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(Colaboração:
Sandra Iamamura/NB | Fotos: Alexandre Sperandio / Divulgação)
Genericamente
falando, kusudama são bolas decorativas, com feixes de fios coloridos
dependurados sob elas e que são utilizadas, no Japão, como
uma espécie de móbile, para enfeitar o ambiente.
O nome kusudama,
que literalmente significa bola de remédio (kusu =
kusuri = remédio e dama = tama = bola), servia, originalmente,
para afastar o mal, para garantir a saúde das crianças,
como costumava-se empregar na China. No Japão, não era diferente,
havendo o costume de pendurar saquinhos contendo ervas medicinais sobre
as cabeceiras das camas de doentes durante a Era Heian (sécs. VIII~XII).
Com o tempo, esses saquinhos passaram a ser ornamentados e perfumados
com fragrâncias, funcionando como aromatizadores e, atualmente,
para a decoração de ambientes.
Além
de elementos decorativos, os kusudama também são associados,
no arquipélago, a eventos comemorativos, como o internacionalmente
conhecido Tanabata Matsuri (Festival das Estrelas) celebrado anualmente
no mês de julho (no Brasil, comemora-se o festival no bairro da
Liberdade) além de inaugurações, formaturas,
casamentos, etc.
Os
kusudama de Tanabata também podem ser chamados de fukinagashi (flâmulas),
preservando o formato similar dos originais chineses, enfeitados com flores
e com tiras de papel (tanzaku) penduradas. A criação dos
famosos kusudama do Tanabata Matsuri de Sendai, província de Miyagi
(que também podem ser apreciados no Festival das Estrelas da Liberdade),
é atribuída ao comerciante da cidade de Ichibanchô,
Kengoro Mori, que, em 1946, se inspirou na beleza das dálias de
seu jardim para confeccionar, em papel, enfeites tão vistosos,
que acabaram sendo adotados para o Tanabata de sua região.
Quando utilizados
para eventos comemorativos, os kusudama ganham o nome de waridama (wari
= waru = partir, cortar), pois são partidos ao meio,
como uma espécie de balão surpresa, soltando tiras e confetes
coloridos de papel e, no meio do balão partido, vê-se a mensagem
relacionada ao festejo dependurada. Dependendo da comemoração,
o kusudama pode ganhar formatos variados, abrindo-se em forma de sino
ou coração, para casamentos, ou quaisquer outras formas
que lembrem os homenageados. Em 2003, para comemorar a vitória
do time de beisebol profissional Hanshin Tigers, foi partido um kusudama
enorme em forma de berinjela, remetendo ao principal produto agrícola
da cidade de Aki, província de Kochi, que sediou o jogo. Outro
tradicional evento que costuma utilizar o waridama, é o Nenmatsu
Takarakuji, a loteria de final de ano do Japão, para celebrar o
sorteio do primeiro prêmio, transmitido anualmente pela emissora
NHK.
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Quando confeccionado
a partir da junção de módulos dobrados em papel,
o kusudama ganha a classificação de origami modular. Os
módulos de papel são encaixados para formar uma bola, que,
depois de pronta, é pendurada por um fio de seda com tiras coloridas
sob ela.
Segundo informações
dos artesãos Alexandre e Andréa Iogolia, no site www.kusudama.origami.nom.br,
as primeiras instruções de um kusudama tradicional apareceram
no jornal Origami, do NOA (Nippon Origami Association), em 1978, e Makoto
Yamaguchi publicou, em 1990, o livro Kusudama Ball Origami, no qual ensina
26 módulos muito interessantes.
Existem modelos
de kusudama que vão desde os mais simples (com seis módulos),
aos mais complexos (com até 60 módulos, que podem ser colados
ou costurados, para formar as fascinantes bolas decorativas, que podem
ou não, dependendo de seu formato, comportar um saquinho de sachê
dentro delas, exercendo sua função original).
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