoísta
executada para acalmar ou homenagear os deuses). Somando-se a outras danças
importadas, como o gigaku (dança budista de origem indiana que
chegou ao Japão via Coréia) e o bugaku (dança budista
trazida da China), além de a danças locais populares, como
o dengaku e o sarugaku, tornaram-se elementos essenciais dos quatro estilos
principais de drama no Japão: nô, kyogen, kabuki e bunraku.
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Nô
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Nô é
hoje a forma mais antiga, e talvez a mais famosa, de arte dramática
japonesa. Caracteriza-se por marcar o auge das danças-drama
que o precederam, tendo sido criado no século XIV por Kanami
Kiyotsugi (13331384) e seu filho Zeami Motokiyo (13631444).
O nô é conhecido no mundo principalmente pelo uso de máscaras
que cobrem apenas o rosto, deixando orelhas e pescoço à
vista, e por suas vestes luxuosas e movimentos lentos. Existem hoje, aproximadamente
250 peças para nô, sendo Zeami o autor mais prolífico,
mas apenas metade delas são encenadas com freqüência.
A ação no nô é relembrada, ou seja, a peça
é sempre uma recordação poética. Por isso,
as ações nem sempre são realizadas perante o público
(sendo apenas referidas) e os movimentos são tão estilizados
que um passo lento apenas poderia representar toda uma jornada. Apesar
de hoje existirem grupos femininos de nô, a maioria dos atores e
músicos do espetáculo ainda é composto por homens,
como antes.
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Kyogen
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As peças
de kyogen eram pequenas encenações cômicas representadas
entre as partes mais soturnas de nô. Adaptado ao nô com o
intuito de lhe aliviar a formalidade e o peso, o kyogen permanece vivo
como um estilo teatral autônomo hoje em dia. Restaram, até
a contemporaneidade, aproximadamente 250 peças de kyogen, cujos
temas variam em torno de sátiras de senhores feudais, aparições
de demônios e paródias de nô famosos ou de ensinamentos
do budismo. Nô e kyôgen pertencem, portanto, a uma única
tradição de encenação, sendo, no entanto,
estilos teatrais completamente distintos.
Assim como
o kyôgen e o nô estão ligados, o bunraku e o kabuki
também dividem muitos elementos. Ambos têm como origem básica
a primeira forma de arte-narrativa japonesa, realizada pelos biwa-hôshi,
sacerdotes cegos tocadores de biwa (alaúde japonês), que
cantavam as histórias do Heike Monogatari (Narrativas do
Clã Taira), obra da literatura japonesa do século
XIII acerca da guerra entre os clãs Taira e Minamoto, ocorrida
em 1185. Tal atividade, que se tornou imensamente popular, deu origem
ao jôruri, estilo de narrar entoando histórias acompanhadas
do recém-importado instrumento musical shamisen (banjo japonês).
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Bunraku
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Bunraku nomeia
as apresentações de bonecos japoneses. Bunraku, como se
conhece hoje, é o resultado da junção da parte dramática
jôruri com a encenação por bonecos. Também
chamado de ningyô jôruri, o teatro de bonecos foi extremamente
popular nos séculos XVII e XVIII, principalmente em Kansai (região
de Osaka e Kyoto). Cada boneco da peça é controlado por
três manipuladores visíveis ao público. Apenas o manipulador
principal mostra seu rosto ao público. Os outros dois aparecem
vestidos completamente de preto usando um capuz, também negro,
sobre o rosto. O manipulador principal controla a cabeça e o braço
direito do boneco; o segundo controla apenas o braço esquerdo;
o terceiro manipula os pés. Os bonecos de personagens femininas
em geral não possuem pés, cabendo, então, ao terceiro
que manipule o quimono para emular o movimento das pernas.
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Kabuki
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O
kabuki alia o jôruri à representação de atores.
Entretanto, o jôruri vai sofrer modificações nesse
processo de evolução. No bunraku, o cantor de
jôruri (tayû) narra os fatos e interpreta os diálogos
de todas as personagens, cabendo ao coro as partes enfáticas. No
kabuki, o cantor, além de informar ao público
informações relevantes para a compreensão do enredo,
serve de consciência para as personagens, já que os diálogos
são interpretados pelos próprios atores. Com gestos mais
agressivos do que no nô, os atores de kabuki não utilizam
máscaras, mas se apresentam com maquiagem e vestes altamente elaboradas,
não importando o tipo de personagem. Mesmo um personagem falecido
aparece perante o público com maquiagem de cores vivas.
Durante o século
XVII e XVIII houve certa rivalidade entre o kabuki e bunraku, mesmo sendo
eles tão próximos em dramaturgia e encenação.
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Colaboração:
José Carvalho Vanzelli e Camila Rodrigues
Revisão: Profa. Dra. Madalena N.H.Cordaro
Crédito: Bolsistas de Toyama 2005/2006, do curso de Língua
e Literatura Japonesa, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas da USP.
Coordenação: Prof. Dr. Koichi Mori.
Assessoria Técnica: Patrícia Izumi, Centro de Estudos
Japoneses da USP. Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria)/3091-2423 (biblioteca).
Site: CEJAP
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