A
pequena Aiko, única filha do casal herdeiro Naruhito e Masako:
possibilidade de reger o Japão |
(Texto: Daniela
Karasawa/NB | Fotos: Reuters)
Até
o final deste ano, o primeiro-ministro Junichiro Koizumi tentará
aprovar a revisão da Lei Imperial que possibilitará novamente
o direito feminino ao posto de regente do Japão. Rever essa lei
demonstrará que a Casa Imperial tem olhos para uma possível
modernização de seus conceitos ou, como é mais provável,
essa seja uma medida para sobreviver à atual realidade, na qual
a pequena Aiko é a única filha do casal herdeiro Naruhito
e Masako.
No entanto,
essa movimentação política e cultural aconteceu há
séculos, e o país já teve várias mulheres
como regentes, em épocas nas quais o poder político da Casa
Imperial era muito mais importante e significativo, e as mulheres tiveram
um papel fundamental nas bases do país. Entre os anos 592 e 770,
o Japão foi governado sete vezes por seis imperatrizes (Suiko,
Saimei, Jitô, Gemmei, Gensho e Koken), em um total de 89 anos, um
período fascinante que mereceria uma biografia coletiva.
A primeira
imperatriz, Suiko, nasceu em 554, e era filha do imperador Kinmei, do
clã Soga. Depois da morte do imperador Shushun provocada por um
assassino enviado pelo próprio clã da futura imperatriz,
Suiko tornou-se o 33º regente e a primeira mulher a ocupar tal cargo,
sendo uma representante muito forte na dinastia Yamato que criou
muitas leis, tais como a Constituição de 17 artigos, e enviou
diversas missões à China para aumentar o prestígio
japonês. Morreu com 74 anos.
Catorze anos
mais tarde, a imperatriz Kogyoku tornou-se regente e abdicou do cargo
três anos mais tarde para que seu irmão, o imperador Kotoku,
assumisse. Dez anos depois, com a morte de Kotoku, a imperatriz voltou
ao trono, agora sob o nome Saimei, permanecendo até sua morte em
661. Sendo assim, ela foi a primeira a ocupar tal cargo duas vezes (como
35º e 37º regente). Era neta do imperador Bidatsu e nasceu como
princesa Takara. Foi casada com o imperador Jomei e teve três filhos:
Naka-no-Oe (imperador Tenji), Oama (imperador Temmu) e princesa Hashihito.
Já a
imperatriz Jitô foi o 41º regente. Filha do imperador Tenji,
ela subiu ao trono em 687, após a morte de seu marido, o imperador
Temmu, que era também seu tio, a fim de assegurar a eventual sucessão
de seu neto, o imperador Mommu. Depois de dez anos, abdicou em favor de
Mommu, mas se manteve o poder mesmo reclusa em um templo, tendência
essa que persistiu na política japonesa.
Gemmei foi
imperatriz em 707. Em 710, mudou a capital para Nara, inaugurando uma
nova era, além de ordenar a redação das narrativas
históricas conhecidas como Kojiki.
A imperatriz
Genshô ou Yoro, foi o 44º regente imperial do Japão
e provou ser uma governante de raro talento. Seu nome era princesa Hidaka.
Era irmã mais velha do imperador Mommu e filha do príncipe
Kusakabe e de sua esposa e antiga imperatriz Gemmei, conseqüentemente
neta do imperador Temmu e da imperatriz Jitô por parte de pai e
neta do imperador Tenji por parte de mãe. Ela criou a primeira
moeda de cobre e pediu que os calígrafos escrevessem sobre as tradições
antigas, a fim de que essas não fossem perdidas. Em seu governo,
a edição do Nihonshoki, o primeiro livro de história
japonês, foi finalizada em 720. A organização do sistema
de leis foi mantida até sua morte. Mais tarde, esses códigos
e leis foram editados e utilizados por Fujiwara-no-Nakamaro e publicados
como Yoro Ritsuryo, datado de 718. O sistema de taxação
que tinha sido introduzido pela imperatriz Jitô no século
VII começou a falhar. Para compensar a diminuição
no rendimento dos impostos, com a iniciativa do príncipe Nagaya,
o Ato de Possessão em Três Gerações
foi editado em 723. Com este ele, as pessoas teriam terras para cultivo
por até três gerações, no máximo. Na
quarta geração, o direito de posse desapareceria, e o campo
voltaria ao governo. Este ato tinha como finalidade motivar novos cultivos,
mas seu uso durou cerca de 20 anos. Em 724, ela abdicou em favor de Shomu.
Jitô não se casou e não teve filhos.
A regente Koken,
conhecida também como Shotoku foi a última imperatriz, que
governou o Japão até o século XVII, ocupando duas
vezes o trono (749-758 e 764-770). Houve um número considerável
de mulheres antes de Koken, mas o poder conquistado pelo monge budista
Dokyo durante seu segundo reinado fez com que o Conselho dos Ministros
impossibilitasse a sucessão feminina ao poder depois disso. Koken
era a filha do imperador Shomu e subiu ao trono em agosto de 749, como
imperatriz Koken, quando seu pai abdicou. Nove anos depois, abdicou em
favor do príncipe Oi, que governou como imperador Junnin. Em 761,
tentou sua reclusão para ficar com Dokyo, suspeito amante, declarando
guerra ao ministro favorito de Junnin, o poderoso Oshikatsu. Em 764, o
conflito virou uma guerra civil: Oshikatsu foi morto e Junnin deposto.
Koken voltou ao trono como imperatriz Shotoku. Embora Dokyo tenha conquistado
o controle virtual do governo, sua tentativa de transformar-se em imperador
com a morte de Koken resultou em seu banimento da capital.
Em 1629, Meisho
tornou-se imperatriz após seu pai, o imperador Go-Mizunô
abdicar depois um grave incidente. Por conta disso, transformou-se na
primeira mulher a ocupar o trono desde a imperatriz Shotoku, que morreu
em 770.
A imperatriz
Go-Sakuramachi foi a 117º regente do Japão e a última
imperatriz que governou até abdicar em favor de seu neto, o imperador
Go-Momozono. Seu nome era Toshiko, e seu título original era Isa-no-miya
e depois Ake-no-miya. Go-Sakuramachi pode perder seu posto de última
mulher regente do Japão, assim que a decisão da Dieta (Câmara
dos Deputados japonês) for tomada.
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