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Caderno Cultura-Tradicional

Osenko, ou incenso
Dizem que o incenso chegou de Kudara, uma das nações da antiga Coréia, em 538, junto com imagens de Buda e escrituras de sutras

Incensário, muito utilizado em templos e nos lares

Dois de novembro, Dia de Finados no Brasil, corresponde ao chamado obon no Japão. Lá, esta comemoração normalmente ocorre entre julho e agosto. Nos rituais de receber os espíritos dos antepassados na família, ou nas visitas aos seus túmulos, o incenso é indispensável. Mesmo nas diversas religiões do mundo, o incenso é um importante item de oferenda. Isso ocorre também com o budismo, e dizem que o seu aroma não só chega até Buda, como também a misericórdia de Buda se espalha para todas as pessoas, tendo a virtude de purificar tudo que há de impuro.

A história

Dizem que o incenso chegou de Kudara (uma das três nações da antiga Coréia) no ano 538, juntamente com imagens de Buda e escrituras de sutras, quando da transmissão do budismo. Também no registro histórico Nihon Shoki 721, consta que, no ano 595, chegou, na ilha Awaji, uma árvore aromática trazida pela maré. Posteriormente, com a difusão do budismo, passou a ser trazido pela missão do Japão à China, sendo utilizado entre os nobres e nos templos. Também no comércio com os portugueses que se iniciou no século XVI, aumentou a importação de árvores aromáticas (originárias da Índia e do Sudoeste da Ásia) que se tornariam matéria-prima para incenso. Com a divulgação de kado (arte de arranjo de flores) e sado (cerimônia do chá), também o kodo (apreciação do aroma) passou a ser conhecido entre populares. Realizavam-se jogos de adivinhar o tipo do aroma, assim como se tornou possível, através do aroma, tranqüilizar a mente e vagar pelo mundo do requinte. A fabricação do incenso que conhecemos hoje foi iniciado no começo da Era Edo (sécs. XVII~XIX), em Nagasaki, por norte-coreanos naturalizados.

Na sociedade atual, em que as pessoas lidam com estresse, o incenso está sendo novamente valorizado para curar a mente, ou para se obter efeitos de aromaterapia.

Matéria-prima

O incenso é preparado com perfumes adicionados em corantes e gomas como resina de pinheiro. Há dois tipos de incenso conforme a matéria prima: o “incenso de cedro” e o “incenso aromático”. O incenso de cedro tem como principal matéria-prima o pó de folhas de cedro. É um incenso com fragrância de cedro que produz abundante fumaça, sendo principalmente utilizado em visitas a túmulos. O incenso aromático é fabricado com a casca da árvore de tabunoki (nome científico: Machilus thunbergii) misturada com variados tipos de árvores aromáticas e aromatizantes. É muito utilizado em templos e nos lares. A zona produtora do pó de cedro, matéria-prima deste produto, é Wakayama e Sakai (província de Hyogo). A maior produtora de incenso nacional é a ilha de Awaji.

Das árvores aromáticas que são matérias-primas de origem vegetal, as mais finas são o sândalo (byakudan) e o aloés (jinkou ou kyara) e as mais comuns são o Machilus thunbergii, o cravo aromático (choji) e a canela (keihi). De origem animal, temos o veado almiscareiro (que vive no Tibete), a concha em caracol e o âmbar extraído de baleias da espécie cachalote.

Sândalo ou aloés, preço alto

De acordo com a fabricante de incenso Baieido, cuja atividade foi iniciada em 1657 (site: www.baieido.co.jp, com página disponível em inglês), a caixa de incensos de sândalo ou de aloés custa muito caro. Por isso, passaram a ser comercializados por unidade. Seu preço unitário varia desde ¥ 157, e alguns chegam a custar até ¥ 3 mil. Atualmente, incensos com aroma de flores como lavanda, ameixeira branca, cerejeira e outros também estão sendo muito procurados. Há quem diga que aqueles com aroma sintético de café são procurados para oferendar a falecidos que gostavam da bebida. Além disso, há também incensos que contêm aromas de morango, mel e outros.

Contra os insetos

Existem também os incensos que afugentam insetos, como pernilongos, que são muito usados. Há inclusive os incensos contra pernilongos em formato de espiral, que contêm crisântemos que afugentam insetos. Dizem que estão bem cotados os incensos inodoros contra pernilongos. Há também os mais práticos, para serem utilizados em acampamentos, e aqueles usados contra pernilongos para proteger animais de estimação, que possuem uma característica aromática que não necessita de fogo.

Estamos na era do computador. E, para nossa surpresa, surgiu um incenso digital contra pernilongos! São softwares que emitem sons que afugentam os pernilongos, ou dispositivos do tamanho de um chaveiro que combatem os referidos insetos através de ruídos ultrassônicos.

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