
Kitsune:
esperteza e astúcia para planos bem-sucedidos
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A raposa, kitsune,
é conhecida, desde os primórdios, por seus extraordinários
poderes sobrenaturais. Extremamente inteligente e astuta, acredita-se
que ela possua a capacidade de mudar de aparência, transformando-se,
geralmente, em belas mulheres para ludibriar os homens. Há ainda
a crença de que as raposas podem possuir o corpo de seres humanos
e apenas monges especiais conseguiriam exorcizá-las.
Na literatura,
a referência à raposa pode ser encontrada já no Nihonshoki
(Crônicas do Japão), primeira crônica histórica
oficial, compilada em 720. Narrativas de raposas que se transformam em
mulheres para ludibriar os homens, muitas vezes tornando-se suas esposas*
podem ser vistas em obras como Nihon Ryôki (Relatos Milagrosos do
Japão), do século IX, ou Konjaku Monogatarishû (Coletânea
de Narrativas de Hoje e de Outrora) do século XII.
Embora a imagem
difundida da raposa seja a de um animal malévolo, no templo de
Fushimi Inari, em Quioto, a raposa é reverenciada como a divindade
guardiã e emissária do deus do arroz do xintoísmo,
Inari. Portanto, nos arredores do templo há várias estátuas
em reverência ao animal.
Na língua
japonesa, podem ser encontradas algumas expressões que fazem referência
às crenças em torno da raposa, como: kitsunebi (fogo-fátuo)
e o kitsunetsuki (o estar possuído pela raposa). Ainda
na culinária japonesa, há um prato chamado kitsune udon
, feito de macarrão tipo udon com pedaços de abura-age (tofu
frito), que se acredita ser o prato preferido das raposas.
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Tanuki:
aspecto gorducho e, em geral, imagem de animal brincalhão
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O texugo japonês,
tanuki, é, juntamente com a raposa, o animal mais presente nas
lendas do imaginário japonês e é, normalmente, retratado
com barriga e testículos protuberantes e segurando uma garrafa
de saquê em uma das mãos. Nas obras mais antigas, a identificação
do tanuki ainda é incerta, podendo referir-se a animais como itachi
(doninha), ten (marta), musasabi (esquilo
voador) ou o próprio tanuki. Uma definição
mais precisa do termo tanuki vai ocorrer a partir da Era Edo (16031868),
quando acaba por identificar-se com o texugo japonês. Por sua aparência
gorducha, o tanuki possui a imagem, diferentemente da raposa, de um animal
brincalhão, cujas ações poderiam ser consideradas
divertidas, ao invés de cruéis.
A principal
crença em torno do tanuki é a sua capacidade de mudar de
forma, transformando-se, na maior parte dos casos, em homens. Contudo,
o tanuki, geralmente, não obtém tanto sucesso na execução
de seus planos, como ocorre com a raposa. Como exemplo, acredita-se que,
por gostar tanto de saquê, ao sentir seu cheiro, o tanuki esquece-se
de seu disfarce quando nessa condição e levanta
o rabo, revelando sua identidade.
Uma das histórias
mais conhecidas sobre o tanuki é Bunbuku Chagama (Chaleira
que espalha felicidade), na qual um tanuki liberto de uma armadilha
retribui a gentileza a seu salvador. A história popular, Kachi
Kachi Yama (A montanha kachikachi), constitui um dos raros
exemplos em que se enfatiza o lado cruel do tanuki, que serve a um homem
uma sopa feita com o corpo da esposa deste. Este aspecto cruel estaria
relacionado com o significado primordial do ideograma , que, na China,
indica o nome genérico de felinos selvagens.
O tanuki também
aparece em muitas expressões da língua japonesa, como tanuki
oyaji (velho astuto), tanuki neiri (sono fingido),
por conta do costume desses animais de fingir-se de morto ou adormecido
quando surpreendido.
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