
Antigamente, lutadores eram soldados e não revelavam seus
nomes, daí surgiu o uso de apelidos
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Até
o dia 27 de novembro, acontece a temporada de competições
de Sumô em Kyushu. Apesar de o sumô ser o esporte nacional
do Japão, atualmente merecem destaque as atuações
de atletas estrangeiros, de países como Mongólia, Bulgária
e Geórgia, que vêm conquistando popularidade. Asashoryu,
atleta da Mongólia, por exemplo, tem mantido o título de
yokozuna (campeão supremo) há 12 torneios consecutivos.
Com isso, a ausência de um yokozuna japonês está provocando
expectativas cada vez maiores a cada início de temporada.
Quando assistimos a um campeonato de sumô pela televisão,
aparece uma tabela que indica as lutas e as duplas de adversários.
Nessa tabela, constam enfileirados os nomes em kanji, inclusive os dos
atletas estrangeiros. Quem estuda a língua japonesa aprende que
os nomes de estrangeiros devem ser escritos em katakana, e, no entanto,
na tabela das lutas não consta nenhum nome em katakana. Por quê?
Como são determinados os nomes dos lutadores de sumô? Da
mesma forma como os artistas possuem o seu nome artístico, os lutadores
de sumô também possuem o seu nome profissional, chamado shikona.
Os ideogramas que preenchem a tabela de lutas são dos tais nomes.
História
A história
de sumô remonta a 1.400 anos, e dizem que shikona surgiu há
cerca de 500 anos, no período em que ocorriam as guerras civis.
Até então, o sumô era praticado como parte das cerimônias
e festividades nas vilas agrícolas, mas, nesse período,
a sua prática foi estimulada devido ao seu aspecto prático
e muito útil aos soldados durante as batalhas. Dessa forma, foi
nessa época que os lutadores profissionais de sumô passaram
a realizar turnês. Na época, eles, que eram anteriormente
soldados, não revelavam o seu verdadeiro nome nas lutas. Isso teve
um efeito para atrair mais espectadores, o que fez com que cada lutador
escolhesse, ele próprio, um nome que denotasse força, iniciando
assim, o uso do shikona. Observando os shikona de hoje, percebemos que
há vários padrões na definição dos
nomes. Um deles é a escolha de algo que causa uma impressão
de valentia, o que nos faz lembrar a origem do shikona. Os nomes que contêm
os ideogramas como trovão ou relâmpago
são exemplos deste tipo de nome. O outro padrão é
dos nomes ligados às terras de origem do lutador. A maioria dos
nomes de atletas oriundos do exterior seguem este padrão, sendo
que o Kokkai (Mar Negro) é um exemplo típico. Além
disso, há padrões como cada escola de sumô incluir
sem falta um determinado ideograma, ou transmitir um ideograma do nome
do mestre ou lutador veterano. Há também shikona que são
transmitidos de geração para geração dentro
da mesma escola. Houve um lutador de origem havaiana chamado Konishiki,
hoje já aposentado; esse shikona pertenceu a um campeão
da Era Meiji (1868-1912) e foi-lhe transmitido.
Atletas
estrangeiros
Observando
a lista de participantes do torneio de Kyushu, entre os 42 atletas da
categoria Makuuchi, que é a mais alta do sumô, 11 são
estrangeiros. A Federação de Sumô do Japão
estabeleceu, em fevereiro de 2002, limites quanto ao número de
atletas estrangeiros, devendo ser de um atleta por escola e de 40 ao todo.
Entretanto, no Japão, ano a ano, o número de iniciantes
deste esporte tem diminuído. Por outro lado, na Mongólia,
onde surgem muitos lutadores, os atletas são considerados super-heróis
pelas crianças, havendo um grande número de candidatos a
iniciantes. A medida foi a última cartada para tentar conter o
grande aumento de atletas estrangeiros num esporte nacional, que é
o sumô. Mas, observando a recente atuação dos atletas
estrangeiros, só podemos dizer que nem mesmo o sumô escapa
das ondas da globalização.
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