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(Foto:
JNTO)
O calendário
de eventos anuais do Japão é uma das maneiras de se perceber
como os japoneses valorizam a tradição. Com isso, distingue-se
as comemorações anuais em dois grupos: o kokumin no shukujitsu
(feriados nacionais) e o nenchugyôji (calendário de
eventos anuais). Este, mais cultural, abrange desde os eventos comuns
no mundo inteiro, como o ano-novo (Oshogatsu), Dia das Crianças
(Tango no Sekku), Finados (Obon), até os mais característicos
nipônicos, como o Tanabata, o Shichi-go-san, Hana
matsuri, entre outros (veja quadro).
Algumas comemorações
do calendário nenchugyôji remontam aos tempos antigos, como
o Tanabata (Festival das Estrelas). De origem chinesa, esse festival já
participava do calendário de eventos da Era Heian (794~1185). Outra
comemoração realizada no passado, mas que, com o passar
do tempo, ficou restrita ao mês de fevereiro, é o setsubun.
Antigamente, o setsubun (Cerimônia para semear grãos de soja)
marcava a passagem das estações do ano, porém, atualmente,
marca somente a chegada da primavera. Além dessa, o Tango no Sekku
(Dia das Crianças) também remonta à Antiguidade e,
embora seja considerado o Dia das Crianças hoje, era, a princípio,
voltado apenas para os meninos. Entretanto, o símbolo continua
o mesmo: na referida data, costuma-se hastear os koinobori (flâmulas
de papel ou pano em forma de carpa), confeccionados pelas famílias
que possuem um menino, representando sorte e boa saúde aos garotos.
Escolheu-se a carpa devido à sua capacidade de vencer obstáculos
naturais.
A maioria dos
eventos anuais está ligada à admiração dos
japoneses pela natureza. Com estações do ano bem definidas,
o seu povo costuma festejar um acontecimento característico de
cada estação.
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JANEIRO
1º/1
Oshogatsu: é com a saudação Shinnen
akemashite omedetou gozaimasu que os japoneses celebram o oshogatsu,
isto é, o ano-novo. Neste dia, os correios entregam os nengajô
(cartões de felicitação) a seus destinatários,
os pais entregam aos filhos os otoshidama (presente em dinheiro) e são
preparadas comidas típicas como o ozouni. Na virada do ano-novo as
famílias fazem o hatsumôde, isto é, a visita a um templo
xintoísta ou budista durante o ano-novo.
FEVEREIRO
3/2 ou 4/2
Setsubun: dizendo a frase Fuku wa uchi! Oni wa soto!
os japoneses simbolicamente semeiam grãos de soja no interior das
residências para afugentar os maus espíritos e chamar a boa
ventura. A tradição remonta a um hábito da família
imperial chamada tsuina, que ocorria na véspera do equinócio
de primavera. Atribui-se ao vigor da soja, que cresce rapidamente, o poder
de espantar os maus espíritos.
MARÇO
3/3
Hina Matsuri: também chamado de momo no sekku, o hinamatsuri
(Festival das Bonecas) é a data festiva para pedir o crescimento
saudável e feliz das filhas. Na Era Heian, as famílias da
nobreza japonesa iniciaram a prática do nagashibina, isto é,
faziam bonecas simples e as depositavam nos rios e nos mares, pedindo
que levassem consigo as doenças e os males que estivessem destinados
às meninas. Entretanto, as crianças da família imperial
passaram a brincar com bonecas mais elaboradas que, em pouco tempo, tornaram-se
tão complexas que começaram a enfeitar os aposentos. A partir
da Era Edo são montados os hinadan, estrados com vários
andares sobre os quais são dispostas as bonecas.
ABRIL
Início de abril
Ohanami: uma das árvores mais tradicionais do Japão
é o sakura, (cerejeira), cujas floradas são apreciadas pelos
japoneses. Para tanto, há até um calendário oficial
com a previsão da floração em cada região
do país. Esse costume também surgiu na Era Heian, quando
os nobres se reuniam sob as cerejeiras para compor poemas e cantar. Essa
tradição chegou à população durante
a Era Edo e, desde então, são realizados piqueniques e eventos
diversos sob a chuva de pétalas de sakura. Nesta mesma
época, no dia 8 de abril, é comemorado o aniversário
de Buda (hana matsuri).
