
Mesmo
após a formatura dos estudantes, essa relação
mantém-se como se não tivesse sido quebrada
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(Foto: Divulgação)
Desta vez,
trataremos das relações denominadas senpai, dôhai
e kôhai, muito importantes em várias áreas da sociedade
no país do sol nascente, principalmente nas escolas. Uma tradução
livre desses termos em português poderia ser: senpai veterano,
ou, mais específicamente, aquele que ingressou no meio antes, seja
o curto espaço de tempo de alguns dias, seja um ano; dôhai
colega, aquele que ingressou ao mesmo tempo; e kôhai
calouro, aquele que ingressou depois, ou por último. Na sociedade
japonesa, em que a posição social e a hierarquia são
fatores importantes nas relações interpessoais, existe a
necessidade de se estar sempre ciente do modo como se comportar com pessoas
conhecidas, amigos, chefes, desconhecidos, etc. O respeito para com os
mais velhos e os mais experientes é bem-visto socialmente.
O senpai, seja
nas empresas, seja nos esportes, é a pessoa que detém mais
conhecimento e experiência e, portanto, merece o respeito por parte
do kôhai. O tratamento dispensado ao senpai é caracterizado
por formalidade, obediência e confiança. Quanto ao dôhai,
no Japão, é comum nas escolas (de ensino básico e
fundamental) e nas empresas, que as pessoas tenham a mesma idade; isso
se deve ao fato de que praticamente não há repetência
nas escolas no sistema educacional japonês; logo, são colegas,
pois ingressaram juntas e têm a mesma experiência de vida.
As artes marciais japonesas e os jogos coletivos como o beisebol são
as atividades mais conhecidas que possuem a relação veteranocalouro.
É comum, principalmente nas artes marciais, como o caratê,
o aikidô e o judô, que os alunos mais experientes (geralmente
os de graduação do 1-kyu para cima) ensinarem as técnicas
básicas para os mais novos na arte, de modo que o professor possa
se dedicar a outros alunos. Ou quando o professor estiver impossibilitado
de comparecer à academia, será o senpai o responsável
pela aula.
Muitas vezes,
a relação entre senpai-kôhai é comparada à
hierarquia militar, pois o menos experiente dessa equação
deve obedecer sem questionamentos ao veterano. É esperado do calouro
que trate o veterano com linguagem de tratamento bastante cortês,
que o cumprimente curvando-se sempre que cruzar com ele e que o chame
somente pelo sobrenome. Para os brasileiros e para os ocidentais em geral,
essa relação pode parecer muito injusta e impessoal, já
que, no caso brasileiro, é comum tratarmos nossos colegas de trabalho
de maneira afável, chamar nossos chefes pelo primeiro nome ou sermos
bons amigos de nossos veteranos na faculdade. Entretanto, a confiança
é um importante fator entre senpai e kôhai, uma vez que aquele
não recebe o respeito e a obediência deste como se fosse
uma via de sentido único: o senpai trata (ou deveria assim fazer)
os calouros com gentileza e mostrar interesse e preocupação
no dia-a-dia; dá conselhos sobre a escola e sobre os professores,
dá dicas de como estudar melhor, do funcionamento de algum departamento
numa empresa, etc.
Mesmo após
a formatura, essa relação mantém-se como se não
tivesse sido quebrada. Até quando o antigo kôhai ascendeu
na escala socioeconômica e passou seu senpai, perdura esta relação.
Aqui, essa
relação apresenta-se de modo enfraquecido, já que,
no Brasil, as relações são construídas e mantidas
de maneiras muito distintas: no Japão, o grupo é mais importante
do que o indivíduo.
E, assim, essa
relação ensina aos japoneses três coisas: a pensar
no coletivo, a perceber que a liderança não é algo
fácil e a viver em sociedade de acordo com os valores japoneses.
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