
O jogo era chamado de pachi pachi ou gachanko, devido ao som que
a máquina fazia. Somente por volta de 1930 passou-se a usar
a denominação pachinko
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(Texto: Eri
Horiguchi/IPC Japan)
Desejando ver seu dinheiro render, o maior passatempo do japonês
é o pachinko. Não há dúvida sobre isso quando
se tem em conta que dos ¥ 85 bilhões que circulam no setor
de lazer, mais de ¥ 29 bilhões (cerca de US$ 253 milhões
de dólares) correspondem ao jogo das bolinhas. Esses dados, extraídos
do Livro Branco (relatório oficial de cada ministério japonês)
sobre o lazer no Japão (2003), demonstram que, em todo o país,
há 21,7 milhões de aficionados por pachinko.
A história
do jogo japonês tem início no princípio do século
XX, quando foram importadas cinco máquinas dos Estados Unidos,
nas quais, introduzindo-se uma moeda de 1 centavo, saía uma bolinha
e, se o usuário conseguisse fazer com que ela entrasse em um buraco
utilizando-se de uma alavanca, saíam duas ou três moedas
de 1 centavo.
Esse jogo divertia
tanto crianças como adultos, que o chamavam de pachi pachi, pacchin,
gachan ou gachanko, devido ao som que a máquina fazia. Somente
por volta de 1930 passou-se a usar a denominação de pachinko.
A cidade de
Nagóia (Aichi) é conhecida como o local de origem do pachinkoya
(casa de pachinko), sendo inventada ali a máquina que serviu de
base às atuais. O inventor foi Takeichi Masamura (1906-1975), um
comerciante de objetos de vidro. Nascido em uma família humilde
de Gifu, Masamura também atuava nas áreas de venda de sorvetes
e de aluguel de imóveis.
Em 1936, Shoichi
Fujii, também de Nagóia, criou uma máquina da qual
saíam bolinhas em vez de moedas. Fujii necessitava de vidros para
suas máquinas e foi assim que conheceu Masamura, que, em pouco
tempo, abriu seu próprio negócio de pachinko.
O boom do pachinko
aconteceu nos anos do período pós-guerra, época em
que a comida era escassa e o cigarro era um artigo de luxo. Então,
Masamura teve a brilhante idéia de premiar os ganhadores do pachinko
com cigarros.
O êxito
foi tanto, que em pouco tempo não houve máquinas suficientes
para satisfazer a demanda. Então, Masamura decidiu deixar todos
os seus negócios e dedicar-se à fabricação
de novas máquinas que cativassem ainda mais ao público.
Depois de meses
e meses de estudos e testes, em 1949, o empreendedor criou sua primeira
máquina, à qual deu o nome de Masamura Geji. A disposição
dos pinos que fazem as bolinhas mudarem de direção ainda
é utilizada até hoje. As máquinas de Masamura difundiram-se
rapidamente entre as 4.818 casas de pachinko que existiam na época,
uma cifra que, em apenas três anos, subiu para 42.168 estabelecimentos.
Golpe
mortal e ressurgimento
Em 1952, outro
empresário de Nagóia aficionado por pachinko inventou uma
máquina que logo causaria um problema social. Tokuji Kikuyama,
representante da empresa Onoda Cemento, não gostava de ter que
introduzir uma bolinha de cada vez para jogar. Isto o levou a criar uma
máquina que permitia introduzir as bolinhas sucessivamente. Com
a máquina anterior, era possível lançar 50 bolinhas
por minuto, enquanto com a nova esse número subia para 130.
Os estabelecimentos
mudaram de máquinas, porque o pachinko inventado por Kikuyama fazia
com que os clientes comprassem mais bolinhas. Em outras palavras, os jogadores
gastavam cada vez mais dinheiro, e isto chegou a originar um problema
social muito grave.
A polícia
encarregada de supervisionar o setor recreativo proibiu esta máquina
em 1954, levando cerca de 70% dos 53 mil estabelecimentos que existiam
na época a fecharem suas portas.
A maioria dos
que prosseguiram com o negócio foi de coreanos residentes no Japão.
Graças a uma outra máquina inventada em 1955, os estabelecimentos
recuperaram seus clientes. Ela foi denominada churippu (tulipa), porque,
quando uma bolinha entrava no buraco, três ou quatro objetos que
tinham a forma de tulipa abriam suas pétalas para felicitar o cliente.
Entretanto,
na década de 1950, o Japão começou a experimentar
um vertiginoso crescimento econômico, e os prêmios do pachinko
perderam seu atrativo. Os clientes preferiam dinheiro, porém os
estabelecimentos não podiam premiá-los porque, no Japão,
os jogos de azar são proibidos. Então, o sindicato de Osaka
idealizou um sistema que permitia aos clientes ganhar dinheiro. Para isso,
estabeleceram uma loja independente, que se dedicava a comprar
os prêmios dos jogadores e, desta maneira, estes conseguiam o desejado
dinheiro. Imediatamente, esses prêmios retornavam ao pachinko. Este
curioso sistema continua sendo utilizado atualmente.
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