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Caderno
Cultura-Tradicional
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A música tradicional japonesa e seus instrumentos
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Koto foi
introduzido no Japão por volta do século VIII
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Quando falamos
de música tradicional japonesa, primeiramente nos vem à
mente um cantor ou cantora em trajes cantando enka , conhecida como a
canção popular japonesa. Mas as raízes desse tipo
de música, no entanto, possuem uma longa história e encontram-se
relacionadas a diversos tipos de instrumentos e estilos musicais.
Enfocando apenas
alguns dos instrumentos tradicionais utilizados nos dias de hoje, podemos
citar o shamisen , o koto e o shakuhachi . O primeiro é geralmente
considerado como o banjo. Possui apenas três cordas de seda trançada;
o braço e o corpo do instrumento são feitos de madeira e
somente parte do corpo é revestido de pele de gato bem esticada.
Três estacas de marfim e madeira são colocadas na extremidade
do braço para ligar as cordas ao corpo.

Shamisen
veio da China para as ilhas de Ryûkyû |
O shamisen
veio inicialmente da China para as ilhas de Ryûkyû (Okinawa),
de onde passou para todo o Japão na segunda metade do século
XVI. Logo ganhou grande popularidade e, aos poucos, foi se alterando a
maneira e o modo de se fazer e de se tocar o shamisen até o modo
como encontramos hoje.
Usado originalmente
como acompanhamento nas artes narrativas, o shamisen é utilizado
tanto nas artes cênicas clássicas como kabuki e bunraku ,
bem como nas artes musicais populares, como as canções folclóricas
minyô ou o enka. Não se pode deixar de destacar o surgimento
de jovens tocadores solos de shamisen nos últimos anos.
O koto ou sô
de 13 cordas é originário da China e foi introduzido no
Japão por volta do século VIII, tornando-se um dos instrumentos
do Gagaku , antiga música realizada na corte imperial.O koto foi
um dos primeiros instrumentos a cumprir dupla função de
acompanhamento e de apresentação solo, havendo já
no período Edo (1603-1867) o estabelecimento de diferentes estilos.
O koto é como uma longa cítara cujas cordas são dedilhadas
por plectros (tsume) colocados nas pontas dos dedos.

Shakuhachi
é um tipo de flauta de bambu sem palheta |
O shakuhachi,
um tipo de flauta de bambu sem palheta, foi criado na China e chegou ao
Japão na Era Muromachi (1338-1573). Era usado em cerimônias
budistas, mas depois tornou-se uma arte solo.
Na Era Edo,
esses três instrumentos começaram a ser usados em conjunto
dando origem ao estilo musical chamado Sankyokugassô , literalmente
concerto de três instrumentos.
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Outros
tipos
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Taikô,
o tradicional tambor japonês |
Obviamente
a música tradicional japonesa não se resume ao shakuhachi,
koto e shamisen. Existem ainda, entre outros, os vários tipos de
taikô (tambor japonês), shô (instrumento de sopro formado
por 17 bambus de comprimentos diversos presos a uma base circular de madeira
que constitui o fole) e biwa (alaúde).
O biwa é
derivado do antigo alaúde de quatro cordas iraniano e viajou desde
o Afeganistão até chegar à China. De lá foi
introduzido no Japão no final da Era Nara (710-784). No grande
concerto de inauguração da estátua do Grande Buda
do Templo Tôdaiji em 752, foram usados três tipos de alaúde,
provavelmente os antecessores do atual biwa.
O biwa do Gagaku
somado ao Shômyô , canto budista, modificado ao gosto japonês,
proporcionou a criação de um novo estilo de música
narrativa chamado Heikebiwa, precursor da narrativa Jôruri. Esse
estilo consistia na narração, acompanhada do biwa, das narrativas
do Heike Monogatari (Narrativas do clã Taira), importante obra
da literatura do século XIII, que narra a guerra entre os clãs
Taira e Minamoto, finalizada em 1185.
Com a chegada
da restauração Meiji e a reabertura do país para
o mundo, a música tradicional japonesa viu-se diante da massiva
entrada da música ocidental e gradualmente perdeu parte da sua
importância, mas os principais gêneros sobreviveram até
os dias atuais. Ainda é possível ver as apresentações
dessas tradicionais composições da corte preservadas pela
Casa Imperial, com a atuação de grupos teatrais ou musicais
que mantêm viva essa tradição. Assim, dividindo o
espaço com a moderna, a música tradicional japonesa é
mais uma faceta do Japão atual, que alia o moderno ao antigo.
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Colaboradores:
Ives Yuji Murai e José Carvalho Vanzelli
Revisão: Profa. Dra. Luiza Nana Yoshida
Bolsistas de Toyama 2005/2006, do curso de Língua e Literatura Japonesa,
da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Coordenação:
Prof. Dr. Koichi Mori. Assessoria Técnica: Patrícia Izumi,
Centro de Estudos Japoneses da USP. Tel.: (11) 3091-2426 (secretaria)/3091-2423
(biblioteca). Site: CEJAP
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