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Uma luta
entre dois deuses é realizada para determinar a força do
soberano. Esta é considerada a primeira referência ao sumô,
descrita no livro Kojiki (Relatos de Fatos Antigos) de 712
d.C., que conta a origem no Japão com base em crenças xintoístas
da época.
Inicialmente,
lutadores de sumô realizavam apresentações para o
imperador nas festividades aos deuses. A partir do século V, a
realização dessa luta determinava o soberano de cada ilha.
E até o período Kamakura (1192-1333) essa modalidade de
luta estava restrita às pessoas pertencentes à Corte imperial.
Além disso, competições eram realizadas com o intuito
de assegurar boas colheitas. Já a partir do período Edo
(1600-1868), o sumô ganha status de esporte profissional. No entanto,
durante a Segunda Guerra Mundial ele passou por um período de decadência
que só terminou após a recuperação do país,
quando a atividade readquiriu seu esplendor.
Atualmente,
o sumô é considerado o esporte nacional do Japão,
só perdendo em popularidade para o beisebol e, recentemente, o
futebol.
Assim, com
raízes na mitologia japonesa, o sumô se consolida como um
esporte que une a força do espírito, da mente e do corpo.
E valorizando sempre suas tradições e origem, a realização
de uma luta de sumô envolve diversos rituais e reverências
aos deuses. Dentre os ritos realizados, o ato de espalhar sal pela arena
antes do início da luta consiste na purificação do
chão e é feito também com o intuito de pedir proteção
aos deuses. Em seguida, os lutadores, vestidos somente com o mawashi (tanga
larga) e munidos unicamente de sua própria força, iniciam
a luta. O vencedor é aquele que consegue empurrar o oponente para
fora do círculo ou que faz com que este encoste qualquer parte
do corpo que não seja a sola dos pés no dohyô (área
circular central). Tudo isso é observado pelo gyôji (juiz),
que usa uma vestimenta representativa de um nobre do século XIV.
Geralmente,
a luta é decidida em questão de segundos e dá lugar
a uma nova apresentação até que todos os competidores
tenham participado de um confronto.
A Associação
de Sumô do Japão (Nippon Sumo Kyôkai) promove anualmente
seis torneios, mas, muito além dos espetáculos grandiosos,
existe todo um treinamento diário. O dia-a-dia desses atletas não
é nada fácil, seus treinos começam muito cedo e,
no caso dos iniciantes, isso significa estar no dohyô vestido de
mawashi às quatro horas da manhã. Isso porque ingressar
no mundo do sumô significa estar sujeito a diversas obrigações
de acordo com sua categoria, o que torna a competição ainda
mais acirrada, uma vez que, um membro de uma categoria inferior pode superar
um lutador de categoria acima. Acresce-se, ainda, que o único título
permanente é o de yokozuna, o mais alto grau.
Além
disso, para se tornar um rikishi, ou seja, um lutador de sumô, o
aspirante precisa preencher diversos requisitos que vão do físico
ao intelectual: ser saudável, ter menos de 23 anos e pelo menos
1,73 metros, 75 quilos e ter a escolarização obrigatória
concluída. Ainda precisa estudar técnicas de movimentos
do sumô, sua história, medicina esportiva, conhecimentos
gerais, caligrafia e poesia antiga no Sumô kyôshûjo
(centro de treinamento). Todos esses procedimentos são realizados
numa moradia especial, o heya (ou, como se ouve nas narrações
das lutas beya), geralmente supervisionada pelo oyakata (rikishi aposentado).
No Brasil,
o primeiro campeonato de sumô foi registrado em 1912, na cidade
de Guatapará, onde se concentravam muitas famílias de imigrantes
japoneses. No entanto, atualmente, o crescente número de ingressantes
não descendentes mostra que o esporte não é exclusivamente
de interesse dos nikkeis.
E, assim, em
um misto de esporte, espetáculo e ritual sagrado, o sumô
vai angariando cada vez mais adeptos, tornando-se parte dessa globalização,
sem deixar as tradições de lado.
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Atualmente, o maior campeão do sumô não é japonês.
O detentor do título é o mongol Asashôryu.
O mawashi,
tanga utilizada pelos lutadores, tradicionalmente não é
lavado, pois isso poderia trazer má sorte.
O kesho-mawashi,
espécie de avental usado na cerimônia de entrada dos lutadores,
pode ser bordado de ouro, prata ou pedrarias, custando pelo menos ¥
2 milhões (cerca de R$ 38 mil).
O ôichômage,
penteado típico, só pode ser utilizado pelos lutadores de
posição mais alta. Além de um efeito estilístico
remanescente da tradição, também serve de proteção
durante as quedas.
O chankônabe
é o alimento típico dos lutadores de sumô, composto
de verduras variadas, carne de frango e peixe.
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