MAIO
5/5
Tango no Sekku: este festival, conhecido como Dia das Crianças,
era realizado exclusivamente para pedir o crescimento saudável
dos filhos do sexo masculino, mas após a Segunda Guerra Mundial,
ganhou conotação mais ampla. Na Antiguidade, esta data era
comemorada na China como o dia da prevenção contra os males.
Como parte dos rituais, eram colhidos os shôbu (iris laevigata)
para se preparar banhos aromáticos. No Japão feudal, esse
costume ganhou maior importância porque o nome dessa planta, em
japonês, tem o mesmo som da palavra batalha. Assim,
os samurais acreditavam que as folhas desse vegetal trariam vitória
e sorte.
JUNHO
1º/6 e 1º/10
Koromogae: conforme a mudança climática, hoje, os dias
1º de junho e 1º de outubro, são as datas para a troca
de roupas e uniformes dos japoneses, com modelos de verão e de
inverno. Na Antiguidade japonesa, os quimonos de verão eram vestidos
a partir do dia 1º de abril; e os de inverno, a partir do dia 1º
de outubro. Já na Era Edo, a data passou a ser 9 de setembro. Ainda
hoje, o koromogae pode ser visto na troca dos uniformes de estudantes,
bancários, motoristas de ônibus, policiais, etc.
JULHO
7/7
Tanabata: conhecido como Festival das Estrelas, tem sua
origem na celebração do deus da água (Mizu-no-Kami)
no dia 7 de julho. Nesta data, as tecelãs chamadas de tanabatatsume
dedicavam-se a tecer, por uma noite a fio, um pano como oferenda para
proteção contra doenças. Na China, na mesma data,
acontecia algo semelhante. As tecelãs pediam habilidade na tecelagem
e no bordado à estrela tecelã Vega, separada pela via-láctea
de seu amante Altair. Essas estrelas só podem ser vistas juntas
no Hemisfério Norte na noite de 7 de julho. Na Era Edo iniciou-se
o costume de escrever poemas e pedidos nos cartões chamados tanzaku,
que são pendurados em ramos de bambu.
AGOSTO
13 a 15/8
Obon: O discípulo de Buda chamado Mokuren tinha o poder de
vislumbrar o mundo dos mortos, onde descobriu a condição
sofrida por sua mãe. Ele consultou Buda, que o instruiu a reunir
um grande número de monges para fazer a maior oferenda possível
a fim de salvá-la. Mokuren teria iniciado a dança que ficaria
conhecida como Bon Odori, tornando-se o principal culto aos antepassados.
Entre os dias 13 e 15 de agosto, acende-se o fogo sagrado (mukaebi) em
frente às residências ou às margens dos rios para
acolher as almas.
SETEMBRO
Fim do mês
Otsukimi: No fim do mês de setembro, a lua apresenta-se ainda
mais pujante no Hemisfério Norte. Em agradecimento às boas
colheitas, os japoneses ofereciam os frutos do penoso trabalho no campo
à lua. Porém, o otsukimi não se restringia aos camponeses.
A família imperial também apreciava a lua, enquanto seus
membros cantavam ao som do koto e do shakuhachi.
OUTUBRO
Kaminazuki: o mês de outubro é conhecido pela ausência
de divindades. Segundo a tradição xintoísta, neste
mês, os deuses se reúnem no Grande Santuário de Izumo,
sudoeste do Japão, dedicado à divindade Ôkuninushi-no-Mikoto
e, por isso, não há motivo para festividades.
NOVEMBRO
15/11
Shichi-go-san: é a visita aos santuários xintoístas
das crianças de 3, 5 e 7 anos, em agradecimento pelo crescimento
até então saudável, pois, antigamente, a taxa de
mortalidade infantil era alta. Na Era Edo, o shichi-go-san passou a ser
reconhecido como um ritual de passagem.
DEZEMBRO
31/12
Toshikoshi: é a comemoração do último
dia do ano. Nesta data se faz o ôsôji, isto é, a limpeza
das casas japonesas. Este ritual também é chamado de susuhaki.
São preparadas as refeições típicas da véspera
do ano-novo.
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